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Pesquisa do Amazonas transforma cará em plástico biodegradável

O material plástico é um dos grandes poluidores do meio ambiente, pois demora dezenas de anos para se decompor.

Alternativas para substituir produtos que causam poluição tem sido um desafio para pesquisadores em todo o mundo. No Amazonas, a engenheira agrônoma Ana Cecília Nina Lobato criou uma espécie de plástico para acondicionar alimentos com matéria prima de um tubérculo abundante e nativo na região, o cará (Dioscorea Trifida).

A cientista apostou no biofilme produzido a partir da cará para que seja alternativo ao plástico derivado de petróleo, que leva meses para se decompor. O plástico pode ser consumido junto ao alimento embalado, já que não causa danos à saúde humana e, se descartado, não causa danos aos animais. O produto criado no Amazonas tem potencial para chegar aos supermercados.

Adaptável aos diferentes climas no Brasil e do clima equatorial, o cará é característico do Norte. A planta é resistente à seca e exige pouca adubação.

Elaboração de produtos biodegradáveis 

“A ideia surgiu no mestrado, com a professora Francisca que ministrava um conteúdo sobre elaboração de produtos biodegradáveis, embora eu já trabalhasse com o cará desde a graduação, com estudos sobre produção e substituição parcial da fécula do cará pelos subprodutos do trigo como pão, bolo e biscoitos. No período, conseguimos produzir materiais e fizemos algumas análises dos produtos como salubridade, umidade e análise de cor”, explicou.

O projeto da pesquisadora amazonense foi realizado em colaboração entre a UFAM (Universidade Federal do Amazonas) e o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) em 2015. Em conjunto, participaram do projeto os pesquisadores Carlos Victor Lamarão Pereira, Albejamere Pereira de Castro e Francisca das Chagas do Amaral Souza.

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Valorização monetária 

Um dos orientadores, Carlos Victor Lamarão, destacou que o plástico criado com o cará é um produto que acrescenta valor às pesquisas realizadas no Amazonas.

“O nosso produto agrega valor à Amazônia. O cará, apesar de ter vários , ainda conta com a possibilidade de agregar biotecnologia. Essa matéria prima regional vem com esse valor agregado. O desenvolvimento dessas tecnologias vai permitir que o Estado do Amazonas tenha a pesquisa em alto patamar, como muitas realizadas em outros países”, relatou orgulhoso do projeto.

Processo

De acordo com os pesquisadores, o projeto foi elaborado em três etapas. A primeira na UFAM, no processo da extração da fécula do cará. A segunda  no INPA, fase em que professora Francisca sugeriu que se de elaborasse filmes biodegradáveis a partir do cará. A terceira etapa consistiu no aprimoramento do produto.

Para a criação do biofilme, faz-se a extração da fécula. No processo, os carás são lavados, descascados, cortados, triturados e filtrados. Depois, são submetidos a fermentação de 14 e 21 dias para o material ser filtrado e decantado por 48 horas.

A fécula é misturada com água, amido e glicerol- um agente plastificante. Os materiais desenvolvidos pelos estudantes ficaram em dois formatos, um mais espesso e outro em gel. Os plásticos decompõem-se em componentes mais simples com a ação de micro-organismos, ao entrarem em contato com o solo,  umidade, ar e luz solar.

O futuro

Atualmente, o objetivo de Ana Cecília Lobato e dos demais pesquisadores é deixar o filme mais fino. O aprimoramento do produto faz parte do novo processo.

“Continuamos com o aprimoramento das embalagens, reduzindo a espessura para que sejam utilizadas para emergir o alimento no gel que forma a embalagem e posteriormente agir como uma cera, afim de manter o alimento. Essa fase consiste na incorporação de um aditivo natural ao cará para que ele possa indicar se o alimento está impróprio para o consumo. O material pode ser utilizado também para a produção de material descartável como garfos, colheres, pratos e fraldas descartáveis”, destacou Ana Cecília.

Pesquisa pioneira 

Carlos Lamarão enfatiza que a pesquisa regional com esse tipo de material é pioneira.

“Todos ganham com o plástico biodegradável, a natureza, principalmente e o trabalho de pesquisa do Amazonas. A tecnologia em si não é nova, mas essa aplicação com o cará é pioneira por ser algo nosso e regional. Pode ser considerado  um novo plástico, com viés ecológico e biodegradável”, finalizou.

Plásticos biodegradáveis estão com um longo futuro pela frente. Há muitas pesquisas no sentido de descobrir outros tipos de matérias primas  para a substituição do plástico que conhecemos e muitas soluções estão na origem vegetal. Assim como o cará usado na pesquisa do Amazonas, há também estudos com a cana-de-açúcar, mandioca, milho e batata.

Alternativas de uso consciente do material 

Há várias alternativas para o uso consciente do plástico no mundo, mas é preciso que empresas invistam nesse tipo de alternativa e que os consumidores deem preferência por estes produtos na hora da compra.

Ana Cecília conta que nenhuma empresa procurou o grupo de pesquisadores para investir no plástico verde.

“Ainda não fomos procurados, mas com certeza as empresas logo vão nos procurar, quando perceberem o diferencial ecológico desse produto”, finalizou.

Fonte: Em Tempo.

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