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80% dos córregos urbanos têm erosão ou acúmulo de lixo em Uberlândia/MG

Uberlândia tem 30 córregos que cortam o perímetro urbano, afluentes das bacias dos rios Uberabinha, Araguari e Tijuco. Pelo menos 20 dos 26 cursos d’água não canalizados passam por problemas de erosão, o que equivale a 77% dos mananciais, segundo levantamento de especialistas do Instituto de Geografia da UFU (IG-UFU). O problema é intensificado pelo modelo de drenagem da chuva, que já começou a ser alterado na cidade com a criação de bolsões de contenção e estabilização das águas pluviais.

A reportagem do CORREIO de Uberlândia visitou trechos de 15 dos 30 córregos urbanos e constatou problemas causados a partir do processo erosivo, como o assoreamento dos cursos d’água e o desabamento das barrancas. Foi contatada também a escassez da vegetação ciliar, relacionada à ação humana, assim como a incidência de sujeira, tanto no entorno dos córregos, quanto nos cursos d’água, o que contribui para a poluição da água e entupimento das bocas de lobo, favorecendo alagamentos.

Segundo o professor do IG-UFU Sylvio Andreozzi, os córregos atuam como canais de escoamento das águas pluviais provenientes dos bairros. “Com a expansão urbana, no fim dos anos 1970, adotou-se a prática de lançamento da chuva diretamente nos córregos, o que os sobrecarregou, pois as águas correm mais rápido e chegam em maior volume nos afluentes quando correm sobre o asfalto, intensificando o processo de erosão”, disse Andreozzi.

A reportagem do CORREIO constatou, nos pontos dos córregos visitados, o uso de artifícios para conter a erosão, como matacões (rochas), gabiões (pedras protegidas por tela) e até entulho de construção. Ainda foram vistos dissipadores, que são estruturas de concreto fixadas no ponto de lançamento, considerada a principal forma de contenção dos impactos da drenagem usada na cidade, segundo o secretário de Obras, Fernando Nascimento. “Quando não há alternativas, propomos dissipadores de energia, com maior capacidade de amortizar a intensidade da chuva”, disse Nascimento.

Segundo a professora do IG-UFU Ângela Maria Soares, estas estratégias são paliativas. “Diminuem a velocidade das águas, mas por pouco tempo, já que a própria erosão as leva embora”, disse a pesquisadora.

População descarta lixo nas águas

A reportagem do CORREIO de Uberlândia também constatou o descarte de lixo no entorno e até mesmo no curso dos mananciais em trechos dos 15 córregos visitados, como panfletos, colchões, recicláveis e até mesmo uma bicicleta – em maior nível nos córregos Liso, Buritizinho e Campo Alegre, onde há água turva e forte odor. Nos locais, há grande ocorrência de pés de mamona, que indicam a presença de sujeira, segundo o professor Sylvio Andreozzi.

José Abadio Pires, morador do bairro Nova Uberlândia, zona sul, disse que o descarte de lixo pela comunidade é comum no entorno do córrego Bons Olhos. “Tem de tudo, desde o lixo das casas até animais mortos”, disse Pires. O problema também afeta os moradores do entorno do córrego Buritizinho, no bairro Roosevelt, zona norte, onde Gabriella Oliveira tem um salão de beleza. “A grande quantidade de lixo e o cheiro forte atrapalham a clientela”, disse Gabriella.

Segundo o secretário de Obras, Fernando Nascimento, apesar da cidade ter de coleta de lixo, ainda existe o problema cultural, do descarte de lixo nos córregos pela população. “Quando esse rejeito não é canalizado para a rede de esgoto, entupindo bocas de lobo e causando inundação, ele polui os córregos, bolsões e lagoas, levando à sedimentação dos mananciais e onerando a manutenção pelo poder público”, disse o secretário de Obras, Fernando Nascimento.

Degradações estão em diferentes estágios

Embora 70% dos córregos urbanos de Uberlândia sofram com processos de erosão, a degradação se encontra em diferentes estágios, em função das diferentes formas de ocupação urbana. O CORREIO de Uberlândia destaca cinco córregos em condições distintas, a partir de análise da professora do Instituto de Geografia da UFU (IG-UFU) Ângela Maria Soares e de relatório da Secretaria de Meio Ambiente.

Pelo menos 16 córregos urbanos já estão em avançado estágio de erosão, segundo a pesquisadora. “Além de problemas, como assoreamento, mudança do curso do córrego e perda de vegetação ciliar, pode intensificar os desbarrancamentos das margens, impactando a comunidade do entorno”, afirmou ela. Outros córregos têm trechos ainda não atingidos pela expansão urbana e, embora passem processos erosivos, têm potencial de recuperação, desde que formas não convencionais de drenagem da chuva sejam empreendidas.

Há também os afluentes que podem ser considerados exemplares, por já contarem com medidas de contenção do impacto da drenagem das águas pluviais, como os bolsões, e por passarem por formas alternativas de ocupação urbana, aliadas a parques lineares e parques municipais, em muitos casos, segundo relatório da Secretaria de Meio Ambiente, construídos com investimento de empresas que têm loteamentos aprovados na região, como forma de amortização.

Fonte: Jornal Correio
Foto: Cleiton Borges

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