saneamento basico

Diagnóstico do saneamento rural e sua relação com a saúde pública no município de Alpestre/RS

Resumo

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do ano de 2014, cerca de 33 % dos domicílios nas áreas rurais estavam ligados a redes de abastecimento de água, 68,7% depositavam os dejetos em cursos d’água ou em “fossas rudimentares” ou diretamente no solo a céu aberto (IBGE, 2014). O objetivo deste trabalho foi avaliar as condições do saneamento básico e a sua associação com a prevalência de casos de diarreia infantil na área rural do município de Alpestre, no estado do Rio Grande do Sul. A metodologia escolhida foi o estudo epidemiológico de corte transversal, e o levantamento de informações foi através de entrevistas domiciliares, com aplicação de questionário que identificou as condições do saneamento básico e socioeconômicas, além dos casos de diarreia infantil. Durante a pesquisa a campo, os domicílios foram entrevistados pelos autores e pelos Agentes Comunitários de Saúde. Os resultados mostraram associação das atuais condições do saneamento básico com a saúde das crianças da área rural; além disso, essas condições mostram-se relacionadas com problemas socioeconômicos e de condições das famílias. Conclui-se, portanto, a importância da aplicação da Política Nacional de Saneamento Básico, construindo programas no município que ampliem e melhorem as condições do abastecimento de água e do esgotamento sanitário na área rural, e por fim contribuindo para a saúde das crianças e da qualidade de vida das famílias.

Introdução

A consciência do impacto à saúde pública em decorrência do abastecimento de água com qualidade comprometida evoluiu desde John Snow e sua análise e resposta à epidemia de cólera em Londres em 1854 (LIGON e BARTRAM, 2016).

A partir disso, ficou mais claro que a salubridade do ambiente em determinado local está diretamente relacionada ao saneamento ambiental, que de acordo com COSTA e GUILHOTO (2014), seria o conjunto de atividades relacionadas ao tratamento de água e esgoto, coleta, tratamento e disposição de resíduos sólidos e práticas de higiene e que cuja finalidade é a melhoria na qualidade de vida urbana e rural.

A Lei nº 11.445 de 2007, que estabelece as diretrizes nacionais do saneamento básico, coloca como um dos princípios fundamentais a universalização do acesso. No entanto, as políticas públicas de expansão dos serviços de saneamento até o século XX foram centradas nas áreas urbanas dos municípios que privilegiaram o abastecimento de água em detrimento do esgotamento sanitário, contribuindo para a desassistência da população que reside nas áreas rurais e que ainda sofre com o déficit de atendimento dos serviços básicos de saneamento.

O conceito de diarreia é a alteração do funcionamento gastrointestinal e o consequente aumento da frequência por dia de evacuações com excesso de água, o que causa consequentemente a desidratação do indivíduo (NASCIMENTO, 2014). De acordo com CAMPOS et al. (1995) “a diarreia constitui uma das principais causas de morbimortalidade em crianças menores de cinco anos de idade, principalmente em menores de um ano, e, por isso, é considerada um grave problema de saúde pública”.

A não disponibilidade de água potável, o saneamento inadequado e a higiene precária é a causa de 88% das mortes por diarreia, sendo a segunda maior responsável por mortes em crianças menores de 5 anos, no mundo. Entre as medidas estão a disponibilidade – qualitativa e quantitativa – de água; disposição adequada e tratamento dos efluentes domiciliares; e promoção do saneamento básico em toda comunidade (PAZ et al., 2012).

Autores: Raphael Corrêa Medeiros e Nicole Bavaresco Rezende.

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