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Miriam Leitão: Período seco vai começar com reservatórios com pouca água

No fim deste mês termina o período chuvoso, mas os reservatórios continuam com nível baixo, comparável com o da crise de 2001. Quando entrevistei o especialista Mário Veiga, da PSR Consultoria, ele mostrou que até o fim do ano o nível dos reservatórios poderia estar em 10% se nada fosse feito. O ONS, por sua vez, tem uma visão um pouco mais otimista: acha que pode ficar em 15%. De qualquer forma, é muito pouco. Só em novembro começa outro período chuvoso. Seria razoável falar em redução do consumo, mas o governo não gosta da palavra racionamento. Mas deveria ser feito algo já em 2014.

Quanto mais essa decisão for adiada, mais cara ficará a energia no futuro, porque mais insumo será usado no preço atual, mais caro. Esse leilão de agora suprirá um pouco, mas não completamente, a necessidade das distribuidoras que não está coberta pelos contratos. Vale lembrar que a falta de contratos foi um erro do governo. Ao fazer o leilão entre geradores e distribuidores, o preço estava errado, os geradores não ofereceram energia e o distribuidores ficaram sem completar totalmente a cota necessária para fornecer aos seus clientes. Essa é uma parte da confusão.

A outra tem a ver com a falta de chuvas. Choveu menos, o consumo estava alto, nenhuma medida foi tomada, e as termelétricas, mais caras, tiveram de ser usadas. E o governo não permitiu que o sistema de bandeira tarifária, previsto para entrar em vigor este ano, fosse usado. Fez isso por razões eleitorais. Esse sistema elevaria a conta quando houvesse maior uso de energia das térmicas.

A soma disso tudo levou o país à essa situação. Estamos com baixo nível nos reservatórios e agora começa o período seco. Mesmo que chova mais do que a média histórica, sabemos que será uma travessia difícil. O governo não quer tomar medidas de redução de consumo para não atrapalhar as eleições. Ficará, portanto, para depois. Temos que torcer para que o próximo período chuvoso, que começa em novembro, seja forte.

O país está numa situação difícil de suprimento de energia. O governo não quer dizer isso por razões eleitorais.

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