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Produtividade sob ameaça no Vale do São Francisco

Para se adequar à realidade hídrica de Sobradinho, os polos produtivos da região cortados pelo lago terão que mudar o processo de captação de água a partir da próxima segunda-feira. Isso porque, o principal reservatório para geração de energia do Nordeste terá sua vazão reduzida de forma gradativa pela Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), o que limitará a quantidade do recurso usado para irrigar as plantações.

Água não irá faltar, garantem os especialistas, mas os custos dos produtores irão aumentar, o que pode afetar a rentabilidade e a competitividade dos negócios no mercado externo. O Vale do São Francisco exporta, por ano, US$ 400 milhões entre mangas e uvas. No total de frutas, a movimentação chega a ser de US$ 1 bilhão.

Presidente da Associação dos Exportadores Hortigranjeiros e Derivados do Vale do São Francisco (Valexport), José Gualberto de Almeida disse que não é possível, ainda, mensurar os gastos financeiros, porque cada problema terá sua solução específica. “Mas podemos dizer que os produtores terão que mudar a estrutura das bombas e a captação de água”, elencou. Atualmente, o Vale tem cinco mil fruticultores, entre pequenos, médios e grandes.

Apesar de afetar a cadeia produtiva local, o diretor de Operações da Chesf, João Henrique Franklin, contou que essa foi a única maneira encontrada para preservar a pouca água que resta no reservatório, que atualmente está com 6% da sua capacidade.

“O principal tema discutido é a segurança hídrica para dar condições ao abastecimento humano e à produção de alimentos na região do São Francisco. O abastecimento energético está garantido por outras fontes”, destacou.

Ele explicou ainda que a diversificação da matriz energética e a transferência de energia de outras regiões pelo Sistema Interligado Nacional (SIN) vêm assegurando menor dependência da energia gerada pelas águas do Rio São Francisco. Atualmente, 25% da demanda de energia elétrica do Nordeste está sendo atendida pela produção hidrelétrica, outros 25% a partir de termelétrica, 30% por meio da eólica e 20% com transferência de energia do Norte e do Sudeste. Ou seja, segundo Franklin, não há risco de desabastecimento na Região.

Com a redução para 750 metros cúbicos por segundo (m³/s) e a possibilidade de chegar a 700m³/s, o Velho Chico alcança a menor vazão histórica desde 1979, quando Sobradinho foi inaugurado. “Essa seca prolongada, desde 2013, mostrou a importância do lago para a regularização da vazão e para a garantia da segurança hídrica do Nordeste. Caso não existisse a barragem, a situação estaria muito mais crítica para os usuários e vazões inferiores a 400 metros cúbicos por segundo teriam sido registradas nos anos de seca”, explicou o diretor de Operação da Chesf.

Fonte: FolhaPE

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