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Cada real investido em esgoto gera R$ 2,50 para a economia

Estudo da CNI mapeia o impacto de maiores investimentos em esgoto

Se os investimentos em esgoto no Brasil, para acesso e tratamento, fossem uma aplicação financeira, renderiam 150% só para a cadeia produtiva: gerando lucro para empresas, criando empregos para a população e renda para as famílias. Essa é uma estimativa da CNI (Confederação Nacional da Indústria), que aponta que cada real investido em esgoto se transforma em R$ 2,50 para toda a cadeia produtiva, em estudo obtido pela Coluna.

A conta deixa de fora um impacto muito maior que a universalização do esgoto no Brasil traria ao Estado e a população, com redução de doenças como vômitos e diarreias, além da zika, dengue e chikungunya e consequentemente, redução de gastos do SUS.

Apesar dos benefícios óbvios, a universalização do esgoto anda a passos lentos no País. O principal motivo é a falta de investimentos. Há no País a cultura política de que investimento que fica embaixo da terra tem menos visibilidade e com isso ‘não traz voto’. Com orçamentos apertados, o famoso ‘cobertor curto’, governos e prefeituras deixam de lado o investimento em esgoto. Somada à pouca capacidade do Estado, há ainda a cultura de que empresas privadas não atuam em pequenos municípios e que oferecem tarifas mais altas à população.

Universalização do saneamento

Nesse cenário, a média de recursos aportados no setor nos últimos oito anos foi de R$ 13,6 bilhões por ano. Para alcançar a meta de universalização em 2033, conforme estabelece o Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab), seria necessário ampliar em 62% o volume de investimentos para um patamar de R$ 21,6 bilhões anuais, quase o dobro, portanto. Se continuramos no mesmo ritmo de investimentos, a universaliação só virá em 2050, com três décadas de atraso.

Para a CNI, as parcerias públicos privadas são, segundo experiências internacionais, a solução para o impulsionar o setor. E o desinteresse por municípios menores e as tarifas mais altas são mitos, segundo dados de pesquisas. Os estudos revelam que companhias privadas apresentam indicadores de produtividade 5,4% superiores à média nacional e que a qualidade da água é maior que a das empresas públicas.

Os dados são do estudo Saneamento Básico: uma agenda regulatória e institucional, que integra uma série de 43 trabalhos sobre temas estratégicos que a CNI entregará aos candidatos à Presidência da República no dia 4 de julho. A confederação faz onze recomendações para impulsionar o setor. Entre elas estão a regulamentação do reúso da água, a criação de um sistema nacional de informação sobre saneamento, expansão de empréstimos do BNDES para o setor, simplificação do processo de licenciamento ambiental para água e esgoto e a liberação dos recursos do FGTS para o saneamento.

Fonte: R7

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