saneamento basico

Saneamento é possível com pouco gasto

Uma cidade de 80 mil habitantes levaria redes de água e esgoto e resolveria os problemas de lixo e drenagem urbana para todos os seus moradores, num prazo de 20 anos, gastando R$ 37,84 por mês, por cidadão. Mais barato do que um jantar completo. Isso levando em conta o crescimento populacional e os serviços instalados.

Inédito, o levantamento foi feito pela Vallenge Engenharia, de Taubaté, com 59 municípios do interior de Minas Gerais, mas pode ser aplicado a municípios pequenos e médios da RMVale, especialmente no Vale Histórico.

O estudo parte das redes instaladas para apontar o valor per capita de quatro serviços básicos –água, esgoto, lixo e drenagem– em consideração aos investimentos necessários para universalizá-los em um período de 20 anos, conforme determina a legislação.

Também leva em conta a taxa de crescimento populacional das cidades ao longo de duas décadas e projeções sobre população flutuante.

Para garantir o abastecimento de água, por exemplo, uma cidade de 80 mil habitantes gastaria R$ 79,8 milhões ao longo de 20 anos, o que daria R$ 7,47 por mês, por morador –mais barato que um lanche.

Se for a rede de esgoto, o valor aumentaria para R$ 20,75 por mês, por habitante, ainda assim menos do que um lanche completo em uma rede de fast food.

“Este é um estudo comparativo, tendo como base dados reais, de municípios. Ele serve para mostrar que o investimento em saneamento básico não caro em comparação aos benefícios trazidos”, afirma Amanda Presotto, mestre em Ciências Ambientais e assessora técnica ambiental da Vallenge.

REGIÃO/ O trabalho demorou quatro anos para ser feito, em duas etapas, terminando em novembro do ano passado.

Segundo Amanda, a maior parte dos municípios apresentava estrutura precária de atendimento dos serviços, situação semelhante a de pequenas cidades da RMVale, que podem aproveitar os dados para planejar o futuro.

Na avaliação da especialista, a maior parte dos municípios, historicamente, resolve apenas problemas pontuais.

“Tem que planejar e se organizar para ter sistemas estruturados. Isso está mudando por causa da obrigatoriedade da lei, mas não é do dia para a noite”, diz a engenheira.

De acordo com balanço do Ministério das Cidades, com dados de 2014, mais de 405 mil moradores do Vale do Paraíba vivem sem coleta ou tratamento de esgoto. Eles representam 16,83% da população –a região tem 2,4 milhões de habitantes.

Segundo Amanda, o investimento nos serviços básicos reduz custos em outras áreas, como na saúde. “É importante mostrar que o custo não é alto. Isso faz com que a prefeitura priorize o investimento”.

Sabesp afirma investir na região

Responsável pelo abastecimento de água e a coleta e tratamento de esgoto em 23 cidades da RMVale, sem contar as quatro do Litoral Norte, a Sabesp informou que o serviço está universalizado nestes municípios.

“Os índices atuais de atendimento com água tratada, coleta e tratamento de esgotos nos municípios atendidos pela Sabesp na região do Vale apontam para a universalização”, disse a empresa.

Por norma, a Sabesp atua apenas nas áreas urbanizadas e regulares das cidades. Com isso, bairros clandestinos e loteamentos irregulares ficam de fora.

Segundo a empresa, os índices na região são de 100% de água tratada, 96% de cobertura com coleta de esgoto e 97% de tratamento.

“A Sabesp investiu R$ 766 milhões na região entre 2007 e 2014, quando foram executadas as obras que garantiram a universalização”, informou a Sabesp, em nota.

“O investimento realizado superou em R$ 160 milhões o investimento previsto”, completou a companhia.

ELEIÇÕES/ Presidente do CBH-PS (Comitê das Bacias Hidrográficas do Rio Paraíba do Sul), Walker Ferraz defendeu que o saneamento básico seja um dos temas prioritários nas eleições municipais. “A população tem que exigir. Nessas eleições, tem que cobrar comprometimento dos candidatos para resolver a questão do saneamento. Há muitas empresas, há opções, mas prefeitos não se mostram preocupados”.

Fonte: Gazeta de Taubaté
Foto: Divulgação

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