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Estudo avalia manejo de resíduos florestais em área de eucalipto

Após a colheita da madeira em plantações florestais, grande parte dos resíduos (galhos, folhas, cascas, serrapilheira, tocos e raízes) permanece na área. Longe de ser algo descartável, esse material pode ter diferentes utilidades, desde a nutrição do solo até servirem como fonte de geração de energia.  

Esse dilema que envolve pesquisadores e parte do setor florestal é o contexto da tese de doutorado do engenheiro florestal José Henrique Tertulino Rocha, desenvolvido no programa de pós-graduação em Recursos Florestais da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq). Com orientação do professor José Leonardo de Moraes Gonçalves, a pesquisa tem o título de Manejo de resíduos florestais e deficiência nutricional em duas rotações de cultivo de eucalipto.

O objetivo do trabalho foi avaliar o efeito em longo prazo da remoção desses resíduos nas propriedades químicas físicas e biológicas do solo e na produtividade da floresta. “A área experimental onde o doutorando vem conduzindo seu estudo foi instalada em 2004 na Estação Experimental de Ciências Florestais de Itatinga e vem sendo conduzida até hoje. Essa área foi reformada em 2012 e encontra-se atualmente no quinto ano da segunda rotação de cultivo”, conta o pesquisador.

Discussão sobre resíduos florestais beneficiou plantações

“O destino dessas sobras já foi amplamente discutido na década de 1990, época na qual a queima desses materiais era prática comum”, conta Rocha. Segundo ele, essa prática era realizada com o objetivo de limpar a área a fim de facilitar as operações de replantio. “Naquela época, diversos resultados de pesquisas mostraram que a queima desse material resultava em grandes perdas de nutrientes por volatilização e erosão eólica. Além disso, a queima era danosa ao solo, causando degradação de suas propriedades físicas e biológicas e acerando o processo erosivo”, complementa.

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Parcela com resíduos florestais mantidos sobre o solo e, ao fundo, parcela com resíduos florestais removidos – Foto: José Henrique Tertulino Rocha.

Fato é que os resultados desses estudos, aliado às diversas experiências práticas, embasaram uma mudança no sistema de manejo do solo e desses resíduos para um sistema chamado de cultivo mínimo. Nesse sistema o engenheiro explica que o solo é preparado apenas na linha de plantio e mais de 70% de sua superfície permanece coberta com resíduos florestais. “Esse sistema trouxe inúmeras vantagens em termos de conservação do solo e produtividade das plantações, sendo atualmente empregado em mais de 80% das plantações florestais do Brasil.”

Especialmente após a crise econômica de 2008, os resíduos florestais passaram a ser vistos como um subproduto da floresta, com potencial uso para geração de energia. “O uso desses resíduos para geração de energia é muito interessante do ponto de vista econômico, por ser mais um produto oriundo da floresta, e ambiental, por ser fonte de energia renovável e com saldo e emissão de carbono próximo a zero. Apesar dessas vantagens, os benefícios da manutenção dos resíduos florestais sobre o solo não podem ser esquecidos”, pondera Rocha.

Conhecendo os resíduos e seus efeitos de perto

Um dos resultados apontou que a remoção total dos resíduos florestais reduziu o estoque de carbono da camada superficial do solo em quase 50%. “Essa redução no estoque de carbono, podendo ser entendida como redução da matéria orgânica do solo, acarretou em aumento da disponibilidade de alumínio tóxico, redução da atividade microbiológica do solo e redução nos estoques de nitrogênio, fósforo e enxofre orgânico do solo”, descreve. Além disso, complementa, “essa retirada causou redução de 14% no volume de madeira produzido, mesmo com a reposição dos nutrientes”. No entanto, Rocha ressalta que a remoção apenas dos resíduos lenhosos (galhos e casca) causaram pequenos ou nulos efeitos nas propriedades supracitadas. Com esse estudo o doutorando almeja determinar a quantidade máxima de resíduos que possa ser utilizada para a geração de energia, sem que seja causado dano ao solo.

O pesquisador lembra que estudos sobre matéria orgânica do solo especialmente em plantações florestais são de longo prazo, sendo impossível chegar a conclusões seguras com apenas um ciclo de cultivo de eucalipto, que é de aproximadamente sete anos. “Estudos de longo prazo só são possíveis de serem conduzidos com estruturas como as fornecidas pela Estação Experimental de Ciências Florestais de Itatinga, pois esta possui objetivo primordial para pesquisa, além de área e equipe treinada para o apoio nesse tipo de estudo”, finaliza.

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Vista Aérea da Estação Experimental de Itatinga – Foto: Divulgação Esalq

Estação Experimental

Em 1988, foi incorporado ao patrimônio da USP um dos hortos florestais remanescentes da extinta Ferrovia Paulista S/A (Fepasa). A partir de então, sob a administração do Departamento de Ciências Florestais (LCF) da Esalq essa unidade florestal foi transformada na Estação Experimental de Ciências Florestais de Itatinga (EECFI).

Desde a sua fundação, a EECFI tem sido regularmente utilizada para práticas acadêmicas e científicas dos cursos de graduação e de pós-graduação da Esalq, contribuindo significativamente para os programas de ensino, pesquisa e extensão da Universidade. Saiba mais em http://www4.esalq.usp.br/svee/itatinga ou http://www2.lcf.esalq.usp.br/content/fotos-a%C3%A9rea-esta%C3%A7%C3%A3o-experimental-de-itatinga

Caio Albuquerque / Divisão de Comunicação da Esalq, com edições do Jornal da USP

 

Fonte: Jornal da USP.

 

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