saneamento basico

Importância da reserva florestal do Morro Grande na qualidade da água do sistema produtor Alto Cotia

Resumo

O Rio Tietê é o principal rio do Estado de São Paulo; a sua porção superior recebe o nome de Bacia
Hidrográfica do Alto Tietê (BHAT) e atravessa a Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), incluindo a
Capital do Estado, São Paulo, uma área densamente povoada, que requer complexas infraestruturas em todos
os aspectos, inclusive no saneamento, mais especificamente com relação a água e esgoto. As primeiras
soluções para abastecimento de água da Capital vieram de áreas de cabeceiras, entre o final do século XIX e o
começo do século XX, já que o Rio Tietê, que atravessava a cidade, era de qualidade duvidosa para
abastecimento público. Houve uma preocupação não somente em escolher áreas com o entorno preservado,
mas em proteger essas matas, desapropriando terrenos e criando grandes áreas de proteção, influenciando
positivamente na qualidade das águas. Nem todos os sistemas foram tão bem planejados e protegidos no início,
sendo povoadas as margens de represas, causando poluição e prejuízos à qualidade de suas águas. Para se
avaliar a qualidade das águas de um sistema de abastecimento da RMSP, foi escolhida a Bacia do Alto Cotia,
pertencente ao sistema produtor homônimo, que se localiza na Reserva Florestal do Morro Grande (RFMG),
no município de Cotia. Foram utilizados dados de monitoramento das águas realizado pela Companhia
Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB), sendo utilizados para análise os índices: Índice de Qualidade
das Águas (IQA), Índice de Qualidade das Águas Brutas para Fins de Abastecimento Público (IAP), Índice do
Estado Trófico (IET), Índice de Qualidade das Águas para Proteção da Vida Aquática (IVA) e Índice da
Comunidade Fitoplanctônica (ICF). Os resultados, com exceção de algumas amostras em certos parâmetros,
apresentaram índices de qualidade entre regular e ótimo, o que mostra a importância de se preservar as matas
do entorno de mananciais.

Introdução

Quanto melhor for a qualidade da água no manancial, menos se gastará com o tratamento da mesma para
abastecimento público. Por outro lado, o não tratamento e a disposição inadequada dos esgotos sanitários
poderá comprometer a qualidade dos corpos d’águas, também encarecendo o processo de tratamento de água
para abastecimento a jusante, quando se há condições de ser usada para tal finalidade.

Quanto melhor for a qualidade da água tratada fornecida, mais se evitará que doenças sejam transmitidas. Isso
também vale para o tratamento dos esgotos, pois uma água poluída contribuirá para o aumento de casos de
doenças de veiculação e de transmissão hídricas.

O Rio Tietê é o principal rio do Estado de São Paulo. No início de seu curso, a Bacia Hidrográfica do Alto
Tietê (BHAT) atravessa a Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), a maior região metropolitana do país, que possui uma das maiores cidades do mundo: a Capital do Estado, São Paulo. Essa bacia corresponde à Unidade de Gerenciamento de Recursos Hídricos (UGRHI) 6 – Alto Tietê (AT). Uma área densamente povoada requer complexas infraestruturas em todos os aspectos, inclusive no saneamento, mais especificamente com relação a água e esgoto. Abastecer essa região não é uma tarefa fácil. Desde o final do século XIX, isso já era um problema para a Capital.

As primeiras soluções vieram de áreas de cabeceiras, entre o final do século XIX e começo do século XX, ao norte (Sistema Cantareira velho), oeste (Sistema Alto Cotia) e leste (Sistema Rio Claro) da bacia, que eram longe da cidade de São Paulo e demandavam muitos quilômetros de tubulações, já que o Rio Tietê, que atravessava a cidade, era de qualidade duvidosa para abastecimento público.

Após a construção do Sistema Cantareira Velho, segundo FPHESP (2009), a busca de novos mananciais para abastecimento da cidade gravitava em torno da questão de quais seriam as melhores águas indicadas para o consumo humano. A principal variável na escolha das fontes era o seu perfil sanitário, pois se acreditava que as águas originadas nas cabeceiras e nascentes dos rios eram naturalmente puras, dispensando o tratamento. Esses parâmetros estavam definidos no Código Sanitário, promulgado em 1894, reunindo as normas de higiene e saúde pública a serem seguidas pela população. Devido à crise no abastecimento e ao temor da transmissão de doenças pelas águas do Rio Tietê, que possuía um estado sanitário duvidoso devido aos dejetos nele lançados, que não eram escoados em períodos de estiagem, optou-se em 1912 por aduzir o Rio Cotia, no município de Cotia, localizado mais próximo da Capital em relação ao Rio Claro (que se localiza entre os municípios de Salesópolis e Biritiba-Mirim), que foi construído posteriormente.

Segundo FPHESP (2008), em 1912, então se iniciou o projeto do Sistema Alto Cotia; as obras se iniciaram em 1914 e foram concluídas em 1916, com a construção da barragem velha da Cachoeira da Graça. Nesse período, o Governo realizou a desapropriação de um território de mais de 10.000 hectares de toda a área da bacia hidrográfica formada pelas cabeceiras do Rio Cotia. Essas desapropriações formaram uma grande área verde, que em 1979 foi denominada Reserva Florestal do Morro Grande.

Para os primeiros sistemas de abastecimento, houve uma preocupação não somente em escolher áreas com o entorno preservado, mas em proteger essas matas, desapropriando terrenos e criando grandes áreas de proteção, influenciando positivamente na qualidade das águas.

Nem todos os sistemas foram tão bem planejados e protegidos no início, como foram os casos dos Sistemas Guarapiranga e Billings / Rio Grande, que foram criados com o intuito de geração de energia e posteriormente foram aproveitados para abastecimento público. O entorno dessas represas é povoado, causando poluição e prejuízos à qualidade de suas águas.

Para se avaliar a qualidade das águas de um sistema de abastecimento da RMSP, foi escolhida a Bacia do Alto Cotia, pertencente ao sistema produtor homônimo, que se localiza na Reserva Florestal do Morro Grande (RFMG), no município de Cotia.

Autores: Cintia Elena Nicolau e João Sergio Cordeiro.

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