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Estimativa do potencial de utilização de água de reúso não potável para fins industriais na região metropolitana de Fortaleza – CE

Resumo

Os constantes quadros de escassez hídrica no Brasil, com especial destaque à região Nordeste, levam à necessidade de estratégias de gestão da oferta e da demanda para alívio da pressão sobre mananciais e garantia do abastecimento dos diversos usuários. O estado do Ceará possui quase a totalidade de seu território inserido no semi-árido e problemas crônicos de abastecimento, com especial destaque à Região Metropolitana de Fortaleza (RMF)
Com vistas à diversificação de fontes de água para abastecimento, a Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) buscou compreender as potencialidades do reúso de água não potável a partir de efluentes tratados de estações de tratamento de esgotos municipais a serem implantadas na RMF, visando ao incremento na oferta de água e na segurança hídrica da região. É necessário, para realização de estudos de viabilidade técnico-econômica da iniciativa, mapear os possíveis consumidores, compreender seu perfil de consumo, o interesse em adquirir água de reúso e as tarifas que estão dispostos a pagar.
Foram elencados diversos possíveis usos na região de estudo, e o industrial foi identificado como o mais relevante para aprofundamento do estudo. A partir disso, buscou-se, por meio de realização de pesquisa de campo e análise dos dados obtidos, assim como utilização de informações disponíveis em bibliografia e provenientes de órgãos oficiais, quantificar e mapear as demandas por água de reúso por parte da indústria, de modo que fosse possível estimar vazões preliminares para subsídio a etapas posteriores de projeto.
Este trabalho compila os principais resultados da pesquisa realizada junto a 95 indústrias localizadas na RMF entre junho e agosto de 2016; apresenta metodologia utilizada para ajuste dos dados primários; compara os resultados com dados oficiais disponibilizados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh); e realiza estimativa de demanda por água não potável na região de estudo.

Introdução

O Brasil detém 12% das reservas água doce do mundo e apresenta uma situação confortável, em termos globais, quanto aos recursos hídricos. Entretanto, a distribuição deste recurso no território nacional é heterogênea, sendo que aproximadamente 79% desta reserva se encontra na bacia do rio Amazonas (ANA, 2016; ANA, 2009). Somado a este fato, o crescimento rápido e desordenado da demanda, a concentração da população em áreas urbanas, a degradação da qualidade dos mananciais, a heterogeneidade climática e a baixa eficiência dos serviços de saneamento básico, acabam por submeter algumas bacias grandes estresses hídricos (ANA, 2016; REBOUÇAS, 1997).

Quando comparadas a disponibilidade e demanda por água, conforme imagem abaixo, ficam evidentes a localização dos principais pontos de estresse hídrico.

agua-reuso

Nota-se que três regiões principais com balanço hídrico em estado “muito crítico”: a região sul do país, devido ao alto consumo de água para irrigação; a região da Bacia do Rio Tietê, devido à grande demanda urbana relacionada a uma região de cabeceira; e o nordeste do país, devido aos baixos índices de precipitação, elevados índices de evapotranspiração e a irregularidade no regime hídrico (ANA, 2013). No caso destas regiões, a água se tornou um fator limitante para o crescimento agrícola, urbano e industrial (HESPANHOL, 2002).

O Estado do Ceará possui 85% do seu território inserido no semiárido e, atualmente, aproximadamente 46% dos seus reservatórios de água com volume armazenado abaixo dos 10%. (COGERH, 2017; PEREIRA, 2014) A série histórica frequência de ocorrência de eventos de seca aponta que a maioria dos municípios que possuem mais de 20 registros de seca, estão localizados neste estado (ANA, 2016).No caso da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), os dados do Governo Estado do Ceará (2016) mostram que a maioria destes está com volume de água está abaixo de 30%. No ano de 2012 o volume desses reservatórios era de 63,8% e em 2015, caiu para 18,8%, chegando, em junho de 2016, a 13,78%.

A Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) estuda a possibilidade da implementação de Estações Produtoras de Água de Reúso a partir de efluentes tratados de Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) municipais que serão implantadas na RMF. Os usos finais dessa água podem ser diversos, a depender de restrições legais, interesse dos potenciais usuários, nível de tratamento e da exequibilidade econômica de todo o processo de tratamento e distribuição. Uma vez que o Ministério da Saúde, por meio da Portaria 2.914/2011, restringe o uso de fontes alternativas coletivas para fins potáveis apenas a locais não há rede de distribuição de água e a situações de escassez de água em regiões isoladas (BRASIL, 2011), consumidores urbanos e rurais foram automaticamente excluídos do escopo. Portanto, foram avaliados os usos em irrigação, institucionais e industriais.

Este trabalho objetiva identificar as principais demandas industriais e o perfil dos potenciais usuários de água de reúso em oito municípios da RMF, de modo a subsidiar a tomada de decisão referente à produção e distribuição de água de reúso pela Cagece.

Autores: Marina Roque Oliveira; Bruno Nogueira Fukasawa; André Schramm Brandão; Claudiane Quaresma Pinto Bezerra e Virgínia Dias de Azevedo Sodré.

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