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Efeitos climáticos

As variações no clima, previstas no primeiro relatório de avaliação do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas, estão se concretizando pelas ocorrências noticiadas. O documento, compilado por 345 cientistas nacionais, prevê aumento da temperatura média entre 3ºC e 6ºC, até 2100, com base nas informações registradas no fim do século 20. No pior dos cenários, o aumento poderá alcançar 6ºC.

Os dados utilizados para estabelecer esse painel previsor das condições climáticas levam em conta cenários de menor ou maior emissão de gases de efeito estufa, publicados pela revista Pesquisa Fapesp. O trabalho aprofunda as mudanças e seus reflexos no regime de chuvas nos diferentes biomas do País. Uma certeza está latente nesse estudo global: o futuro próximo será bem mais quente.

Com as previsões confirmadas pelo maior número de especialistas em diversos ramos das ciências da natureza, nos pampas, englobando a Região Sul, e na Mata Atlântica, alcançando o Sudeste, poderá haver aumento de até 30% na precipitação das chuvas. Na Amazônia e na Caatinga, estendida pelo Nordeste, prevalecerá o cenário de seca, com redução de até 40% no volume das chuvas nessas duas regiões.

Os efeitos das previsões do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas já estão se verificando de maneira visível. O verão, no Sul e no Sudeste, tem sido marcado por precipitações sempre acima da média histórica do volume de chuvas, acarretando graves prejuízos às populações situadas em áreas de risco.

Desta vez, as regiões mais afetadas se localizam nos Estados do Espírito Santo e de Minas Gerais. Coincidentemente, no Nordeste, estorricado por dois anos seguidos de secas, as áreas com os recursos hídricos mais esgotados não foram contempladas com as poucas chuvas ocorridas na pré-estação. As previsões não são otimistas, não esperando as agências mudanças de última hora.

A Organização das Nações Unidas mantém em escala global o mesmo tipo de sondagem adotado pelos cientistas brasileiros. Suas projeções, sempre acreditadas, estão refletidas no Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Os pesquisadores nacionais seguiram a metodologia da ONU para executar o Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas.

Para sua montagem, sintetizando todos os avanços da Ciência sobre os impactos das mudanças no clima, foram instituídos três grupos. O primeiro se voltou para as publicações, desde de 2007, abordando a ocorrência de mudanças climáticas no Brasil; o segundo grupo avaliou os impactos dessas alterações nas cidades, na economia, nos estoques hídricos, para serem promovidas as adaptações exigidas; o terceiro, as formas de redução das emissões de gases-estufa no território nacional.

As mudanças climáticas têm, assim, massa expressiva de informações e de meios tecnológicos para orientar os programas de convivência com as secas, as quais são mais pontuais do que as enchentes e o desabamento das áreas de risco, desabrigando os mais carentes.

O poder público, de modo especial no Nordeste, necessita o quanto antes modificar a fórmula de convivência das populações sertanejas com a seca. Há muito a ser estimulado, como a produção de alimentos para os grupos humanos e animais, a proteção do meio ambiente, o uso racional da água e a troca da agricultura de sequeiro por plantios irrigados.

A transposição das águas do Rio São Francisco tem, entre outros, esse objetivo. Falta engajar os contemplados.

Fonte: Diário do Nordeste
Veja mais: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=1359955

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