A retomada das obras da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Vargem Limpa, em Bauru, nesta terça-feira (28 de julho), deve marcar uma mudança de conceito no saneamento da cidade.
O novo projeto prevê a adoção de um sistema biológico inédito no País. Para a remoção de fósforo e nitrogênio.
Além disso, contempla a geração de energia elétrica a partir do biogás produzido durante o tratamento do lodo. E a transformação dos resíduos em fertilizante agrícola.
Com essas tecnologias, a futura ETE tem potencial para se tornar uma das mais modernas e eficientes do Brasil.
Ao mesmo tempo, permitirá que o município alcance, pela primeira vez, 100% de tratamento de esgoto.
As informações foram apresentadas pelo diretor-presidente do Consórcio Saneamento Bauru (CSB), Nei Moreira. E pelo diretor Operacional do CSB, Renato Camargo.
Eles participaram de uma visita técnica à ETE.
Além disso, a agenda contou com a presença da prefeita Suéllen Rosim. Do presidente do Departamento de Água e Esgoto (DAE), João Carlos Viegas de Souza. Da secretária municipal de Infraestrutura, Pérola Zanotto. Do secretário de Governo, Renato Purini. E do chefe de Gabinete, Leonardo Marcari.
Também participaram os vereadores Markinho Souza, André Maldonado, Sandro Bussola, Marcelo Afonso e Edson Miguel.
Por fim, servidores da Prefeitura, do DAE e do Consórcio Saneamento Bauru (CSB) acompanharam a visita técnica.
O principal diferencial da ETE será a implantação da tecnologia holandesa Nereda, baseada em reatores biológicos de lodo granular. Segundo Nei Moreira, o sistema permitirá um nível inédito de remoção de fósforo e nitrogênio, substâncias responsáveis pela degradação dos rios e pela proliferação de plantas aquáticas no Rio Tietê, onde o Rio Bauru deságua, problema que já provocou impactos inclusive na hidrovia Tietê-Paraná.
“Levamos em consideração uma solução com um padrão tecnológico que imagino que colocará esta estação entre as dez mais eficientes do Brasil. Estamos prevendo uma remoção de fósforo e nitrogênio em um padrão que hoje não existe em nenhuma estação em funcionamento com essa tecnologia”, afirmou.
O projeto prevê ainda a construção de novos reatores circulares com fundações totalmente novas, substituindo parte das estruturas comprometidas por fissuras e problemas estruturais identificados na obra original. A decisão, segundo Nei, busca garantir maior segurança operacional e eficiência durante os 30 anos de concessão.
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ETE Vargem Limpa terá sistema inédito para tratar esgoto
Outro avanço previsto é o aproveitamento do biogás gerado pelos biodigestores para produção de energia elétrica. O diretor de engenharia da concessionária, Renato Camargo, explicou que o gás produzido durante o tratamento do lodo será convertido em eletricidade para abastecer a própria estação.
“A parte gasosa que sai dos biodigestores será transformada em energia elétrica. Toda a geração será reutilizada na ETE”, destacou. Embora a unidade não seja totalmente autossuficiente inicialmente, a expectativa é ampliar gradativamente a produção de energia.
Além da geração de energia, o projeto prevê que todo o lodo produzido no tratamento passe por biodigestão e compostagem, sendo convertido em fertilizante agrícola. Segundo Nei Moreira, serão produzidas cerca de 80 toneladas por dia de composto orgânico, que poderá ser comercializado.
“O lodo será transformado em fertilizante. É uma solução ambientalmente adequada e muito interessante para os produtores rurais. Além disso, resíduos como galhos e restos de poda também poderão ser utilizados na compostagem”, explicou. A receita obtida será compartilhada com o município, conforme prevê o contrato de concessão.
Segundo a prefeita Suéllen Rosim, a retomada das obras representa um marco histórico para o município, que hoje trata menos de 5% do esgoto produzido.
“Hoje a gente passa a escrever uma nova história. Nunca estivemos tão perto de realizar esse sonho. Bauru vai deixar para trás um dos piores índices de saneamento e caminhar para tratar 100% do esgoto”, afirmou.
Ela também destacou que a modernização da ETE deve melhorar os indicadores ambientais, fortalecer a economia local e tornar Bauru mais atrativa para novos investimentos.
“Essa obra é um compromisso com as próximas gerações. Estamos construindo uma cidade mais sustentável, com mais qualidade ambiental e preparada para o futuro”, concluiu.
O prazo da entrada em operação da ETE é para daqui a 36 meses, ou seja, 3 anos. Suéllen afirmou que cumprirá um compromisso que fez com os bauruenses, que é a fazer a entrega:
“Nem que seja o último ato. Nós vamos trabalhar para isso. Eu quero ter o privilégio de, assim como comecei o processo de solução do problema, de ter a oportunidade, como costumo brincar, apertar o botão e colocar essa máquina da estação para funcionar, nem que seja o último ato de 31 de dezembro de 2028, e cumprir um compromisso que fiz com os bauruenses, que é a fazer a entrega.”
Por fim, a prefeita vê a retomada da obra como de muita celebração:
“Aqui a gente tem a solução para a ETE Vargem Limpa e aqui a gente tem a solução para as drenagens da avenida Nações Unidas. Ou seja, vamos ter uma cidade com esgoto tratado e vamos ter uma avenida sem alagar, depois de quase 30 anos. Então, é motivo de muita celebração”, enfatizou.
Fonte: Sampi.NET
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