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Infraestrutura verde em área de manancial: um estudo para a represa Billings

Resumo

Embora sirva ao abastecimento de água desde a década de 1950 e seja protegida por leis desde a década de 1970, a represa Billings teve seu entorno ocupado de maneira inadequada, o que comprometeu significativamente a qualidade de suas águas. Com a “crise hídrica” de 2014-2015 tornou-se evidente a sua importância estratégica já que possui potencial para triplicar a população atendida. Para que isso se torne viável é preciso evitar que o reservatório continue sendo degrada pelo despejo de esgoto não tratado e pela carga de poluição difusa trazida pelo escoamento superficial das chuvas em áreas urbanizadas. Este trabalho investiga como a infraestrutura verde pode ajudar a conciliar a ocupação do entorno da Billings com a produção de água de boa qualidade. Apresenta um método, diretrizes e ensaio projetual para uma sub-bacia do Ribeirão Cocaia, curso d’água afluente da Billings.

Introdução

O abastecimento de água potável está entre os maiores desafios que se colocam para a região metropolitana de São Paulo, como bem evidenciou a chamada “crise hídrica” de 2014 e 2015. Embora o episódio tenha desencadeado amplo debate público, a ideia de que se tratava de uma crise, e portanto de evento excepcional, fora da normalidade, escamoteou o fato de que o abastecimento de água sempre foi um problema para São Paulo. Em 1870, por exemplo, esse já era o principal problema da cidade, embora ela contasse então com apenas 50 mil moradores (Iamamura,2006, p.52).

Ainda que seja possível argumentar que o problema crônico de abastecimento de São Paulo se deve ao fato de que a região possui baixa disponibilidade hídrica natural por se localizar no alto curso do rio Tietê (Silva; Porto, 2003), a histórica dificuldade para prover o serviço sinaliza a existência de outras causas para além de determinismos geográficos e explosões demográficas.

Neste sentido destaca-se o fato de que São Paulo tem crescido sem conferir a devida importância à base natural sobre a qual se assenta. No que tange aos recursos hídricos, as operações típicas da urbanização paulistana – supressão da cobertura vegetal, impermeabilização maciça do solo e alteração radical de rios e córregos – modificaram sobremaneira o ciclo hidrológico, desencadeando inundações, mudanças nos padrões de precipitação, ilhas de calor e piora na qualidade do ar e das águas superficiais.

Outro fator que cria uma série de dificuldades para o abastecimento público paulistano é que a cidade tem sido planejada, projetada e gerida dentro de uma lógica setorial. Desta maneira, as infraestruturas competem entre si por financiamento, recursos naturais, espaço físico e prestígio junto à sociedade e administração pública. Nessas batalhas infraestruturais, frequentemente um dos sistemas torna-se obsoleto ou perde grande parte de sua capacidade de operação.

O presente trabalho se debruça sobre uma área estratégica para o abastecimento de São Paulo e que apresenta os problemas e as dinâmicas recém elencadas: a represa Billings.

(…)

Autores: Ramón Stock Bonzi, Oliver de Luccia e Mayra Menossi Almodova.

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