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Investimento em saneamento básico é essencial à saúde

Em acordo com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a prefeitura de Porto Alegre poderá contar com R$ 2,7 bilhões em Parceria Público-Privada na área do saneamento.

Atualmente, somente 56,3% do esgoto de Porto Alegre é tratado. Os 43,7% restantes são despejados in natura em diversos locais, no Guaíba, no Dilúvio ou ficam mesmo a céu aberto, infectando principalmente crianças em áreas mais pobres, o que é profundamente lamentável, por todos os motivos.

O fato é que saneamento foi assunto desleixado por anos. A canalização do Arroio Dilúvio, como é conhecido, popularmente, até hoje o riacho Ipiranga, foi promovida pelo então prefeito José Loureiro da Silva, nos seu primeiro governo, entre 1937 e 1943. Antes disso, o Dilúvio descia, chegando ao que seria agora a chamada Praia de Belas e os quartéis da Brigada Militar, perto da hoje reurbanizada e muito bonita Ponte de Pedra, iniciativa do futuro Duque de Caxias quando interventor na Província, após a Guerra dos Farrapos. Recém o Dilúvio recebeu uma rede de proteção para segurar os milhares de detritos, jogados pela população do seu entorno, que correm por ele na direção do Guaíba.

O trabalho de despoluição do Guaíba e do Dilúvio não cabe apenas à prefeitura de Porto Alegre. Desde outubro de 2015 que a cidade viu que chuvas fortes não trazem apenas alagamentos, mas mostram uma dificuldade grande para o funcionamento da rede pluvial que deveria esgotar as águas.

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Doenças

Saneamento básico é fundamental para preservar a população em vários tipos de doenças, revertendo em economia adiante, no Sistema Único de Saúde (SUS), com menos atendimentos causados justamente pelo contato com todo tipo de detritos, como hoje acontece.

Além da meritória iniciativa da prefeitura com o apoio do BNDES, é fundamental que a população ajude, não jogando lixo, seja descartável e, muito mais, o orgânico nas sarjetas, riachos e, menos ainda, no Dilúvio, de onde toneladas de material já foram retiradas após a colocação de rede de proteção.

Talvez a pouca atenção ao saneamento básico tenha uma boa explicação dada também por José Loureiro da Silva, que alertava que fazer obras de saneamento em Porto Alegre era um problema, pois custavam muito, causavam transtornos em ruas e avenidas, os canos ficavam enterrados e não dava para inaugurar. Além disso, ainda segundo Loureiro, depois de concretizada a canalização, ninguém mais se lembrava do que tinha sido feito e dos problemas anteriores.

Fonte: Jornal do Comércio.

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