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Depois do Cantareira, seca em São Paulo afeta reservatório Alto Tietê

Depois de quase secar o Cantareira, maior reservatório de água da Grande São Paulo, a estiagem vivida em todo o Estado desde o fim do ano passado traz consequências duras para o segundo maior reservatório da região, o sistema Alto Tietê, que abastece 4,5 milhões de pessoas na capital paulista e em outros 9 municípios da região metropolitana. Até ontem, a capacidade do Alto Tietê marcava 23,4%, mais de 20 pontos percentuais a menos que os 46,3% registrados no início deste ano.

Especialistas em saneamento e recursos hídricos e gestores públicos de cidades beneficiadas pelo Alto Tietê demonstram preocupação com a acelerada perda de volume do reservatório. A Sabesp, por sua vez, informou que o sistema “opera dentro das expectativas da companhia” e que faz estudos para, a exemplo do que ocorreu com o Cantareira, utilizar a reserva técnica do Alto Tietê, também conhecida por volume morto. Reservatórios menos afetados pela seca, diz a empresa, também podem minimizar o problema do Alto Tietê.

Nas contas do engenheiro José Roberto Kachel dos Santos, que trabalhou por 34 anos na Sabesp e atualmente é professor da Universidade Mogi das Cruzes (UMC), se a estiagem persistir nos próximos meses, o reservatório Alto Tietê está fadado a secar em 118 dias.

“A Sabesp afirma que o bônus na conta está ajudando a reduzir o consumo, mas o reservatório mantém as perdas aceleradas. A solução é chover, mas o subsolo já está comprometido, mais seco que o normal. Seria necessário chover no mínimo três vezes e meia a quatro vezes mais que a média pluviométrica histórica para a vazão média afluente [entrada de água] voltar ao sistema. Antes de aparecer nos rios e nas represas, a água tem que encharcar o subsolo”, diz Santos.

Edemir Pereira Vital, secretário municipal de Meio Ambiente de Suzano, cidade de 280 mil habitantes atendida pelo Alto Tietê, diz que monitora o abastecimento da cidade diariamente com a Sabesp. “A situação é preocupante. A prefeitura de Suzano está acompanhando de perto a situação e colaborando com campanhas permanentes para redução do consumo”, conta Vital.

Mogi das Cruzes compra do Alto Tietê 35% da água necessária para seu abastecimento – os 65% restantes são captados diretamente do rio Tietê pela autarquia municipal de saneamento – e também aposta em campanhas de conscientização para estimular a população, de 415 mil habitantes, a reduzir o consumo e em práticas para minimizar o desperdício do sistema de abastecimento.

“O nível histórico [do rio Tietê] dos últimos dez anos está dentro da média. Fazemos acompanhamento diário junto com a Sabesp, às vezes duas vezes por dia. Nos preocupamos com a situação do Alto Tietê, pois 35% da nossa população depende dele, mas até agora o fornecimento pela Sabesp está normal”, informa Dirceu Lorena de Meira, diretor-adjunto do Serviço Municipal de Águas e Esgotos de Mogi das Cruzes (Semae). “Entre janeiro e abril, houve uma redução média de 10% no consumo de água na cidade, o que demonstra a participação da população na campanha de conscientização. Também implantamos uma central de controle operacional para monitorar toda a rede de água e esgoto na cidade para evitar desperdícios e corrigir vazamentos com mais agilidade”, acrescenta Meira.

Em nota, a Sabesp esclareceu que faz monitoramento diário do Alto Tietê e que desde abril a ampliação do bônus da conta de água passou a beneficiar os municípios atendidos pelo reservatório. Segundo a empresa, a água excedente de sistemas menos afetados pela seca (Rio Grande e Rio Claro) será encaminhada à região do Alto Tietê. “É importante destacar que em outubro tem início o período de chuvas, o que deve ajudar a normalizar os níveis dos mananciais.”

Fonte: IDEC

Veja mais: http://www.idec.org.br/em-acao/noticia-consumidor/depois-do-cantareira-seca-em-so-paulo-afeta-reservatorio-alto-tiete

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