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Agências de classificação: rigorosas apenas quando convém. Será?

O rebaixamento da Petrobras feito pela agência de classificação Moody´s, em meio à crise decorrente da operação Lava Jato, levantou uma questão: até que ponto essas avaliações são isentas, precisas, e não sofrem influências políticas e econômicas? Depois que a nota de risco da dívida foi rebaixada de Baa3 para Ba2, a empresa passou a ter grau especulativo.

Em entrevista no dia seguinte ao rebaixamento, a presidenta Dilma Rousseff, discordou da avaliação. “É uma falta de conhecimento do que está acontecendo na Petrobras. Não tenho dúvida que ela vai ser uma empresa com grande capacidade de se recuperar disso, sem grandes consequências”, afirmou Dilma. De fato, a Moody´s não parece levar em consideração o imenso potencial da maior empresa da América Latina. A Petrobras ultrapassou no terceiro trimestre de 2014, a Exxon norte-americana como a maior produtora de petróleo do mundo, entre as maiores companhias petrolíferas mundiais de capital aberto. Também em 2014, houve um crescimento de 23% das reservas provadas do Pré-Sal no Brasil em relação a 2013. O Pré-Sal passou a responder por mais de 30% das reservas provadas da Petrobras em apenas seis anos após o início da produção do primeiro barril do Pré-Sal, na Bacia de Campos, em 2008.

É bom lembrar que, nesse mesmo ano de 2008, quando o mundo quebrou com a crise financeira internacional, as agências de classificação de risco não foram tão rigorosas com os grandes bancos mundiais. E não tão confiáveis: um dia antes do Lehman Brothers dar entrada no pedido de falência, as agências de classificação ainda lhe concediam notas altas, como A, A2 e A+.

Em dezembro de 2008, a Standard & Poor’s rebaixou as avaliações de 11 dos maiores e mais tradicionais bancos do mundo: os americanos Bank of America, Citibank, Goldman Sachs, JPMorgan, Morgan Stanley e Wells Fargo, os britânicos Barclays e RBS, os suíços Crédit Suisse e UBS e o alemão Deutsche Bank. Mas todos eles continuaram com notas na família “A”, ainda considerada ‘grau de investimento’ e baixo risco de crédito.

O Citibank havia sido resgatado em novembro de 2008 com o gigante pacote de estímulo do governo norte-americano, que ficou conhecido como quantitative easing (abrandamento quantitativo). No país do capitalismo, onde a injeção de dinheiro público em empresas privadas é frequentemente condenada, prevaleceu a teoria do “too big to fail” (grande demais para quebrar). Segundo ela, certas corporações, especialmente instituições financeiras, são tão grandes e interligadas que a falência delas representaria um desastre para todo o sistema econômico. Já em 2009, o Citigroup era um dos “Big Four”, os quatro maiores bancos dos Estados Unidos, ao lado do Bank of America, JP Morgan Chase e o Wells Fargo. Em junho de 2012, o Citigroup tinha uma enorme reserva de US$ 420 bilhões em dinheiro líquido excedente e títulos de dívida pública.

Voltando à Petrobras, a crise pode provocar um efeito-cascata sobre outras empresas e toda a economia brasileira, devido à sua enorme importância estratégica. A maior empresa do país deverá encontrar dificuldades para financiar seus projetos.

A operação Lava Jato e o colapso dos preços do petróleo aparecem em todas as manchetes. É claro que o momento é difícil. Mas o imenso trabalho de décadas que fez da Petrobras uma das empresas mais respeitadas no mundo e orgulho do povo brasileiro não pode ir por água abaixo da noite para o dia. Numa das maiores crises financeiras da história, as agências reguladoras não foram nem um pouco rigorosas com os bancos dos países ricos. Agora o são com a Petrobras. Resta saber por que.

 

Fonte: Jornal do Brasil

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