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Sabesp afirma que bônus e conscientização podem impactar negócios

A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) afirmou que a conscientização da população sobre o uso racional da água pode afetar os negócios da empresa no futuro. A afirmação foi feita no relatório de sustentabilidade anual apresentado a acionistas nesta segunda-feira (30).

O documento faz um balanço financeiro da empresa, além de listar ações feitas no ano passado e projeções para 2015.

“Cabe lembrar que com o aumento da conscientização dos usuários sobre a necessidade de economizar água e a implantação do programa de bônus o volume de água per capita consumido diminuiu. (…) Um menor consumo per capita pode afetar negativamente nossos negócios e resultado das operações no futuro”, afirma a empresa no documento. A Sabesp diz ainda que não garante que o consumo de clientes retorne aos níveis anteriores à crise.

Desde 2002, a Sabesp tem com capital aberto com ações negociadas nas bolsas de valores de São Paulo e de Nova York. O governo de São Paulo é acionista majoritário da companhia.

Lucro pela metade e rodízio

O documento aponta a crise hídrica como o principal motivo para a queda de 53% no lucro da companhia no ano passado. A edição anterior, sobre 2013, já alertava sobre o risco de prejuízos no ano passado caso a seca se prolongasse e afirmava que não era possível, na época, estimar com precisão o impacto do programa de bônus e da estiagem nas receitas e resultados da companhia.

Além da redução do consumo da população e a implantação de bônus, a empresa afirma que foi “obrigada” a fazer uma série de investimentos para continuar fornecendo água à população, “o que resultou em aumento de custos e revisão do plano de investimentos”.

A projeção para 2015 também não é positiva para a população. O relatório aponta que, caso a seca persista, a Sabesp poderá ser obrigada a tomar medidas mais drásticas, incluindo a implantação do rodízio. A Sabesp informa ainda que não pode assegurar que terá condições de atender toda a população de sua área de atuação caso a estiagem continue.

Queda na produção de água

A Sabesp afirma aos acionistas que colocou em prática ações emergenciais aos primeiros sinais da estiagem, no início de 2014. As medidas resultaram em queda de 30% da retirada de água dos mananciais da Grande São Paulo – de 71 m³/s em janeiro de 2014 para 50 m³/s em fevereiro deste ano.

O Cantareira, sistema mais gravemente impactado, teve queda de 56% na produção de água. Com capacidade para abastecer 8,8 milhões de pessoas, os reservatórios atendem hoje 5,6 milhões de pessoas na região metropolitana.

Dos 31 m³/s que a Sabesp estava autorizada para retirar das represas do Cantareira até março de 2014, índice de captação caiu para 10,40 m³/s em fevereiro deste ano.

A redução na produção foi de 56%, volume suficiente para abastecer aproximadamente 7,1 milhões de pessoas durante o mês. A redução da pressão foi responsável por 46% dessa economia, a transferência de mananciais respondeu por 30,5%, o bônus ajudou em redução de 19,8% e a transferência de menor volume de água para municípios atendidos no atacado foi responsável pela economia de 3,4% do total.

Se forem considerados todos os sistemas que atendem a Grande São Paulo, a economia no mesmo período chegou a 21,4 m³/s, volume capaz de atender 8,6 milhões de habitantes, uma população maior que a da cidade do Rio de Janeiro.
Fonte: G1

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