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Sem chuva, água do Alto Tietê só dura mais dois meses

Enquanto os governos federal e paulista discutem a exploração de mais água do volume morto do Sistema Cantareira, o segundo maior manancial que abastece a Grande São Paulo caminha para o esgotamento, operando a pleno vapor e sem ter uma “reserva estratégica” no fundo de suas barragens. O Sistema Alto Tietê atingiu na terça-feira (21) 8,5% da capacidade e, caso as chuvas não voltem com força, os reservatórios podem secar completamente em menos de dois meses, antes da água do Cantareira.

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Segundo a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), o Alto Tietê tem capacidade para 521 bilhões de litros, atrás apenas do Cantareira em volume máximo de armazenamento entre os seis sistemas que abastecem a Grande São Paulo. Isso significa que na terça-feira as cinco barragens que formam o manancial localizado entre as cidades de Salesópolis e Suzano somavam 44,3 bilhões de litros, quantidade que não chega à metade da segunda cota do volume morto do Cantareira, de 106 bilhões de litros. Há um ano, o nível do Alto Tietê era de 52,8%.

Embora tenha registrado um volume de chuvas abaixo da média em quase todos os meses deste ano — a exceção foi setembro —, a crise do Alto Tietê foi agravada pela exploração máxima da capacidade do manancial em pleno período de estiagem. Isso ocorreu porque, ao lado do Sistema Guarapiranga, o Alto Tietê tem sido utilizado pela Sabesp desde janeiro para socorrer bairros da capital antes atendidos pelo Cantareira.

Hoje, segundo a Sabesp, cerca de 1 milhão de pessoas que eram atendidas pelo Cantareira em bairros da zona leste da capital, como Aricanduva, Cangaíba, Penha, Sapopemba e Tatuapé, recebem água do Alto Tietê, cuja área de cobertura saltou para mais de quatro milhões de pessoas.

Esse “socorro” ao Cantareira só foi possível porque, em fevereiro deste ano, o Daee (Departamento de Águas e Energia Elétrica de São Paulo), órgão regulador dos mananciais paulistas, autorizou, em plena crise, o aumento de 10 mil para 15 mil litros por segundo a vazão máxima para produção de água na estação de tratamento Taiaçupeba, em Suzano.

Vista da represa de Biritiba-Mirim, em Mogi das Cruzes, na Grande SP, que faz parte do sistema Alto Tietê, na terça-feiraDaniel Teixeira/21.10.2014/Estadão Conteúdo

Depois disso, a Sabesp tem operado o manancial próximo da capacidade máxima, enquanto o nível dos reservatórios vem caindo diariamente.

O MPE (Ministério Público Estadual) investiga se a crise no Alto Tietê está relacionada a uma suposta superexploração dos reservatórios do manancial. Em junho, o Estado revelou que o nível de armazenamento das represas do Alto Tietê caiu em uma velocidade maior que a do Cantareira.

À época, a Sabesp negou que houvesse crise no manancial. Em julho, contudo, a empresa divulgou que havia feito estudos para captar água do volume morto do Alto Tietê. “Caso seja necessário, o levantamento mostra que a partir de agosto a companhia poderá acessar 10 bilhões de litros da represa Biritiba-Mirim. E a partir de novembro poderão ser captados 15 bilhões de litros da Represa Jundiaí”, informou a Sabesp.

Negativa

No mês passado, contudo, o secretário estadual de Saneamento e Recursos Hídricos, Mauro Arce, negou que houvesse água abaixo do nível das comportas nas represas do Alto Tietê, como ocorre no Cantareira.

— Não tem volume morto lá para ser utilizado. […] O que nós fizemos foi alargar a passagem de um reservatório para o outro. Mas isso está pronto, não tem mais nada além disso.

A obra descrita pelo secretário foi o rompimento de um dique para alargar a passagem de água entre as represas Biritiba-Mirim e Jundiaí, em Mogi das Cruzes, para que um volume maior de água chegue à Represa Taiaçupeba, em Suzano, onde fica a estação de tratamento de água da Sabesp. Além disso, a companhia também contratou uma empresa para provocar chuva artificial sobre as represas da região, com o bombardeio de nuvens. A prática também ocorre no Cantareira.

Fonte: R7

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