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Poluição das águas de igarapé tem como uma das causas a “Invasão das Luzes”, avalia pesquisador

A maioria dos bairros de Manaus surgiu sem planejamento. Muitas invasões foram consolidadas, tornando-se, inclusive, centros de grande potencial comercial. No entanto, as ocupações irregulares causam danos irreversíveis ao meio ambiente. Em pleno século 21, novas invasões continuam surgindo a todo vapor na capital, alterando características de fauna, flora e cursos hídricos dos locais.

A invasão “Cidade das Luzes”, situada entre o ramal da Anaconda e à margem direita do rio Tarumã-Açu, no Tarumã, Zona Oeste, vem sendo denunciada pelo A CRÍTICA desde o ano passado. Porém, ela só cresce e a expansão ameaça as águas do rio Tarumã-Açu, já que o igarapé da Anaconda já está contaminado.

O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) esteve na invasão há dois meses e constatou que 500 famílias vivem na área. Segundo o órgão, uma faixa de mata entre a invasão e a margem do igarapé ainda está preservada.

Entretanto, o pesquisador de Recursos Hídricos do Inpa, Sérgio Bringel, explica que pelas características, o igarapé já está poluído.

“O rio também está passível de contaminação. Situações como estas são históricas devido à falta de planejamento, ou se tem um planejamento, esse planejamento não é observado”, declarou Bringel, que também é presidente do Conselho Regional de Química.

‘Degradação’

De acordo com o pesquisador, as invasões causam muitas complicações imediatas. A primeira delas é a derrubada agressiva da vegetação nativa. “Com esse desmatamento, temos problemas com a mata siliar, compactação do solo e erosão. Além de dificuldades da infiltração da água no solo para repor os aquíferos”.

Com a expansão desordenada, os ocupantes esbarram na falta de saneamento básico e locais para destinar resíduos sólidos . “O lixo e todos os tipos de dejetos humanos vão parar no igarapé. Com isso temos problemas de saúde pública através de doenças provenientes de água, como febre tifóide, parasitas, entre outras”.

A invasão ‘Cidade das Luzes’ foi aberta em meio a uma Área de Preservação Ambiental (APA). A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) informou que, tão logo foi acionada, constatou que as áreas particulares, “onde o órgão não tem atribuição legal para atuar”.

Poluídos

A Semmas informou que a cidade é entrecortada por pequenos cursos d’água, mas não possui toda a catalogação. “Infelizmente, a maioria desses igarapés que têm suas nascentes em área urbana e cortam a cidade estão com a qualidade da água comprometida, a exceção daqueles em que as nascentes estão situadas em áreas protegidas”.

 

 

Fonte: A Crítica Uol

Crédito da Foto: Clóvis Miranda

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