Mostra em Vitória reúne tecnologias que reaproveitam plástico, pneus e resíduos orgânicos e apresenta soluções para captura de carbono.
VITÓRIA (ES) — Uma bicicleta capaz de triturar tampinhas plásticas, bancos produzidos com copos e tampinhas reciclados, materiais feitos a partir de pneus descartados e uma estrutura que utiliza microalgas para capturar dióxido de carbono estão entre as soluções reunidas em uma exposição sobre economia circular no Espírito Santo.
A mostra integra a terceira parada do Roadshow Ambição Circular e reúne iniciativas desenvolvidas por empresas, pesquisadores e projetos que trabalham para reinserir resíduos na cadeia produtiva. Ademais, a proposta apresenta aplicações práticas para materiais que normalmente seriam descartados.
Os números ajudam a dimensionar o desafio. Segundo dados citados pela organização, com base no Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2025, da Abrema, o país gerou 81,6 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos em 2024 e reciclou 8,7% desse volume, o equivalente a 7,1 milhões de toneladas.
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Microalgas são usadas para capturar carbono
Uma das tecnologias apresentadas é a chamada árvore líquida, da GreenWay. A estrutura utiliza microalgas para retirar CO₂ da atmosfera por meio da fotossíntese.
Segundo Giulianna Coutinho, diretora institucional e de marketing da empresa, cada equipamento pode remover até duas toneladas de CO₂ por ano. A companhia afirma ainda que dez unidades teriam capacidade de sequestro de carbono equivalente à de 500 árvores convencionais.
Ademais, o processo gera biomassa, utilizada na produção de itens para diferentes setores, como cosméticos, nutrição animal, biocombustíveis e insumos agrícolas.
Outra solução da empresa é a Unidade de Remoção de Carbono por Algas (URCA), desenvolvida para capturar CO₂ e transformá-lo em carbonato. O material pode ser utilizado, entre outras aplicações, na fabricação de artefatos cimentícios.
Copos e tampinhas viram bancos
Ademais, a Fantástica Carpintaria, laboratório de reciclagem criativa e design circular, demonstrará a transformação do plástico.
Uma bicicleta trituradora permitirá visualizar o processamento de tampinhas. Além disso, depois de triturado, o plástico pode retornar ao processo produtivo e ganhar outras formas e funções.
Entre os exemplos levados à exposição está um banco produzido com material equivalente a 380 copos de água reciclados e outro feito com 5.867 tampinhas plásticas. Além disso, uma cadeira desenvolvida a partir de um cesto de roupas descartado também integra a mostra.
O laboratório mantém ainda uma Materioteca, acervo de diferentes resíduos triturados utilizados como matéria-prima.
“Mais do que a quantidade de resíduos processados, nosso foco está no impacto social desse ciclo, que é mobilizar pessoas para a destinação correta dos materiais, fortalecer redes de colaboração e transformar esses resíduos em equipamentos que retornam à comunidade”, afirma Juliana Lisboa, fundadora da Fantástica Carpintaria.
Resíduo orgânico retorna como adubo
A Marca Composto Orgânico apresentará terra vegetal e composto produzidos por meio da compostagem de materiais como podas de árvores, rúmen e resíduos orgânicos.
Entre janeiro e junho de 2026, a empresa recebeu cerca de 5.712 toneladas de resíduos para compostagem. Além disso, desse volume, mais de 2.234 toneladas eram resíduos orgânicos e aproximadamente 1.847 toneladas correspondiam a podas e galhadas.
Após o processamento, a empresa devolve os produtos ao mercado, que os utiliza em jardins, gramados, vasos e hortas.
Pneus ganham novas aplicações
Outro processo apresentado é o reaproveitamento de pneus inservíveis. A Pneuvix Ambiental informa processar aproximadamente 6 mil toneladas desse material por ano, volume equivalente a cerca de 450 mil pneus.
No processamento, os componentes são separados para reaproveitamento de borracha, nylon e aço. A exposição mostrará desde o chip obtido na primeira trituração até grânulos e pós empregados na fabricação de pisos emborrachados, anilhas para musculação e materiais destinados a playgrounds e campos de futebol society.
A empresa também apresentará produtos da Threebor, fábrica voltada à produção de artefatos de borracha reciclada.
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Indústria moveleira terá selo de circularidade
A exposição inclui ainda o Selo de Circularidade da Indústria Moveleira, desenvolvido pela pesquisadora e professora Giusilene Costa, do Ifes, em parceria com estudantes de diferentes cursos.
O projeto avalia práticas das indústrias moveleiras do Espírito Santo e prevê classificações em ouro, prata e bronze de acordo com o grau de maturidade circular identificado. Móveis produzidos a partir de materiais reciclados também serão apresentados.
Por fim, o Roadshow Ambição Circular é uma iniciativa do Instituto Brasileiro de Economia Circular (Ibec), por meio do Hub de Economia Circular Brasil. A etapa capixaba tem como tema a valorização de resíduos em escala e reúne representantes da indústria, poder público, academia, setor financeiro, startups e organizações da sociedade civil.
Fonte: Conexão ES