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Eletrocoagulação empregada para o tratamento de efluente gerado em lavagem automotiva

Resumo

O aumento do número de veículos nos últimos anos ocasionou o crescimento do numero de empresas que se ocupam da manutenção de frotas, dentre as quais destacam-se as que oferecem limpeza e conservação. Nem sempre, ao efetuar a lavagem automotiva, há um sistema de tratamento adequado para o efluente gerado, e, por vezes, estes resíduos, contendo os mais diversos produtos contaminantes, são lançados em locais inapropriados agravam a situação dos recursos hídricos, que estão com a qualidade ameaçada com alto risco de escassez. Diante desse problema, este trabalho realizou um levantamento bibliográfico referente ao reuso de água e um estudo referente aos sistemas mais utilizados para o tratamento desse tipo de efluente. Foi realizada uma pesquisa em 50 lava a jatos na cidade de Goiânia – GO para determinar a fonte da água utilizada e se o efluente é tratado. Um estabelecimento que presta serviços de lavagens de veículos de grande porte foi selecionado para coleta de efluente a ser tratado no sistema proposto, já que o mesmo não possui um sistema de tratamento completo para o efluente. Ao final o efluente submetido ao tratamento no reator de eletrocoagulação (EC) transformou-se, pelo menos visualmente, em uma água clara, limpa, sem odor e reutilizável. Ainda foi feito o levantamento do custo da implantação de reatores em nível de bancada.

Introdução

A água potável limpa, segura e adequada é vital para a sobrevivência de todos os organismos vivos e para o funcionamento dos ecossistemas, comunidades e economias. Mas a qualidade da água em todo o mundo é cada vez mais ameaçada à medida que as populações humanas crescem, atividades agrícolas e industriais se expandem e as mudanças climáticas ameaçam alterar o ciclo hidrológico global (ONU, 2010).

O ciclo hidrológico permite que a água seja um recurso renovável e abundante, desde que reciclada por mecanismos naturais, processo que garante um recurso limpo e seguro. No entanto, nas últimas décadas, a atividade antrópica tem exercido um papel fundamental na deterioração destes recursos limpos, levando-os a níveis altíssimos de poluição (OLIVO; ISHIKI, 2012).

A escassez de água tem causado impactos na indústria de lavagem de veículos nos Estados Unidos. As regulamentações tornam-se cada vez mais exigentes quanto ao descarte de efluentes e os consumidores tomam consciência da necessidade de proteção dos recursos naturais (TEIXEIRA 2003).

Todavia, o crescente consumo de água tem feito do reúso planejado uma necessidade primordial. Essa prática deve ser considerada parte de uma atividade mais abrangente que é o uso racional da água, o qual inclui também, o controle de perdas, a redução do consumo de água e a minimização da geração de efluentes (MORELLI, 2005).

Segundo Leão et al. (2010) a atividade de lavagem de veículos utiliza uma grande quantidade de água que normalmente não é reaproveitada, sendo simplesmente descartada na rede de drenagem municipal. Nos últimos anos, aumentou a preocupação com esse fato que, além de representar um custo elevado para algumas empresas, pode causar impactos no ambiente aquático, com sólidos suspensos totais, detergentes e produtos químicos.

Os efluentes líquidos dessas atividades estão contaminados, principalmente, por óleos, graxas, surfactantes, material argiloso em suspensão, metais pesados e sólidos totais suspensos e recebem, na maioria dos casos, apenas o tratamento preliminar antes de ser lançado nas redes coletoras de esgoto da cidade (PAULA, 2014). A remoção de óleos e graxas é um das vantagens da eletrocoagulação segundo Chen, Chen e Yue (2000), em função da coagulação e flotação das moléculas dos óleos e graxas, originando coloides com densidade menor que a água em razão da interação destas com o hidróxido de alumínio.

O objetivo deste trabalho foi estudar as condições gerais dos lava jatos em Goiânia – GO, analisar visualmente o efluente gerado em um dos lava jatos quando submetidos a um de tratamento simples através do sistema de eletrocoagulação e verificar se é de baixo custo a implantação do sistema para um estabelecimento de lava a jato.

Autores: Kátia Maria de Souza; Alessandra Crispim Canedo; Greice Kely Alves e Paulo Sergio Scalize.

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