saneamento basico

O sumiço das cidades

Por: Alvaro Menezes, vice-presidente da ABES
Soa estranho dizer que as cidades brasileiras estão entrando em colapso quando o lulo-petismo, uma fonte de inspiração para a novela “Pedacinho de céu”, alardeia a todos e todas que nunca antes na história do Brasil houve tanto desenvolvimento, melhoria de qualidade de vida e ascensão de classes sociais. Há de fato um colapso instalado nas capitais, notadamente nas regiões metropolitanas e nas cidades com mais de 100 mil habitantes para surpresa dos políticos e planejadores crônicos. Não é possível deixar de sentir e ver que os municípios não podem mais ser administrados apenas com seu projetos, planos e distritalização de ações com base no que os vereadores estabelecem como prioridades, da mesma forma os Estados precisam associar seus planos e projetos ao que acontece e vai acontecer nas cidades. O Governo Federal, aliado aos Senadores e Deputados Federais, se numa grande e pesada máquina de geração de programas, cuja finalidade transformou não é reduzir os déficits de infraestrutura, sendo muito mais uma ação de propagação descontrolada e sem lógica de obras em todos os cantos do Brasil e de liberação de dinheiro público. O que mede o resultados não é a conclusão do projeto nem tampouco a sua qualidade ou eficiência no gasto das verbas, menos ainda a influência no desenvolvimento social, econômico e ambiental de regiões. O que importa é ter um mapa do Brasil com alfinetes coloridos espetados de Norte a Sul, de Leste a Oeste identificando onde há uma placa de obra. Se nunca houve de fato tanto dinheiro à disposição dos Estados, municípios e seus órgãos de administração e prestação de serviços, por quê ocorre o colapso? Ou pior, por quê as cidades sofrem agora com graves problemas de falta de energia elétrica, de água, de sistemas de esgoto, de sistemas de coleta e tratamento de lixo, de drenagem urbana, de avenidas e ruas novas – a moderna mobilidade- além de completo descontrole entre a política habitacional e as condições de atendimento ao caótico Minha Casa, Minha Vida? Porque a gestão pública também é afetada por um sem número de controles, revisões e manuais que só atrasam ou impedem a execução de soluções. O modelo ainda é – e o Lulo-petismo é exemplo acabado desta prática – baseado na gestão para o curto prazo, incapaz de superar a imobilidade decorrente do corporativismo das ditas organizações públicas. O ócio – destrutivo dos planejadores e técnicos das soluções perfeitas, prefere passar meses e anos planejando ou impedindo soluções simplesmente pelo receio de mudar estratégias, estatutos, normas ou regulamentos que muitas vezes levam para a sociedade as respostas no gerúndio: planejando, estudando, capacitando, chegando, trabalhando, conhecendo, diagnosticando e até fazendo. Não há como esconder, o colapso chegou. Também não há como esconder que soluções desafiadoras como PPP – Parcerias Público Privadas, gestão consorciada com empresas privadas, execução de obras por locação de ativos, podem acelerar a implementação de soluções para ter um prazo real para o fim dos problemas urbanos. A infraestrutura das cidades não precisa só ser ampliada, muito antes precisa de recuperação, manutenção e gestão eficaz, coisas que só acontecerão se as três esferas de governo e poder, se integrarem em um claro e urgente processo de nascimento de um novo modo de gerenciar as cidades, com a observação de que a gestação deste novo modelo não pode levar nove meses.

Fonte: Assessoria de Imprensa

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