saneamento basico

Produção de biogás através da co-digestão anaeróbia de lixiviado de aterro sanitário e esgoto sanitário: análise bibliométrica

Resumo

A necessidade de pesquisa sobre o uso do biogás produzido através do tratamento de efluentes vem crescendo, assim como a necessidade do tratamento dos efluentes da geração de resíduos sólidos, em especial o lixiviado de aterro sanitário. O presente trabalho busca identificar, agrupar, descrever estatisticamente e analisar as publicações científicas brasileiras sobre produção de biogás através da co-digestão anaeróbia de lixiviado de aterro sanitário e esgoto sanitário. Através da metodologia ProKnow-C foi conduzida a filtragem e seleção dos artigos encontrados nas bases de dados, montando um portfólio com 4 trabalhos avaliados como alinhados ao tema biogás através da co-digestão anaeróbia de lixiviado de aterro sanitário e esgoto sanitário. Espera-se que esse trabalho possa servir como suporte a elaboração de referencial teórico de futuros trabalhos científicos.

Introdução

O Plano Nacional de Saneamento Básico, traça metas em relação ao abastecimento de água tratada, coleta e tratamento de esgoto, além da gestão de resíduos sólidos. Quanto a coleta de esgoto, as metas para o Brasil foram 76% de domicílios urbanos e rurais servidos por rede coletora ou fossa séptica para os excretas ou esgotos sanitários, sendo que 69% desse esgoto coletado seria devidamente tratado. A longo prazo, a meta iria para 92% de coleta e desses, 93% deve contar com tratamento (PLANSAB, 2013).
Segundo informações do SNIS de 2019, no Brasil, 83,5% da população é abastecida com água tratada, pouco mais da metade da população conta com coleta de esgoto, e somente 46% do esgoto coletado é tratado antes de ser despejado nos corpos hídricos.
Para que as metas do PLANSAB sejam cumpridas ainda falta muito investimento em saneamento básico no País. Visto que a coleta e tratamento do esgoto estão mais atrasados do que o abastecimento de água tratada, várias novas estações de tratamento de esgoto (ETE) deverão ser construídas nos próximos anos.
Ao mesmo tempo em que as metas de saneamento básico ainda estão longe se serem atingidas, as cidades brasileiras enfrentam questões relativas à destinação e disposição dos resíduos gerados (ABLP, 2010), destinando seus resíduos em desacordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que define que uma destinação ambientalmente adequada dos resíduos sólidos inclui a reutilização, reciclagem, compostagem, recuperação, aproveitamento energético e disposição final, observando normas operacionais específicas (BRASIL, 2010).

No Brasil, o aterro sanitário é visto como a melhor maneira de disposição desses resíduos (ABLP, 2010). O aterro sanitário é uma obra de engenharia projetada sob critérios técnicos, cujo objetivo é garantir a disposição dos resíduos sólidos urbanos sem causar danos à saúde pública e ao meio ambiente. Considera-se como uma das técnicas mais eficientes e segura de destinação dos resíduos sólidos, pois permite um controle eficiente e seguro do processo e, em geral, apresenta menor custo-benefício (ELK, 2007).
O aterro se comporta como um reator dinâmico, cujas reações químicas e biológicas emitem biogás, efluentes líquidos, o lixiviado, e resíduos mineralizados (húmus) a partir da decomposição da matéria orgânica (ELK, 2007). O lixiviado de aterro sanitário é um líquido escuro originário de três fontes diferentes: da umidade natural do resíduo (aumentada no período chuvoso); da água de constituição da matéria orgânica, que escorre durante o processo de decomposição; e das bactérias existentes nos resíduos, que expelem enzimas que dissolvem a matéria orgânica com formação de líquido (SERAFIM et al., 2003).
O lixiviado de aterro sanitário representa um dos principais fatores de riscos ambiental, tanto por suas altas concentrações de matéria orgânica quanto pela quantidade considerável de metais pesados. De acordo com Cheibub, Campos e Fonseca (2014) a cor em lixiviados de aterros sanitários está relacionada à concentração de substâncias orgânicas em decomposição, estima-se que o percolado de aterro sanitário apresenta Demanda Bioquímica de Oxigênio – DBO equivalente a 200 vezes a do esgoto doméstico (BORTOLAZZO, 2010). As diversas alternativas para o tratamento do chorume podem ser classificadas em três grandes grupos: tratamento por meio de equipamentos e unidades instaladas no próprio aterro, tratamento conjunto com esgotos sanitários em Estações de Tratamento de Esgotos – ETE situadas fora do aterro, e a combinação das duas possibilidades anteriores. O tratamento dos líquidos lixiviados, via de regra, envolve processos físico-químicos e/ou biológico (LIBÂNIO, 2002)
Durante a etapa anaeróbia do tratamento de esgoto a fração orgânica do substrato é degradada de forma a produzir o biogás, que é composto principalmente por gás metano e dióxido de carbono, sendo assim uma importante fonte energética.
Nas últimas décadas, a codigestão do esgoto com outras fontes ricas em matérias orgânica tem sido mais estudada, pois de acordo com Von Sperling (2005), o esgoto sanitário é composto de 99,9% de água e apenas 0,1% de sólidos orgânicos e inorgânicos, suspensos e dissolvidos. Visto que uma das formas de tratamento do lixiviado de aterro sanitário se dá em estações de tratamento de esgoto, torna-se importante a avaliação do potencial energético dessa codigestão.
A bibliometria como tópico da Ciência da Informação significa a aplicação de métodos matemáticos e estatísticos em um estudo que busque quantificar os processos que conduzem determinados aspectos da comunicação escrita, comumente através da análise de citações e resumos de periódicos (PRITCHARD et al., 1969).
Nesse sentido, ao analisar variáveis como autor, título e ano de publicação de trabalhos mais citados, e ao considerar que documentos importantes são mais referenciados e os sem importância, ignorados ao longo do tempo, é possível afirmar que a bibliometria mostra-se uma ferramenta útil para identificar diversos padrões na produção científica: autores mais produtivos, instituições mais produtivas, composição da frente de pesquisa de determinada área, idade média e obsolescência da literatura (ARAÚJO, 2006; BRAGA, 1973; FORESTI, 1990).
Soares, Picolli e Casagrande (2018) mostram que para diferenciar de maneira efetiva uma pesquisa bibliométrica das demais formas de revisões literárias, a exemplo da revisão bibliográfica, artigo de revisão e ensaio teórico, cabe observar a presença de suas duas principais características: o processo sistemático de medição presente na sua metodologia e a análise rigorosamente quantitativa nos seus resultados.
Okubo (1997, p. 20, tradução do autor) diz ainda que “a análise deve incorporar também o maior volume possível de dados, de modo que permita a compensação estatística para qualquer enviesamento que possa afetar uma pequena entidade tomada separadamente”.

Para incorporar tais dados, toma-se em conta a utilização de maneira complementar das bases de dados disponíveis, por apresentarem divergências principalmente em suas coberturas temáticas e temporais, assim estabelecendo uma exploração necessariamente ampla dos conteúdos presentes nelas (LOPES et al., 2012).

Autores: Luisa Maria Horta Maia; Dayane Oliveira Santos Melo; Giovana Nunes Wesz; e Daniel Moureira Fontes Lima.

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