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Crise no abastecimento de Agua: AES Sul não cumpre a decisão judicial e Corsan pode solicitar terceiros

A AES Sul não cumpriu a decisão da juíza Rosuita Maahs, que, com base em laudo pericial (Jornal ocorreio), determinou, nesta sexta-feira, 1º,  um prazo de seis horas, a partir da notificação, para que a companhia religasse a rede de energia que abastece a Estação de Tratamento daCorsan. A juíza também estabeleceu uma multa de R$ 30 mil a cada hora de descumprimento. Como só às 11h30min deste sábado um representante da AES Sul foi localizado para receber a notificação, o prazo se encerrou às 17h30min. A companhia, através de nota oficial, mantém a posição de não realizar o serviço nas atuais condições da área.

Diante da negativa da AES Sul e de acordo com a decisão da juíza, que atendeu a pedido de liminar feito pelo Município, a Corsan está autorizada a contratar uma terceira empresa para fazer a religação dos “facões (fusível elêtrico), no poste que leva energia até a Estação de Tratamento. O gerente local da Corsan, Moisés Calegari, confirmou que a Celetro está sendo chamada para religar a energia, e o trabalho deve ocorrer logo pela manhã deste domingo. A AES Sul, através do coordenador regional, Leandro Backes, disse que a energia será desligada no local para a realização do serviço.

A responsabilidade pela resolução do problema é do cliente (Corsan)”, comentou Backes. “A rede não é nossa.” Backes lembrou que em 2006 a AES Sul havia aprovado projeto para que a Corsan fizesse melhorias no local. “Eles não tomaram providências nem deixaram o gerador pronto”, ponderou. “A responsabilidade pelo que possa acontecer é de quem executar o serviço”, alertou Backes.

A AES Sul informou ainda que fez novas vistorias na sexta-feira, 1º, e no sábado, 2, no Rio Jacuí, na altura da Ponte do Fandango, em Cachoeira do Sul, onde se encontra a rede elétrica que atende à bomba de captação de água da Corsan. Conforme a nota, “o rio segue acima do nível normal, com correnteza forte, impedindo que o trabalho dos eletricistas seja feito com segurança”. A AES Sul pondera que, no local, há uma chave de 23.000 Volts desligada.

Além disso, o excesso de água fez com que o solo cedesse em outro ponto da rede, derrubando um poste. A AES Sul está avaliando as condições de acesso ao local, seco antes da enchente, para ver se é possível substituir o poste”, explica a nota. Backes, no entanto, disse que esse problema (do segundo poste) já estava sendo resolvido. A reportagem da Rádio Fandango, porém, esteve no local e não encontrou nenhuma equipe da companhia trabalhando.

“EMPECILHOS” – A AES Sul reitera em sua nota: “O único empecilho é a falta de condições de segurança para religar a energia elétrica. Numa situação assim, não é possível visualizar as condições da rede, e o risco de acidente com os profissionais ou mesmo com a comunidade é grande. A energia será normalizada quando a região de acesso estiver em níveis seguros para os técnicos da companhia. Diante desse quadro, a AES Sul colocou-se à disposição da Corsan desde o início para auxiliar em uma solução alternativa”. Quanto ao descumprimento da decisão judicial, “a AES Sul informa que está apresentando todos os argumentos técnicos às autoridades, mostrando a falta de segurança para realização do serviço”.

GERADOR FUNCIONANDO – Até as 20h deste sábado, o gerador que abastece a Estação de Tratamento seguia funcionando normalmente, depois de uma pane pela manhã, com o rompimento de correias. Com isso, o abastecimento de água foi, mais uma vez, interrompido na cidade. Só voltou a normalizar no início da tarde. A previsão é de que ainda durante a noite a água chegaria a todos os bairros.

KIPPER ENTRA COM LIMINAR – Também prejudicada pela AES Sul, a Cerâmica Kipper, desde o dia 31 sem energia elétrica, conforme informou seu diretor, Antônio Kipper, entrou com pedido em caráter liminar para que a companhia restabeleça a ligação de um conjunto de chaves, logo após o Posto Loló. O equipamento, segundo Kipper, teria sido desarmado manualmente, já que ele encontrou um aviso de que havia gente trabalhando na área. De acordo com Kipper, por volta das 8h deste sábado, a AES Sul sequer tinha conhecimento sobre o problema em um segundo poste. “É um desrespeito dessa gente”, comenta Kipper.

 Luis Aquino / Especial Jornal Ocorreio /Grupo fandango

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