saneamento basico

Uso de modelo hidráulico para simular as condições operacionais do sistema de interceptação de esgoto da região metropolitana de São Paulo

Resumo

O sistema de interceptação de esgoto da Região Metropolitana de São Paulo é composto por diversas
instalações de variadas dimensões que encaminham os efluentes sanitários e industriais para as Estações de
Tratamento de Esgoto. Estas instalações estão sujeitas a diversos fatores que podem causar problemas como
afogamento das linhas coletoras, extravasamentos através de poços de visita em vias públicas e em corpos
hídricos, ou o retorno de esgoto aos domicílios. A modelagem hidráulica do sistema de interceptação
possibilita simular várias condições operacionais das instalações de esgotamento sanitário. O objetivo deste
trabalho é apresentar como a modelagem hidráulica tem auxiliando na tomada de decisões das áreas de
operação, planejamento e engenharia.

Introdução

O sistema de afastamento de esgoto sanitário é composto por interceptores, coletores-tronco e estações
elevatórias de esgoto (EEE), sendo responsável por transportar o esgoto coletado das economias para uma
Estação de Tratamento de Esgoto (ETE).

Na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) existem cinco grandes ETEs – ABC, Barueri, Parque Novo
Mundo, São Miguel e Suzano – que somadas tratam em média 20 m³/s de esgoto, atendendo a 23 municípios.
Para conduzir esta vazão, a unidade responsável pela interceptação opera mais de 320 km de coletores-tronco,
178 km de interceptores de esgoto e 23 estações elevatórias de esgoto. As dimensões das tubulações operadas
variam de 600 mm de diâmetro até seções de 4.500 mm, com exceção de algumas linhas coletoras em
municípios permissionários, no caso Santo André e São Caetano, nos quais existem diâmetros inferiores a 600
mm. As EEEs têm capacidades de recalque que variam de 1 l/s até 6.000 l/s, e tendo a maior altura
manométrica de 69 metros. A Figura 1 apresenta a localização das instalações operadas pela Unidade de
Tratamento de Esgotos da Metropolitana da Sabesp, em que os pentágonos vermelhos são as ETEs, os
triângulos azuis são as EEEs, as linhas marrons são as linhas coletoras operadas, e as linhas em preto são os
limites de município.

sistemas-hidraulicos

Com instalações destes portes existe a necessidade de estudar os diversos comportamentos hidráulicos que
podem ocorrer, como os afogamentos das linhas coletoras, que podem causar extravasamentos através de
poços de visita em vias públicas e corpos hídricos, e também provocar o retorno de esgoto aos domicílios. A
causa do afogamento da linha coletora pode ser devido a entrada clandestina de águas pluviais nas redes de
esgoto, ou a paralisação de uma bomba na EEE, ou ainda devido a obstrução de alguma tubulação a jusante.
Estes problemas ameaçam a saúde da população, dos corpos hídricos, e podem afetar a operação da ETE.

A definição de modelo por Tucci (2005) é “a representação de algum objeto ou sistema, numa linguagem ou
forma de fácil acesso e uso, com o objetivo de entendê-lo e buscar suas respostas para diferentes entradas. ”

A modelagem hidráulica é a ferramenta que possibilita estudar o comportamento das instalações, simulando as
diversas condições operacionais através de informações dos desenhos técnicos que apresentam as
características das instalações, das informações da operação que indicam por exemplo como estão as cotas
operacionais de uma EEE, e os dados de vazões.

O objetivo deste trabalho é apresentar de que forma as áreas de operação, engenharia e planejamento tem se
beneficiado de resultados obtidos pelas simulações do sistema de interceptação da RMSP através de software
de modelagem hidráulica.

Autor: Pedro Kayo Duarte Arashiro.

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