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Documentário mostra a relação entre o desmatamento e a crise hídrica

Como parte dos eventos da Virada Sustentável, o Greenpeace realiza apresentação gratuita do filme “A Lei da Água” com debate após sessão neste domingo (26), a partir das 17h30. O intuito é mostrar as relações entre o desmatamento e a crise hídrica.

No filme “A Lei da Água – O Novo Código Florestal”, o diretor cinematográfico André D’Elia conta como as florestas brasileiras foram prejudicadas por interesses econômicos e os efeitos desta péssima escolha política. O Greenpeace realizará um Cine Debate, no Palácio da Justiça, no Centro histórico de Manaus, com exibição gratuita do documentário, seguida de um bate-papo com o tema: “Sem floresta, não tem água”.

O Debate contará com as presenças de Rômulo Batista, da campanha Amazônia do Greenpeace, de Antônio Manzi e Rita Mesquita, pesquisadores do INPA, e moderação de Virgílio Viana, superintendente da FAS. O evento integra a programação da 1ª Virada Sustentável de Manaus.

Código Florestal

À época da votação, muitos ambientalistas, músicos, cientistas, estudantes e outros ativistas e cidadãos se manifestaram contra o novo Código Florestal brasileiro. Foram muitos os pedidos para que ele fosse vetado pela presidente Dilma Rousseff. Entretanto ele foi aprovado, sendo promulgado em 2012. O governo sustentou que ass reivindicações contra as novas regras do código foram “parcialmente atendidas”.

Apenas um ano após sua aprovação, o Sistema de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal, o Prodes, registrou um aumento de quase 30% no desmatamento (após quatro anos de queda).

Para o Greenpeace, era de se esperar. Apesar de estudos científicos que apontavam o erro, desmatadores foram anistiados, Áreas de Proteção Permanente reduzidas, áreas que antes deveriam ser recompostas com floresta nativa foram disponibilizadas para outros usos (como agricultura e pecuária), abrindo possibilidade para mais desmatamento.

Rejeição

Com opinião de diversos especialistas e de políticos que apoiaram o Código, o filme mostra a relação delicada entre a preservação das florestas, a produção de alimentos e a saúde dos nossos recursos hídricos.

“Enquanto conversava com os cientistas para a produção do filme vi que todos os assuntos tinham alguma conexão com a água. Tanto a questão das reservas legais, como da produção agrícola, tinha tudo a ver com água. É um filme sobre o Código Florestal, mas no final, é também sobre a água, pois esta é uma lei que deveria proteger a água”, conta o diretor do filme, André D’Elia.

O  novo Código Florestal era rejeitado por 80% da população brasileira, segundo o documentário, além de ter sido rechaçado pela comunidade científica. Mesmo assim, o projeto foi aprovado no Congresso e sancionado pela presidente Dilma Rousseff em seu primeiro mandato. Apesar de vetar alguns paragráfos, a presidente manteve pontos críticos que afetam a saúde hídrica, climática e econômica do País.

Entre os pontos mantidos pela presidente estão a anistia a desmatadores ilegais, a redução da obrigatoriedade de recomposição de áreas desmatadas, inclusive com a possibilidade de utilizar até 50% de espécies exóticas, como o eucalipto, a redução dramática das Áreas de Preservação Permanente (APP) e a retirada dos manguezais desta categoria de reservas. Todas estas questões estão retratadas no documentário.

“O que me deixou mais chocado foi ver que parlamentares colocam interesses de corporações, e deles próprios, na frente do interesse da sociedade”, afirma D’Elia. “No caso do Código, o estrago já foi feito. Mas acredito que hoje existe uma pressão maior da população, mais informação, e espero que isso faça a diferença na hora de discutir outros projetos danosos, como a PEC 215”, completa.

 

Fonte: Uol

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