saneamento basico

Caesb vai reduzir em 10% as perdas de água no DF

Medida beneficiará milhares de moradores de Taguatinga, São Sebastião e Ceilândia e deve, futuramente, minimizar reajustes das tarifas

A Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) realiza em Taguatinga, São Sebastião e Ceilândia uma série de obras de setorização do sistema de distribuição de água tratada. A medida é mais um investimento do órgão no combate ao prejuízo causado pelas perdas da água distribuída no Distrito Federal e deve refletir em pelo menos 10% na economia do que atualmente é perdido nessas regiões.

Leia também: Sabesp investe R$ 13,7 milhões no combate a perdas de água em São Sebastião/SP

O projeto de setorização prevê a instalação de novos trechos de rede de água, macromedidores e válvulas redutoras de pressão. Esses equipamentos permitirão o controle a distância da operação do sistema, adequando a pressão na rede e identificando online possíveis vazamentos. Essa operação automatizada permitirá a minimização de perdas na rede de água.

A expectativa de recuperação é de aproximadamente R$ 800 mil por ano em Taguatinga, R$ 2,5 milhões anuais em Ceilândia e R$ 1,1 milhão em São Sebastião – valores que a empresa espera superar implementando ações de redução das ligações clandestinas e realizando pesquisas de vazamentos nas áreas mais críticas apontadas pela setorização.

A estratégia é dividir a malha da rede de distribuição em pequenas áreas – criando os Distritos de Medição e Controle. Estas obras de setorização de rede também serão executadas em Ceilândia e São Sebastião. Com isso, o monitoramento e controle de cada trecho da rede poderá ser feito individualmente.

Estudo

Para promover a setorização, a Caesb contratou um estudo do sistema de distribuição em Taguatinga, Samambaia e Ceilândia. E também avaliar o impacto que a redução da pressão da água na rede dessas regiões teria na economia da empresa.

De acordo com o gerente de Gestão de Perdas da Caesb, Ulisses Pereira, quanto menos pressão, menos água circula pelos encanamentos – e, automaticamente, menos é perdido. “Há vazamentos que ocorrem e são visíveis, como um cano que estoura na rua. Outros acontecem na superfície, e não são facilmente identificados. A setorização do sistema nos permitirá localizá-los”, explica ele.

Há dois tipos de perdas identificadas pela companhia: as aparentes e as reais. As primeiras são as também chamadas comerciais, que é quando a empresa fornece, porém não fatura por esse fornecimento. Isso ocorre quando hidrômetros muito antigos deixam de registrar o consumo real de um cliente, por exemplo, ou quando ligações clandestinas fraudam o fornecimento – ocorrências mais frequentes em áreas de expansão desordenada. Já as perdas reais são os vazamentos como o rompimento de uma rede e a água acaba sendo “desperdiçada” até que o problema seja identificado e resolvido.

Monitoramento

Uma segunda parcela de recuperação das perdas é o monitoramento das vazões mínimas noturnas, que permitirá à Caesb atuar nas áreas com mais vazamentos não visíveis.

No início do mês de junho, o Instituto Trata Brasil divulgou pesquisa apontando em aproximadamente 34% as perdas na água tratada e distribuída no Distrito Federal. Isso significa que, de cada 100 litros do que é captado nos rios e córregos, cerca de 34 são perdidos ou não medidos pela Caesb – seja por furtos nas redes de água, ligações clandestinas, erros na medição do cliente (submedição dos hidrômetros) e vazamentos na rede de distribuição e em reservatórios. “Atualmente, por dificuldade de verificação, muitas perdas só são identificadas quando se tornam aparentes, o que poderemos evitar daqui pra frente”, explica o assessor da Diretoria de Engenharia da Caesb Antônio Luís Harada.

Custos

Em Taguatinga, as obras já começaram. O sistema será implantado em parte da cidade, beneficiando 160 mil pessoas. O investimento será de R$ 16.606.220,64, com recursos provenientes do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A previsão de conclusão das obras é no primeiro semestre de 2020. As três regiões administrativas foram selecionadas em função dos índices e dos volumes de água perdida ao longo dos últimos anos, gerados por expansões urbanas aceleradas e pelas ocupações irregulares.

Outro componente da obra é o trabalho de substituição de rede que abastece diretamente as residências. Essa rede está localizada na área frontal das casas, na calçada ou rua, onde se conectam os ramais que abastecem cada residência. A substituição de rede envolverá 8.635 habitações das localidades que representam maior incidência de vazamento: quadras QNH, QI, QNF, QNG 34-46, QND, QNE e QNG 1-33. Nessas áreas, as obras terão uma maior interface com os moradores.

A obra contempla 12 setores de medição e controle, além da construção de 19,3 quilômetros de redes de distribuição de água para setorização, variando entre os diâmetros de 60 mm e 500 mm. Também prevê a substituição de 78,4 quilômetros de rede.

https://www.youtube.com/watch?v=4JvFTHT1p-c#action=share

Fonte: Agência Brasília.

Últimas Notícias:
Gestão de ativos no saneamento Como sair do controle reativo para uma operação previsível EOS Systems

Gestão de ativos no saneamento: Como sair do controle reativo para uma operação previsível | EOS Systems

Sair do modo “apagar incêndios” para uma operação previsível é o divisor de águas entre empresas que sobrevivem e aquelas que se tornam referências de eficiência. No setor de saneamento, a gestão de ativos é a chave para transformar a infraestrutura invisível (tubulações enterradas) em dados estratégicos, fornecendo informações que guiarão decisões de alto impacto.

Leia mais »
Se toca! O lixo é nosso!

Se toca! O lixo é nosso!

Vivemos em uma sociedade marcada pelo consumo crescente. Nas últimas décadas, a expansão da produção industrial, da urbanização e do consumo de bens ampliou significativamente a geração de resíduos sólidos em todo o mundo.

Leia mais »
ESTUDO DE CASO BATIMETRIA E RECUPERAÇÃO DA CAPACIDADE OPERACIONAL EM ESTAÇÕES DE TRATAMENTO DE ESGOTO SBV Engenharia Ambiental (3)

Estudo de Caso: Batimetria e recuperação da capacidade operacional em estações de tratamento de esgoto | SBV Engenharia Ambiental

A operação de Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) está diretamente condicionada à manutenção de sua capacidade hidráulica efetiva que, ao longo do tempo, progressivamente é comprometida pelo acúmulo de lodo nas unidades de tratamento. Tal fenômeno representa uma das principais causas de perda de eficiência, especialmente em sistemas baseados em lagoas de estabilização e reatores biológicos de grande volume.

Leia mais »