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Saneamento deve movimentar ao menos R$ 20 bilhões na bolsa (

Saneamento deve movimentar ao menos R$ 20 bilhões na bolsa

Com ofertas de ações de Copasa, BRK Ambiental e Aegea previstas para este ano, setor busca aproveitar fluxo de estrangeiros na B3

O setor de saneamento básico poderá movimentar ao menos R$ 20 bilhões em ofertas de ações em 2026. O valor inclui as estimativas do mercado para a privatização da Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais ) e para as aberturas de capital da BRK Ambiental da Aegea, que pretendem ser as responsáveis pela reabertura das ofertas iniciais de ações (IPOs, na sigla em inglês) no mercado local após um hiato de mais de quatro anos sem operações.

A visão é que o setor conseguirá aproveitar o fluxo de entrada de investidores estrangeiros que está irrigando a bolsa brasileira desde o fim ano passado, diante da busca de recolocação dos portfólios globais rumo a países emergentes.

Em saneamento, banqueiros de investimentos apontam o grande interesse global visto que no mundo não há ativos semelhantes com grande potencial de crescimento.

“Observamos um aumento do número de empresas considerando a abertura de capital, e existe um movimento latente vindo de saneamento, um setor no qual existe demanda por investidores estrangeiros”, destaca o responsável pelo banco de investimento do UBS BB, Anderson Brito.

O presidente da B3 , Gilson Finkelsztain, disse que o setor de saneamento é o mais adiantado para reabrir o mercado de IPOs no Brasil. Segundo o executivo, a operação abre-alas no mercado local será de grande porte, de empresa já madura e com clareza sobre seus investimentos.

A venda do controle da Copasa , que o governo mineiro busca realizar já em março, poderá movimentar entre R$ 9 bilhões e R$ 10 bilhões considerando o preço atual da ação – que analistas consideram já incluir um prêmio pela expectativa da privatização.

Segundo a modelagem anunciada pelo governo, o Estado poderá seguir com 5% de participação ou sair totalmente da empresa, a depender do resultado da oferta de ações – portanto, poderão ser vendidas entre 45% das ações e 50,3% (o total da fatia estatal).

Além da oferta de privatização, há uma forte expectativa pelo primeiro IPO de uma empresa privada do setor de água e esgoto – hoje, a única não estatal listada é a Sabesp, que entrou na bolsa quando ainda era do governo paulista.

Tanto BRK quanto Aegea estão na fila para abertura de capital há alguns anos.

Controlada pela canadense Brookfield, a BRK está com o processo mais avançado, muito embora a discussão em torno do valor da empresa ainda esteja na mesa e precisa ser equacionado, segundo apurou o Valor.

A companhia vem sinalizando ao mercado a intenção de fazer IPO há quase um ano e, em dezembro passado, aprovou em;assembleia geral o plano de fazer uma oferta primária – sem descartar a possibilidade de uma secundária, na qual acionistas venderiam participação.

O sindico de bancos já está contratado e a empresa tem se reunido com potenciais investidores para tratar da operação.

Fontes dizem que o foco principal é levantar recursos à operadora de saneamento, que segue com alavancagem financeira elevada e, recentemente, tem voltado a conquistar novos contratos, o que também demandará mais capital da companhia.

Em 2022, a BRK já ensaiou um IPO, que não se concretizou. À época, a Brookfield havia sinalizado ao mercado uma intenção de sair da operadora de saneamento brasileira por ser um ativo maduro, fruto de um investimento do braço de private equity.

O FI-FGTS, que detém 3% da companhia, também é visto como um possível vendedor, embora o preço da ação aceito pelo fundo público seja considerado um entrave no mercado.

Em estágio menos avançado, mas com perspectivas para este ano, a Aegea também já contratou bancos para fazer seu IPO, conforme antecipou o Valor.

Embora a operação ainda esteja sendo desenhada, no mercado há uma expectativa de que a oferta movimente entre 9 bilhões e R$ 10 bilhões.

A Aegea também tem como objetivo central reduzir sua alavancagem elevada, fruto de uma expansão acelerada nos últimos anos, com um série de contratos ainda não maduros.

“Há um movimento latente vindo de saneamento, com demanda por estrangeiros”—Anderson Brito

Outra empresa do setor de saneamento, a Iguá deverá aguardar para seu IPO, conforme fontes.

Isso porque, antes de ir ao mercado, a empresa precisa digerir aquisições feitas e reduzir alavancagem. No fim de 2024, a companhia conquistou um contrato grande em Sergipe, desde então, seu foco tem sido consolidar a operação.

A expectativa no setor é que a empresa, que tem o Canada Pension Plan (CPP) com maior sócio, espere o IPO das concorrentes antes de fazer um movimento. No passado, a Iguá chegou a ensaiar ofertas, que não se concretizaram.

Para Ewerton Henriques, sócio da SH Consultoria, o saneamento vive um momento mais maduro, com a entrada de diversos atores financeiros e um ambiente regulatório mais estável.

“Os papéis de saneamento, que eram coisa nova há alguns anos, passaram a ser habituais. O ambiente se tornou cada vez melhor, com a consolidação do novo marco do saneamento e a publicação de regras da ANA [Agência Nacional de Águas]”, disse

Ele avalia que, hoje, o principal desafio são as taxas de juros. No caso da Copasa, Henriques pondera que o ano eleitoral poderá trazer ruído à operação, a depender do momento em que a oferta sair.

Na quinta-feira (12), reportagem do Uol revelou que o presidente do conselho de administração da Copasa , Hamilton Amadeo, relatou ao Ministério Público Federal (MPF), em delação premiada, ter autorizado o pagamento de propina a políticos para garantir contratos de concessão da Aegea, empresa que o executivo presidiu de 2011 a 2020.

O depoimento foi dado no âmbito de um acordo de leniência firma pela Aegea em abril de 2021. Ao fim do dia, Amadeo renunciou ao cargo.

Após a renúncia, a Copasa disse que:

“reitera que os fatos reportados pela imprensa referem-se estritamente à trajetória profissional anterior executivo, sem qualquer vínculo com sua atuação na Copasa ou com a integridade das operações desta instituição” e que “o processo de sucessão seguirá rigorosamente os ritos estabelecidos no Estatuto Social e nas normas de governança vigentes, garantindo a estabilidade e continuidade da gestão”.

Procurado, Amadeo não se manifestou. A Aegea disse, em nota, que:

“o acordo trata de fatos anteriores a 2018, apurados por investigações internas e independentes, cujos resultados foram voluntariamente compartilhados com o MPF. Seus termos estão sob sigilo legal. Os impaces financeiros já estavam refletidos nas demonstrações financeiras desde 2021, ano em que foi retirada a ressalva dos auditores relacionada à investigações”. A empresa diz que “o acordo não gera efeitos para a companhia ou suas concessionárias”.

Questionados sobre as ofertas de ações, Copasa , Aegea e BRK não se manifestaram. A Iguá disse, em nota, que:

“acompanha atentamente o mercado de capitais” e que “está pronta do ponto de vista de governança e critérios de mercado”. A empresa afirmou ainda que um eventua IPO “seria avaliado como opção de capital para viabilizar novas oportunidades de crescimento” e que “seus projetos estão integralmente capitalizados, com disciplina financeira e apoio de acionistas”.

Fonte: Valor


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