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A permacultura como estratégia de educação ambiental formal: potencialidades e limitações

Resumo

Este trabalho apresenta o estudo de caso baseado na experiência autoral desenvolvida através do projeto “Permacultura na escola”, realizada na Escola Básica Municipal Maria Conceição Nunes, em São João do Rio Vermelho, Florianópolis. O objetivo principal foi analisá-lo a fim de verificar seus potenciais e limitações pedagógicas no âmbito da permacultura, buscando servir como estratégia de ensino à educação ambiental formal.

A revisão bibliográfica foi fundamentada em monografias e teses de mestrado no portal CAPES da biblioteca universitária da UFSC, livros, periódicos e artigos científicos online. Como metodologia foram realizadas entrevistas direcionadas aos professores, alunos e funcionários da escola, buscando sua compreensão a respeito do tema e das atividades que foram realizadas. Os resultados encontrados apresentaram como potenciais: a compreensão dos conceitos básicos da permacultura, a sensibilização e o interesse sobretudo nas atividades vinculadas à horta-mandala e à horta-mundo pelos alunos; a conscientização ambiental das merendeiras, principalmente, com relação as atividades baseadas na reciclagem dos resíduos orgânicos da cozinha (composto) e de plantio de alimentos.

Já o corpo docente apresentou-se como uma limitação, considerando que a maioria não se envolveu com o projeto e tampouco obtiveram uma capacitação formal para o mesmo. Conclui-se que a permacultura contribui para a conservação ambiental escolar e gera a transformação no comportamento e o entendimento dos alunos sobre o meio ambiente, cumprindo com o objetivo deste trabalho. Com relação ao projeto, conclui-se com algumas demandas consideradas importantes para a sua continuidade na escola, sendo elas: o incentivo à formação do corpo docente dentro desta temática, a mediação de um grupo de apoio extra escolar e sua inserção na grade curricular.

Introdução

A permacultura é uma filosofia, baseada em princípios éticos que são pautados em três pilares: cuidado com a Terra, que implica cuidar das coisas vivas e não vivas, como solos, espécies, águas, ar, com atividades inofensivas e de conservação; cuidado com as pessoas, de forma a suprir as necessidades básicas de alimentação, abrigo, educação, trabalho satisfatório e contato humano saudável; e o cuidado com os excedentes que pressupõe que supridas as necessidades básicas e projetados nossos sistemas da melhor forma possível, poderemos auxiliar outros no alcance destes objetivos. Mantém ainda uma ética de vida, a qual reconhece o valor intrínseco a todas as formas de vida, e com isso permeia todos os aspectos dos sistemas ambientais, comunitários, sociais e econômicos (MOLLISON, 1994).

Além dos princípios éticos, a permacultura agrega um método de planejamento de ambientes, os quais são fundamentados em outros doze princípios que levam em consideração a relação entre os elementos naturais e humanos num dado espaço geográfico. O planejamento é organizado segundo setores e zonas energéticas que estão relacionados com a organização harmônica destes elementos, ou seja, de maneira a não agredir o meio ambiente e nem os seres vivos. Sua organização é relacionada com as condições do meio, de acordo com o uso, consumo e manejo. Está relacionada, portanto, a uma visão de mundo holística e sustentável.

A importância de se desenvolver uma visão holística sobre o mundo, é de que entendemos que cada qual tem uma devida função e sentido em se manifestar a sua maneira. É nesta coletividade e interrelação que são construídos conhecimentos, valores, competências e atitudes necessárias para o bem-viver comum. LEGAN (2007, pg 3) adverte que “a verdadeira EA só acontece na vivência prática com o ambiente, descobrindo nosso impacto e nosso potencial de restauração”, e assim é a permacultura.

Seu desenvolvimento dentro da escola visa a transformação da mesma, possibilitando entre muitos aspectos, a revitalização do pátio escolar através do método de planejamento e dos princípios permaculturais, tornando-o um espaço educativo de múltiplos conhecimentos, valores e saberes. Apresenta-se como um tema transversal, influenciando também no desenvolvimento do caráter emancipatório dos sujeitos (alunos, professores, funcionários) e a construção de uma cultura escolar de sustentabilidade.

A educação emancipatória valoriza “a autonomia, e a independência, não apenas política, mas também econômica”, visão que se aproxima, entre muitos outros aspectos, da visão da permacultura.

Neste trabalho, é apresentado o estudo de caso baseado na experiência autoral com o projeto “Permacultura na escola”, desenvolvido na Escola Básica Municipal Maria Conceição Nunes, em São João do Rio Vermelho/Florianópolis. Este projeto teve início em 2013 e foi inspirado na filosofia da permacultura, desenvolvendo atividades relacionadas sobretudo à prática de ensino no pátio escolar. Envolveu alunos do 5o ao 7o ano do ensino fundamental, duas professoras, entre outros eventuais auxiliares.

O objetivo geral foi analisar quais foram os potenciais e as limitações relacionadas ao processo pedagógico nele desenvolvido. Para tanto, como metodologia foram realizadas entrevistas direcionadas aos alunos, professores e funcionários que estavam envolvidos com o mesmo, além de conversas presenciais com a professora Cátia Fernanda (Auxiliar do laboratório de Ciências da escola), a qual conduziu o projeto em parceria neste mesmo período, e ainda nos anos seguintes.

A importância desta pesquisa se deu no sentido de avaliar os resultados a fim de auxiliar se possível, com algumas propostas e/ou demandas que ajudem a promover o ensino de permacultura nas escolas, além de outras práticas educativas que promovam, acima de tudo, o ensino da educação ambiental (EA) formal. Visto que há uma dificuldade docente em trabalhar a temática ambiental de forma transversal e reconhecer a importância de se realizar uma EA que atente para os aspectos sociais dentro das questões ligadas ao meio ambiente.

Neste sentido, é apresentado também uma revisão bibliográfica abordando: a definição da filosofia da permacultura, seu histórico, os princípios éticos e o sistema de planejamento de zonas e setores energéticos; o histórico referente às políticas públicas e propostas curriculares em educação ambiental desenvolvidas no município de Florianópolis, Santa Catarina e no Brasil; uma abordagem sobre a função social da escola, a fim de possibilitar um entendimento a respeito da necessidade de transformação que compete à EA e alguns exemplos de experiências em escolas nacionais e internacionais, que utilizam da EA e permacultura como metodologia de ensino.

Dentro da temática referente à função social da escola, é abordado a formação continuada dos professores através da visão da educação emancipatória abordada por Gadotti (2011) com referência em Paulo Freire, além de outras fontes pautadas em pesquisas online e literárias com base em intelectuais da educação.

Espera-se que os resultados deste trabalho possam servir como base de pesquisa para licenciados em Geografia e outras ciências, que tenham interesse em atuar no desenvolvimento e fortalecimento do processo de educação ambiental e com permacultura nas escolas e/ou espaços educativos, bem como a todos que se sentem de alguma maneira sensibilizados por este tema.

Autora: Petra Barbara Viebrantz.

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