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DF pode racionar água e cobrar tarifa até 40% maior em novembro

O Distrito Federal pode entrar em estado de restrição de abastecimento de água até novembro, se a capacidade dos reservatórios continuar a cair. Se isso ocorrer, a Agência Reguladora de Água do DF (Adasa) deve aplicar uma tarifa de contingência que pode aumentar em até 40% o preço das contas de água. A medida entra em vigor quando um dos reservatórios – do Descoberto ou de Santa Maria – atingir 25% da capacidade. Pela velocidade de queda no reservatório do Descoberto, o órgão estima tarifa maior em duas semanas.

O volume útil do reservatório atingiu 28,92% nesta sexta-feira (14), de acordo com dados de monitoramento da Adasa. O estado de restrição é adotado quando a capacidade fica abaixo dos 20%.

O DF está em estado de alerta desde 16 de setembro, quando os níveis do Descoberto chegaram a um índice inferior a 40%. Segundo a Adasa, a situação na capital é a pior nos últimos 30 anos.

Na última quarta (12), o volume do Descoberto ficou abaixo de 30% pela primeira vez na história, segundo a Adasa. O reservatório de Santa Maria tinha volume útil de 45% na sexta. Os dois são responsáveis por abastecer 85% da população do DF.

Pela velocidade de vazão do Descoberto, que provocou queda de 10% no volume útil em menos de um mês, o reservatório pode operar com 19% da capacidade em menos de quatro semanas. A barragem entrou em “estado de atenção” no dia 17 de setembro, quando atingiu 39% do volume. Na quarta, estava com 29,78%.

O reservatório de Santa Maria está próximo de entrar em “estado de alerta”. O reservatório pode operar abaixo dos 40% na segunda semana de novembro se a velocidade média de queda se mantiver. As duas últimas baixas de 5% da capacidade ocorreram respectivamente no intervalo de 22 e 26 dias.

A queda na capacidade de ambos os reservatórios só não foi registrada uma vez entre 15 de setembro e 14 de outubro. No Descoberto, o volume aumentou em 0,3%, em 6 de outubro, e no de Santa Maria não houve alteração do dia 26 para o dia 27 de setembro. Nos demais dias, a média de baixa foi de -0,4% e -0,2%, respectivamente.

A previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) é de que ocorram chuvas isoladas até a próxima quarta (19). A expectativa é de chuvas mais fortes apenas na última semana de outubro. O volume deve aumentar em novembro, de acordo com o instituto.

Quando o DF entrou em estado de alerta, em 17 de setembro, a Adasa anunciou que a água potável seria suficiente apenas para os próximos 73 dias. Pela estimativa, em 28 de novembro o Distrito Federal poderia ficar sem abastecimento de água potável.

Tarifa de contingência
Se for implementada, a tarifa vai poupar pelo menos 292,8 mil imóveis do DF – o equivalente a 45,76% dos consumidores da Caesb –, que utilizam menos de 10 mil litros de água por mês. O volume é suficiente para abastecer uma família de quatro habitantes, em média. Pelas regras, só esse grupo e centros de saúde, como hospitais e hemocentros, ficam liberados da taxa extra.

A tarifa de contingência é amparada pela “Resolução nº 15”, de 16 de setembro de 2016, que colocou Brasília em situação crítica de escassez hídrica. A norma estabelece que contribuintes devem economizar entre 12% a 15% de água para evitar o valor extra na conta emitida pela Caesb.

Pela regra, famílias de baixa renda que consumirem acima dos 10 mil litros mensais estarão sujeitas a um reajuste menor, de 20%, em vez dos 40% que se aplicam ao restante da população. O mesmo desconto vale para todos os comércios e indústrias, independentemente do porte.

Sistema complexo
Mesmo se a previsão do Inmet for confirmada e a chuva voltar a cair no DF ao final de outubro, pode levar um tempo para que os reservatórios atinjam níveis acima de 60%, índice considerado fora da zona de perigo. Normalmente, a situação mais crítica é registrada entre novembro e dezembro, no fim da estação seca. Por isso é importante que os consumidores adotem medidas permanentes de economia, diz a Adasa.

Os reservatórios são abastecidos pela chuva direta (que cai sobre o estoque de água) e pelos rios afluentes, que estão mais fracos nessa época do ano. Para que os rios voltem à força habitual é preciso que a chuva penetre no solo e chegue aos lençóis subterrâneos, em um processo mais demorado. Dias quentes e secos aumentam a evaporação dos reservatórios, reduzindo a água disponível para uso.

Em contato com o G1 em 16 de setembro, o presidente da Adasa, Paulo Salles, negou que o assunto tenha sido tratado com negligência pelo governo. Segundo ele, o DF estava atento para evitar problemas no médio e no longo prazo.

O dirigente disse que entre as soluções encontradas para combater a crise hídrica está a construção de três novos sistemas de captação e distribuição. Pelo cronograma do Buriti, os modelos devem entrar em operação até o fim de 2018.

Fonte: G1

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