saneamento basico

Apesar do lucro, Sabesp reduz investimentos em 95%

Recursos despencam de R$ 103 mi em 2012 para R$ 5,3 mi em 2016

A Sabesp, Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo, anunciou recentemente lucro recorde de R$ 2,9 bilhões em 2016. O resultado chega depois da companhia enfrentar em 2014 o período de maior estiagem já registrada nos últimos 120 anos na Região Metropolitana de São Paulo. E foi nessa época que a corporação reduziu em 95% os investimentos financeiros na contratação de projetos e consultorias.

“Essa decisão da maior empresa de saneamento da América Latina tem possibilidade de comprometer fortemente as soluções para os seus sistemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário e na manutenção das empresas de consultoria do setor, fornecedoras importantes dentro do seu ciclo de negócio”, afirma Luiz Roberto Gravina Pladevall, presidente da Apecs ( Associação Paulista de Empresas de Consultoria e Serviços em Saneamento e Meio Ambiente – http://www.apecs.com.br/ ).

Levantamento realizado pela associação aponta que a velocidade da redução de investimentos nos trabalhos ofertados pela Sabesp chegou a 95% em valor no ano de 2016, se comparado com o período de 2012 e 2013. Os dados mostram que os recursos financeiros licitados pela companhia alcançaram cerca de R$ 103 milhões no ano de 2012, mantendo-se em R$ 105 milhões no ano de 2013. Em 2014, o valor licitado em projetos caiu para R$ 73 milhões e despencou para apenas R$ 12 milhões no ano de 2015, no ápice da maior crise hídrica enfrentada pelo Estado de São Paulo. Em 2016, a Sabesp licitou apenas R$ 5,3 milhões nessa rubrica.

Crise Hídrica

“Acreditamos que os resultados alcançados com o enfrentamento da crise precisam ser revistos para evitar dificuldades futuras”, aponta Pladevall. Ele ressalta, porém que o enfrentamento da crise hídrica pelo Governo do Estado, especialmente pela Sabesp, contou com a expertise indiscutível do corpo técnico formado por engenheiros dos seus quadros internos. “Porém é importante lembrar que as soluções emergenciais adotadas foram extraídas de um planejamento recém-concluído na época e elaborado por uma das empresas associadas da Apecs”, destaca o dirigente.

Para Pladevall, sem estes dois componentes, o impacto desta seca histórica poderia ser catastrófico para a população e para o país, tendo em vista que a Macrometrópole do Estado de São Paulo representa parcela significativa do PIB Nacional.

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O dirigente explica ainda que o principal legado da crise hídrica para o setor de Consultoria em Saneamento Ambiental não foi o impacto nas curvas pluviométricas, e sim a redução drástica na contratação de projetos e consultoria, provocando o encolhimento radical na ordem de 60% das equipes técnicas e impactando inclusive no fechamento de algumas empresas do setor. “Decisões como essa acarretam a perda de uma mão de obra altamente qualificada, construída ao longo de anos de muito trabalho, dedicação e investimento por parte dos empresários do setor”, ressalta Pladevall.

Sobre a Apecs

Fundada em 1989, a Apecs congrega atualmente cerca de 40 das mais representativas empresas de serviços e consultoria em Saneamento Básico e Meio Ambiente com atuação dentro e fora do país.
Essas companhias reúnem parte significativa do patrimônio tecnológico nacional do setor de Saneamento Básico e Meio Ambiente, fundamental

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