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Sistemas de geração distribuída: viabilidade econômica e tarifas de energia elétrica

Resumo

O presente trabalho propõe um método de cálculo simplificado que poderá ser empregado como ferramenta de decisão gerencial para evidenciar os limites da viabilidade econômica de um projeto de geração distribuída de energia elétrica. Para tanto, foram utilizadas as fórmulas clássicas da matemática financeira na construção de um modelo que gera cenários futuros a partir das possíveis associações entre duas variáveis fundamentais: o incremento tarifário esperado da energia elétrica, e o custo econômico de oportunidade do capital. Um exemplo de aplicação do modelo é apresentado, no qual os diversos cenários projetados partem de uma tarifa inicial de energia elétrica de 0,62 R$/kWh, e de um custo máximo estimado em R$ 0,78/kWh, para um projeto de geração de energia distribuída. A aplicação do modelo proposto demonstra que o máximo custo unitário de capacidade instalada, viável economicamente, para o caso do sistema tomado como exemplo, seria um valor em torno de R$ 8.500,00 por kW instalado de potência ativa, incluídos CAPEX e OPEX, e expresso a valor presente. O modelo também demonstra que o sistema assumido como exemplo somente se tornaria viável na hipótese de as tarifas de energia elétrica sofrerem um incremento real mínimo de 2,8 % por ano, consecutivamente, todos os anos, ao longo de duas décadas e meia – condição futura talvez pouco provável no contexto brasileiro, mas, de qualquer forma, tornada clara e explícita graças à aplicação do modelo proposto. Assim, o modelo explica como o máximo custo aceitável para um sistema de geração distribuída pode ser afetado pelas expectativas quanto aos futuros incrementos nos valores tarifários da energia. Em síntese, o modelo proposto pode servir como uma ferramenta de decisão gerencial, capaz de tornar mais simples e mais imediata uma análise que, na falta dessa ferramenta, se tornaria bastante laboriosa e exigiria conhecimentos muito especializados de engenharia e de matemática financeira para ser bem executada.

Introdução

Os decisores em geral – dirigentes, executivos, engenheiros – defrontam-se com as ofertas de um mercado crescente de soluções tecnológicas de geração distribuída, baseadas em fontes diversas, tais como a luz solar, o vento, ou o gás natural, para mencionar apenas os exemplos mais comuns – isso num contexto que sugere tendências de escassez e valorização da energia.

Diante da complexidade das diferentes tecnologias disponíveis no mercado, os argumentos de vendas dos fornecedores de soluções muitas vezes confundem o gestor na sua tarefa de tentar avaliar as alternativas disponíveis, e os seus resultados numa perspectiva de longo prazo.

Em tal contexto, a decisão de se implantar um sistema de geração distribuída em uma situação específica seria normalmente justificável quando o sistema cogitado fosse capaz de atender a diversos critérios de gestão: critérios de confiabilidade operacional, de segurança, de sustentabilidade ambiental, e econômicos.

Sem desconsiderar a relevância de qualquer dos critérios mencionados acima, o presente trabalho focará o atendimento aos critérios econômicos relativos à implantação e operação de sistemas de geração distribuída, sob a premissa de que a viabilidade econômica é, em si mesma, extremamente relevante, mas nem sempre evidente, ou suficientemente clara, do ponto de vista do decisor.

Autores: Ary Haro dos Anjos Junior e Giancarlo Lupatini.

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