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Cantareira tem menor nível no fim do verão desde 2015 (1)

Cantareira tem menor nível no fim do verão desde 2015

Principal sistema de abastecimento de água da Região Metropolitana de São Paulo terminou a estação com 42,7% de capacidade; nível para essa época do ano vem caindo desde 2023

O Sistema Cantareira, a principal rede de represas que abastecem de água a Região Metropolitana de São Paulo, encerraram o dia de ontem com 42,7% de capacidade. O nível é o pior para a data que marca o fim do verão desde 2016, quando a cidade teve sua pior crise hídrica.

Naquela época. Nesta mesma data. O nível desses mananciais estava em 33%. E estava começando a se recuperar de uma estiagem. Que fez a água descer tanto. Que bateu em volume morto. Ou seja. Baixo demais para ser transportada. Sem bombeamento ao sistema consumidor.

A marca atingida agora é preocupante, porque o final do verão marca o fim da estação chuvosa, e normalmente espera-se que o sistema esteja mais bem abastecido para enfrentar o período de outono.

O sistema integrado metropolitano de mananciais como um todo está hoje com nível um pouco melhor do que o Cantareira, com 56,1%. O nível um pouco melhor das represas menores garante essa marca (relativa aos cerca de 800 milhões de metros cúbicos de capacidade).

Por exemplo. O Sistema Guarapiranga está a 92,7% de capacidade. E o Sistema São Lourenço está a 93,6%.

O esvaziamento do Cantareira, preocupa, porém, porque ele a rede de represas que oferece cerca de metade da água distribuída pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) na cidade.

Desde agosto do ano passado, São Paulo tem seu sistema de abastecimento operando em regime de restrição, operando em pressão baixa durante a noite para reduzir a perda com vazamentos e tentar economizar água.

Nível dos mananciais em São Paulo

Essa medida serviu para poupar um pouco os reservatórios, mas imóveis sem caixa d’água e em regiões altas da cidade enfrentam podem enfrentar problemas.

Entre os dias 27 de agosto e 21 de setembro, a medida ocorreu por oito horas, começando às 21h e encerrando às 5h. A partir de 22 de setembro, o horário foi ampliado em duas horas, com início às 19h e término às 5h.

Apesar de relatos de moradores com problema de abastecimento, a Sabesp afirma que a redução de pressão não deve afetar imóveis que estão construídos dentro do padrão exigido. Um decreto da década de 1970 em São Paulo determina que casas e prédios tenham caixa d’água com capacidade para garantir o consumo dos ocupantes por pelo menos 24 horas.

A despressurização tinha previsão de duração até fevereiro, mas foi prorrogada para março. A medida deve ser revista à medida que a Sabesp e Agência de Águas do Estado de São Paulo (SPÁguas) afere o nível dos mananciais.

Regime de restrição

O regime de restrição permitiu que fosse possível retirar menos água da água do Cantareira. Dentro da chamada “faixa de restrição nível 4”, foi reduzida de 27 m³/s (metros cúbicos por segundo) para 23 m³/s a velocidade de retirada de água do manancial.

Desde que a medida foi adotada, a Agência Nacional de Águas (ANA) autorizou a Sabesp a captar água da bacia do Rio Paraíba do Sul, que abastece o Rio de Janeiro, a uma taxa de até 33 m³/s. Na prática, a transferência foi menor, porque o Vale do Paraíba também enfrenta estiagem.

Normalmente, o Cantareira, composto por uma série de represas enfileiradas ao norte da cidade e indo até quase a divisa de Minas Gerais, é responsável por abastecer cerca de metade dos 22 milhões de habitantes da Região Metropolitana. Ele está agora, porém, abastecendo cerca de um terço.

Os 42,7% não devem ser o pico de capacidade do sistema em 2026. Ás vezes o aumento de nível se prolonga até maio, mas é difícil prever até qual percentagem. Uma chuva que ocorreu de ontem para hoje já elevou um pouco o nível, até 43,4%.

O nível das represas do Cantareira vêm caindo para esta época do ano já há três anos. Na mesma data, em 2023, estava em 79,6%, no ano seguinte caiu para 76,7%, depois para 58,8% e agora está em 42,7%.

Nesse cenário. A entrada em uma nova crise hídrica é um cenário possível para o último trimestre do ano. Quando tradicionalmente ocorre o período de maior baixa. A situação vai depender muito das chuvas agora. Porque, com o regime de restrição já em nível 4. Não restam muitas medidas adicionais a serem tomadas. Que não impliquem um rodízio de abastecimento.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) divulgou ontem seu prognóstico para os próximos meses, porém, e o risco de uma estiagem mais intensa é real.

“A previsão para o outono indica predomínio de chuvas abaixo da média histórica em todo o estado de São Paulo e grande parte de Minas Gerais”, afirmou boletim.

Outro lado

A Sabesp afirmou nesta sexta-feira, em nota, que está investindo em estrutura para melhorar a situação hídrica da cidade. Privatizada há um ano e meio, a empresa diz que empenhou R$ 5 bilhões em obras de segurança e resiliência hídrica.

Segundo a companhia, a despressurização do sistema, determinada pela a Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp), tem surtido efeito para conter ao menos parte da escassez.

“Desde o início da redução da pressão noturna, em agosto do ano passado, foram economizados 115 bilhões de litros de água”, disse o comunicado. “Essa economia é equivalente ao que as cidades de São Paulo, Guarulhos, São Bernardo do Campo, Mauá e Cotia consomem, juntas, ao longo de um mês.”

Por fim, a empresa também anexou “dicas” de uso consciente para a população, como tomar banhos mais curtos e usar a máquina de lavar sempre com carga máxima de roupa.

Fonte: OGlobo


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