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Vereadores querem Cesan fora de Vila Velha por falhas nos serviços

Responsável pela captação, tratamento e distribuição de água, e coleta e tratamento de esgotos em quase todos os municípios do Espírito Santo, a Cesan (Companhia Espírito Santense de Saneamento), vem sendo alvo de críticas em Vila Velha. E não são apenas os moradores, que reclamam e mostram como estão sendo atendidos. Os vereadores da cidade estão questionando o valor cobrado à população diante da qualidade dos serviços.

Tem vereador propondo um Decreto Legislativo para impedir a Companhia de atuar em Vila Velha.

O principal problema recai sob o Projeto Águas Limpas, que tem por objetivo levar abastecimento de água tratada a 100% da população, bem como instalar esgotamento sanitário em 60% de toda a área de concessão da empresa. Para a população, um projeto bem apresentado, mas que na prática está afetando a infraestrutura da cidade. Ruas estão esburacadas, asfaltos quebrados, vias desniveladas e alagamentos se tornando mais frequentes. Se em bairros nobres e em regiões mais centrais de Vila Velha, a situação é crítica, na chamada Região 5, a Grande Terra Vermelha, o problema é maior. Lá moradores recebem água barrenta na torneira de casa. Vereadores de Vila Velha acusam a Cesan de não concluir os trabalhos corretamente – recaindo responsabilidade para a Prefeitura -, e de cobrar uma abusiva taxa de 80% nas contas, além de não expandir o projeto por toda a cidade. Os edis Arnaldinho Borgo (SDD) e Duda da Barra (PP) não poupam críticas. “Há mais de décadas a Cesan vem causando transtornos para a população de Vila Velha. Ela faz uma ‘meia boca’ no serviço”, disse Borgo, que reclama que os serviços não são completos, levando a responsabilidade à prefeitura. “A Cesan vem no município, causa o transtorno, e quem tem que arcar ainda é a prefeitura”.

Arnaldinho diz que falta transparência à Companhia: “Eles não respondem meus pedidos de informação. Já demoraram quatro meses. Estou pagando para ver se a Cesan vai vir à Câmara prestar esclarecimentos”. O vereador pediu uma cópia do edital mostrando que a empresa foi ganhadora da licitação e uma cópia do contrato. Até agora não foi respondido. Já Duda da Barra (PP) ressalta que o investimento foi milionário, mas a população não tem visto benefício, mas ao contrário – muitos prejuízos. “O Projeto Águas Limpas é o grande problema. Ele custou R$ 42 milhões. Lá na Região 5, a obra está paralisada. Diz a Cesan que é por problemas na empreiteira”, conta, revoltado. Ele lembra que na Grande Terra Vermelha e nos bairros Cidade da Barra, Riviera da Barra e 23 de Maio há moradores que ainda usam fossas, o que aumenta o número de doenças em épocas de chuva. “Parece que eles lavam roupa no barro, de tão suja que a água sai”, conta Duda. Nas ruas de Vila Velha ninguém esconde insatisfação com a situação deixada pela empresa. Ruas estão desniveladas, asfaltados quebrados, além de buracos abertos espalhados por toda a cidade.

Na região central do município, a lista de locais com problemas é extensa: Perimetral de Coqueiral de Itaparica, Praia de Itaparica, Praia das Castanheiras e Nova Itaparica. Na região 5 de Vila Velha, locais como Riviera da Barra, Interlagos I e II e Itanhagá também estão abandonados pela falta de serviço ou a sua conclusão. Rosilda da Silva, moradora de Ilha dos Bentos, não suporta mais fazer ligações para o atendimento ao consumidor da Cesan, solicitando a ida à Rua das Carambolas. “Eles cavaram a rua e depois houve a suspeita de vazamento. Eu liguei várias vezes para eles e nada de virem olhar. Isso quando não fazem o trabalho e deixam o entulho para a gente limpar”, conta. Outro problema corriqueiro são os alagamentos. Não muito longe dali o problema se repete. No bairro Praia das Gaivotas, Marilene de Jesus, da Rua Orminda Machado Duarte, reclama: uma parte está em terra batida, outra com pedras colocadas pela metade e outra (bem pequena) asfaltada. “A rua está toda desnivelada. Quando entregaram a rua, ela estava perfeita. Porém, toda vez que mexem eles deixam assim. Não tem uma fiscalização para saber se no fim do serviço a rua foi deixada do jeito que era”, desabafa.

“Ele não tinha conhecimento do problema. Não sabia que era dessa proporção”. A afirmação é do vereador Ricardo Chiabai (PPS) e se refere ao presidente da Cesan, Paulo Ruy Carnelli. Segundo o edil, o presidente se reuniu com ele outros vereadores e representantes da prefeitura de Vila Velha na última semana e reconheceu que “o problema não é só de Vila Velha” e que “que a Prefeitura continue autuando junto com a Cesan”.

Para Ricardo Chiabai tem que ter um engenheiro da Prefeitura e um engenheiro da Cesan fiscalizando tudo juntos. Procurada, a Companhia não se manifestou até o fechamento da edição.

Faça a conta
A taxa cobrada pela Cesan é de 80%. Se um morador gasta R$ 100,00, sua conta de água será acrescida, automaticamente, de uma taxa da Companhia, passando o valor para R$ 180. A justificativa está no tratamento de esgoto.

NÚMERO
50% da cidade de Vila Velha é atendida pela Cesan

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