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Estudo dos lixiviados de resíduos da construção civil por meio de simulações em lisímetros

Resumo

O presente trabalho teve como objetivo principal investigar o potencial de contaminação de lixiviados gerados em aterros de resíduos da construção civil (RCC) por meio de lisímetros (colunas de lixiviação), e assim avaliar os cenários de disposição final de RCC mediante simulações em laboratório.

O método proposto nesse estudo consistiu na simulação da percolação de chuva em aterros de resíduos da construção civil. Para tanto, foram realizados dois experimentos, sendo que o primeiro analisou a situação de disposição de resíduos puramente Classe A, e o outro RCC Classe A, com pequenas quantidades de outras classes de RCC.

Resultados apontaram que as concentrações máximas dos lixiviados de RCC que excederam o valor máximo permitido para consumo humano segundo o padrão de potabilidade vigente, os parâmetros excedidos foram: sulfato (950 mg/L), Pb (0,36 mg/L), Cd (0,075 mg/L), Ni (0,088 mg/L), Fe (0,658 mg/L), Ba (1,205 mg/L), Cr (0,125 mg/L), Mn (0,297 mg/L), e Al (3,44 mg/L). Portanto, pode se verificar que existe potencial de contaminação dos lixiviados gerados em aterros de RCC Classe A, os quais podem vir a poluir ou contaminar o solo e as águas subterrâneas, e por sua vez pode inviabilizar o uso dessas águas para consumo humano.

Introdução

No Brasil a Resolução CONAMA nº 307 (BRASIL, 2002) instituiu que desde julho de 2004 os municípios seriam proibidos de destinarem os resíduos da construção civil (RCC) em aterros sanitários e áreas de “bota fora”. Com isso, os geradores ficaram incumbidos de enviarem seus RCC Classe A para aterros específicos de resíduos da construção civil e de resíduos inertes. Porém, esses aterros não possuem impermeabilização de base e sistemas de drenagem de líquidos percolados, o que pode favorecer a migração dos lixiviados de RCC para reservas de água e colocar em risco à saúde da população e o meio ambiente.

Em concordância com essa hipótese, alguns autores apontam que nesses aterros ocorre à disposição de pequenas quantidades de resíduos de outras classes de RCC – Classe B, Classe C e Classe D – e de resíduos de outras origens, os quais tornariam possível a contaminação do solo e dos recursos hídricos (FERGUSON e MALE, 1980; TOWNSEND, JANG e THURN, 1999; ANGULO e JOHN, 2006). Estudo pioneiro realizado por Ferguson e Male (1980) sobre o potencial de poluição causado pela disposição em solo de resíduos da construção civil identificaram significativos aumentos de dureza, DQO, ferro e manganês. Os autores observaram concentrações máximas em aterros de 40 mg/L de ferro, 9,0 mg/L de manganês, dureza de 1100 mg/L CaCO3, e DQO de 270 mg/L.

Atualmente, estudos nacionais sobre lixiviados de RCC ainda são limitados quando comparados com estudos sobre lixiviados provenientes de aterros sanitários, aterros controlados e lixões. Diante desse quadro, é possível inferir que essa carência de pesquisas aprofundadas em aterros de RCC e resíduos inertes brasileiros tem refletido no pouco conhecimento gerado sobre as características qualitativas dos lixiviados formados nesse sistema de disposição final. Em alguns países desenvolvidos – EUA, França e Alemanha – estudos sobre as características qualitativas dos lixiviados de RCC são mais consistentes. Porém, muitos dados presentes na literatura são referentes a estudos realizados no exterior, em países com clima temperado, e características diferentes dos aterros brasileiros.

Portanto, esse estudo se reveste de importância por investigar em âmbito nacional a influência de lixiviados de aterros de RCC na qualidade dos recursos hídricos, com intuito de suprir a carência de estudos nessa área de conhecimento e permitir o aprimoramento de procedimentos de projeto, execução e operação de aterros de RCC. O presente artigo tem como objetivo principal apresentar estudo que investigou o potencial de contaminação de lixiviados gerados em aterros de resíduos da construção civil por meio de dois experimentos em lisímetros (colunas de lixiviação), e assim avaliar os cenários de disposição final de RCC mediante simulações.

Autores: Rodrigo Eduardo Córdoba e Valdir Schalch.

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