saneamento basico

Justiça obriga Daerp a instalar rede para tratar esgoto em toda a cidade

Foto

Promotora diz que Daerp e Prefeitura
descumpriram TAC (Foto: Chico Escolano/EPTV)

O Departamento de Água e Esgoto deRibeirão Preto (Daerp) terá 90 dias para estender a rede de coleta e tratamento de esgoto para todo o município. O prazo foi fixado pela Justiça de Ribeirão Preto (SP) em resposta a uma ação civil pública movida pelo Grupo de Atuação Especial do Meio Ambiente (Gaema), do Ministério Público.

Segundo a promotoria, a ação foi ajuizada depois que a autarquia e a Prefeitura descumpriram um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado em 2007, que previa, entre outras providências, a construção de receptores de esgoto em locais que ainda não contavam com o serviço, a conexão de imóveis à rede e o tratamento de todo o esgoto coletado.

Em nota, o Daerp informou que ainda não foi comunicado da decisão.

De acordo com a promotora do Gaema Cláudia Habib, a ação obriga que a Prefeitura e a autarquia cumpram no prazo determinado pela Justiça os termos firmados no TAC, sob pena diária de mil reais de multa.

“O TAC celebrado em 2007 não foi cumprido integralmente. Daí o ajuizamento dessa ação civil pública, para que eles coletem e tratem o esgoto do município de forma efetiva e para que toda a cidade seja abrangida pela rede”, explica.

Segundo Cláudia, o Daerp assumiu que há pontos em que ainda não existem interceptores da rede de esgoto no município. “Foi apresentada uma lista com os locais aonde falta construir. É uma questão muito séria que implica em severo dano ambiental, especialmente em uma cidade do porte de Ribeirão, em constante crescimento. É uma questão básica”, diz.

Dados do Instituto Trata Brasil mostram que faltam 6,3 mil ligações de esgoto em Ribeirão. Apesar de a rede de esgoto atender 98,3% dos habitantes, 79,9% desse total é tratado. Embora o município tenha um dos 20 melhores índices de saneamento básico do país, a cidade caiu cinco posições no ranking do Instituto, e atualmente ocupa a 15ª posição da lista.

Ameaça ao meio ambiente

Os dejetos não tratados acabam sendo depositados nos rios ou em fossas. A prática, além de prejudicar o meio ambiente e contribuir para o aparecimento de doenças, também pode comprometer o abastecimento de água na cidade, uma vez que o esgoto chega a atingir o lençol freático.

A situação, segundo a ambientalista Simone Kandratavicius, é grave, uma vez que Ribeirão Preto é totalmente abastecida pelo Aquífero Guarani. “Não ter tratamento de esgoto traz um risco muito grande de contaminação do aquífero. Se estiver vazando na própria rede de esgoto, ou através de fossa, ele infiltra no solo. É um prejuízo muito grande”, afirma.

Daerp
Em nota, o Daerp informou que ainda não foi notificado da decisão judicial.

A autarquia esclareceu, no entanto, que pretende prorrogar o contrato de concessão do tratamento de esgoto com a empresa Ambient por mais 11 anos.

Em contrapartida, a empresa investiria cerca de R$ 138 milhões na ampliação da rede.

Esgoto não tratado em Ribeirão é despejado em rios e córregos do município (Foto: Chico Escolano/EPTV)
Esgoto não tratado em Ribeirão é despejado em rios e córregos do município (Foto: Chico Escolano/EPTV)
Últimas Notícias:
Marco Legal do Saneamento Básico impulsiona cobrança da taxa de lixo

Marco Legal do Saneamento Básico impulsiona cobrança da taxa de lixo

Cobrada em algumas cidades há décadas e recém-implantada em outras, a chamada “taxa de lixo” tem ganhado espaço nos debates públicos do Alto Tietê. Embora a medida costume gerar resistência da população, especialistas afirmam que a cobrança deixou de ser apenas uma opção das prefeituras e passou a ser uma exigência legal prevista na Lei Federal nº 14.026/2020, conhecida como Novo Marco Legal do Saneamento Básico, que determina que os serviços de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos tenham sustentabilidade econômico-financeira, ou seja, uma fonte específica de arrecadação.

Leia mais »
SC ganha sistema para dar transparência à logística reversa

SC ganha sistema para dar transparência à logística reversa

Melhorar a transparência na gestão de resíduos e criar mecanismos mais eficientes. Para acompanhar os resultados da logística reversa estão entre os desafios de Santa Catarina para avançar na economia circular. Para atender a essa demanda, o estado ganhou uma nova plataforma digital. Com ela, será possível acompanhar, de forma integrada, todo o fluxo da logística reversa no estado.

Leia mais »