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ONG fará análise da água escura que espantou banhistas da praia do Campeche

Moradores reclamam de mau cheiro e desde novembro recorrem a órgãos públicos para tentar solucionar o problema

Voluntários da ONG Instituto Sea Shepherd Brasil, Núcleo Santa Catarina, farão a coleta da água escura que, na manhã desta quinta-feira corria em direção ao mar na praia do Campeche, em Florianópolis, na altura da Avenida Pequeno Príncipe. O objetivo é atestar que a água está contaminada e por quais tipos de substância, o que justificaria o mau cheiro sentido por quem estava lá para aproveitar a manhã de sol forte.

Neuza de Deus e Silva, 43 anos, trabalha em uma barraca localizada na faixa de areia, bem em frente à Avenida Pequeno Príncipe e diz que nunca tinha visto uma água tão suja correndo direto para o mar.

— Eu trabalho aqui na praia há oito anos e sou moradora do bairro. Este é o primeira vez em que vejo isso desse jeito. Hoje o mau cheiro está insuportável — afirma.

Segundo Neuza, uma vala foi aberta no rio que corre próximo da praia, mas nunca desaguava no mar. Na temporada deste ano, a situação mudou.

— Já faz uns três meses que essa água corre pro mar. Antes, dava para ver que era só água da chuva. Agora não. Agora é bastante água e muito suja — diz.

Ainda segundo Neuza, ela procurou a Intendência da Praia do Campeche em busca de explicações pela abertura da saída para o mar e foi informada de que essa era uma decisão da Defesa Civil.

O universitário Bruno Braga Camargo, 19 anos, estava na praia na manhã desta quinta-feira, e também diz que a abertura para o mar foi feita há cerca de três meses, mas que agora a situação está crítica.

— De vez em quando, o cheiro é insuportável. Dois dias atrás, havia até uma grande manta de gordura nesse riozinho escuro, que chegou a estancar a água. E hoje tinha até fezes passando em direção ao mar — diz.

Simone Boscato, 37 anos, mora desde 1989 no Campeche e participa da Associação dos Moradores do Jardim Eucaliptos (Amoje). Há sete anos ela trabalha num restaurante na Avenida Pequeno Príncipe, próximo à praia, e conta que percebeu a abertura da vala em novembro de 2015:

— Abriu depois de uma forte chuva. Desde então, a situação piora a cada dia. Já recorremos a vários órgãos públicos e nada foi feito, mesmo depois de denunciarmos a situação também para a TV e a imprensa.

Defesa Civil diz que não tem responsabilidade por abertura para o mar

Procurada pela reportagem do Diário catarinense, a Defesa Civil municipal informou não ter notícia de qualquer abertura feita para o mar na região, segundo o chefe de departamento Marcos Roberto Leal.

— Temos um trabalho junto à Intendência relacionado ao entorno da Lagoa da Chica, mas a única providência que estamos pleiteando é desassorear a lagoa. Em nenhum momento se vinculou esse desassoreamento, que nem aconteceu ainda, a uma abertura para o mar — afirmou.

Segundo Leal, a região da lagoa é caracterizada por invasões e a região como um todo, por alagamentos recorrentes.

A Secretaria de Obras da Prefeitura, com informações repassadas pelo intendente do Campeche, Alexsander Dutra dos Passos, afirmou que é responsável somente pela limpeza da vala de drenagem pluvial (serviço feito de acordo com a necessidade, em algumas vezes com auxílio do maquinário da Comcap), e que a fiscalização para possível vazamento de esgoto é de responsabilidade da Vigilância Sanitária.

A reportagem entrou em contato com a Vigilância Sanitária e Ambiental do município, mas por causa dos trabalhos de fiscalização contra focos de dengue, não havia ninguém apto a falar sobre denúncias de esgoto lançado ao mar e fiscalização.

Fonte: RBS
Foto: Guto Kuerten / Agencia RBS

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