saneamento basico

Sabesp é condenada por fraude na terceirização de funcionários em SP

A Justiça do Trabalho condenou a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) por fraude e terceirização ilícita de mão de obra para funções consideradas essenciais da empresa em São Paulo. As contratações, segundo o Ministério Público do Trabalho (MPT), foram feitas de forma direta, sem concurso público. A Sabesp disse, em nota, que “adotará as medidas cabíveis” e já entrou com recurso contra a decisão.

O inquérito do MPT obtido pelo G1, e que gerou a ação civil pública, lista denúncias recebidas desde de 2010 sobre irregularidades na terceirização de funcionários da companhia para desempenharem atividades-fim, ou seja, serviços essenciais, como leitura de hidrômetros, apuração de consumo, emissão de contas, atendimento ao cliente e atividades administrativas.

A Procuradoria do Trabalho também encontrou terceirização na execução de ligações e prolongamentos em redes de água e esgoto, manutenção em redes, troca de hidrômetros, e outros serviços de reparos na infraestrutura de saneamento.

“O que chama atenção no caso da Sabesp o quantitativo de terceirizados e a abrangência da terceirização. Nós identificamos inclusive em funções da área administrativa, que são terceirizados. Então praticamente não tem mais funcionários diretos da Sabesp”, afirmou a procuradora do trabalho Elisiane dos Santos, autora da ação.

Segundo o MPT, fica claro que a terceirização ilegal interfere diretamente na crise hídrica ao “afetar a qualidade dos serviços prestados à população”. Relatos do Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente (Sintaema) e de técnico da Sabesp são listados na ação para exemplificar o risco de terceirizar serviços estratégicos.

Hoje, a Sabesp tem 15,2 mil empregados, segundo dados da própria companhia. O Ministério Público do Trabalho, no entanto, não tem o levantamento de quantos são terceirizados.

Antes de protocolar a ação civil pública, o MPT propôs à Sabesp a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), mas a companhia se recusou a assinar o documento por defender que a terceirização era correta, de acordo com a procuradora Elisiane dos Santos.

A juíza do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 2ª região Tallita Massucci Toledo Foresti determinou, na decisão de 30 de junho de 2015, que a Sabesp suspenda novas contratações de trabalhadores para prestação de serviço em suas atividades-fim, como leitura de hidrômetros e emissão de contas. A Sabesp já recorreu da decisão.

A Justiça também exigiu a abertura de concursos públicos para substituição gradual de, no mínimo, 25% dos empregadores irregularmente contratados por meio de terceirizadas. Como a Sabesp é uma empresa da administração indireta do estado de São Paulo, as contratações devem ser feitas por meio de concursos. O valor da multa por danos morais coletivos foi fixado em R$ 250 mil pela juíza do Trabalho.

Ao G1, a Sabesp informou, em nota, que “a companhia adotará as medidas cabíveis contra a referida decisão”.

Terceirização ilícita
Na decisão, a Justiça do Trabalho destacou que a terceirização é considerada legal desde que não esteja relacionada às atividades essenciais da empresa. Entre as exceções estão contratação para serviços eventuais, ou de vigilância, limpeza e conservação, ou ainda altamente especializados, chamadas de “atividades-meio”.

“Qualquer que seja a situação, além dessas hipóteses, o que se tem é terceirização com precarização da relação de trabalho, com o fim único de reduzir custos, burlar as leis laborais e suprimir direitos e garantias”, consta na decisão. De acordo com a denúncia do MPT, as terceirizadas investigadas prestam serviços de forma exclusiva à Sabesp.

Essas empresas também são alvo de ações judiciais na Justiça do Trabalho, mas de forma individual. Entre as irregularidades cometidas estão falta de pagamento de salários e verbas rescisórias aos trabalhadores.

“Quando os órgãos da administração pública começam a terceirizar suas atividades-fim, a qualidade dos seus serviços cai. Isso porque os trabalhadores não têm permanência, existe uma rotatividade muito grande e as terceirizadas descumprem as regras trabalhistas”, disse a procuradora Elisiane dos Santos.

Procuradora do Ministério Público (MPT) Elisiane Santos entrou com ação civil pública contra a Sabesp por fraude na contratação de mão de obra terceirizada (Foto: Isabela Leite/G1)

Riscos
Apesar de ação do MPT estar focada nas irregularidades em contratos de terceirização de mão de obra, a Procuradoria encontrou risco em diferentes em estações de tratamento de esgoto da Sabesp onde trabalhavam funcionários terceirizados. Riscos físicos, como ruídos de máquinas, além de riscos biológicos, químicos e de acidentes mecânicos foram encontrados.

Ainda segundo a ação, funcionários em situação precária estão mais expostos a acidentes por causa da jornada exaustiva. A Procuradoria cita um trecho do relatório de um fiscal de Osasco. “Em todas empresas terceirizadas, constatou-se a prática de jornadas exaustivas de trabalho, de até 20 horas diárias (…), e jornadas ininterruptas de até três semanas sem concessão de descanso”.

Fonte. http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2015/08/sabesp-e-condenada-por-fraude-na-terceirizacao-de-funcionarios-em-sp.html

Últimas Notícias:
Chamada pública da Gasmig amplia perspectivas para produção de biometano em Minas Gerais

Chamada pública da Gasmig amplia perspectivas para produção de biometano em Minas Gerais

02 de junho de 2026 – A Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig) lançou uma chamada pública para identificar projetos interessados no fornecimento de biometano ao estado, movimento que pode impulsionar novos investimentos e ampliar a participação de Minas Gerais em um dos segmentos mais promissores da transição energética brasileira e no aproveitamento econômico de resíduos para produção de combustível renovável.

Leia mais »

O saneamento e a hipocrisia ambiental

Enquanto redijo este texto, Minas Gerais conduz a etapa decisiva da desestatização da Copasa, operação que pode movimentar de R$ 8 a R$ 10 bilhões. O modelo segue o trilho aberto pelo Rio Grande do Sul com a Corsan e por São Paulo com a Sabesp: oferta a um investidor de referência, modernização de contratos com municípios titulares e ancoragem nas metas do Novo Marco do Saneamento.

Leia mais »