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Laudo confirma contaminação de rio de MT após despejo de esgoto

O resultado das amostras da água do Rio Vermelho, em Rondonópolis, a 218 km de Cuiabá, no qual foram despejados milhões de litros de esgoto sem tratamento em setembro e outubro por causa de uma falha numa elevatória da companhia de saneamento, apontaram que houve contaminação. Dois inquéritos sobre o caso tramitam atualmente, sendo um no Ministério Público do Estado e outro na Polícia Civil.

As amostras foram coletadas recentemente. “O que os laudos apontaram é que realmente houve contaminação, que a água estava fora dos padrões. E eu digo estava porque o próprio é resiliente. O rio desce, ele não para, então ele mesmo vai se absorvendo e vai se recuperando com o tempo”, disse o promotor do meio ambiente Marcelo Vacchiano.

Provocar a poluição das águas, ainda mais com mortandade de peixes, como foi o caso do Rio Vermelho, é crime gravíssimo previsto pela legislação, informou Vacchiano.

“Então isso aí [o resultado das amostras] já vai servir para o andamento das investigações no inquérito policial e também no inquérito civil que ainda é conduzido no Ministério Público visando a investigar a extensão e apurar as responsabilidades”, disse.

Para a presidente da Organização Não-Governamental Grupo Arareau, além de despejar repetidas vezes o esgoto sem tratamento, o que configura crime ambiental, o Sanear (Serviço de Saneamento Ambiental de Rondonópolis) e o município não realizaram as ações de emergência que visam a garantir a população de Rondonópolis e de toda a região Sul conhecimento sobre a gravidade do problema.

“Nós fizemos um passeio de barco por entre o rio, com uma equipe técnica, e nós vimos pessoas pescando, crianças tomando banho no rio, os ranchos na rodovia do peixe recebendo pessoas, um cheiro insuportável. O contato com essa água é extremamente perigoso para a saúde humana. Para os peixes então, sem comentários. A população tem que ser realmente esclarecida do nível de perigo ao qual está exposta”, disse Patrícia Karina Barbosa, presidente da ONG Arareau.

O MPE entrou no caso a pedido da Associação dos Pescadores e Ambientalistas e conseguiu na Justiça uma liminar que bloqueou cerca de R$ 8 milhões das contas do municípo e do Estado para a realização de obras emergenciais visando a melhoria no sistema de esgotamento, obras que ainda não começaram.

Solicitou também junto à Secretaria Estadual de Meio Ambiente a realização de uma análise da água. As amostras foram coletadas de forma conjunta com pesquisadores do laboratório de Recursos Hídricos de Rondonópolis da Universidade Federal de Mato Grosso.

“A partir do momento que se tem caracterizado lançamento de efluentes domésticos, com óleos e graxas, coliformes fecais, isso tudo já torna a água do rio vermelho imprópria para banhos e uso de recreação primária”, disse Simone Loverde, doutora em Ecologia.

A investigação do MPE sobre o caso deve ficar pronta em até 60 dias e a da Polícia Civil não tem prazo para ser concluída.

Enquanto as apurações continuam, pescadores seguem pescando no Rio Vermelho, ferindo a legislação ambiental, já que está em vigor o período da piracema, e também correndo risco de contaminação.

Fonte: ExpressoMT

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