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Despoluição Baía de Guanabara

Rios poluídos expõem desafios e atrasos na despoluição da Baía de Guanabara

Despoluição Baía de Guanabara

Três anos após concessão, qualidade das águas nos rios da região permanece ruim; projetos seguem atrasados

O cenário da Baía de Guanabara expõe um contraste gritante entre a promessa de despoluição e a realidade dos rios que a alimentam. Três anos após o início da concessão de saneamento básico no Rio de Janeiro, em agosto de 2021, nenhuma alteração significativa foi registrada na qualidade das águas de rios da região metropolitana, como o Sarapuí e o Acari, classificados como extremamente poluídos. As informações são da Folha de São Paulo.

Embora a praia do Flamengo tenha apresentado melhoria expressiva na balneabilidade — com índices de 80% em 2024, próximos aos de Ipanema (86%) — a situação na maioria dos 46 pontos de monitoramento na bacia hidrográfica da baía permanece estagnada, segundo o Comitê da Bacia Hidrográfica da Baía de Guanabara (CBHBG).

O atraso na implementação dos coletores de tempo seco, que desviariam o esgoto dos rios para estações de tratamento, é um dos principais entraves. Esses projetos, previstos no edital de concessão com prazo de um ano para aprovação e conclusão até agosto de 2026, seguem pendentes de aprovação pela Agenersa (agência reguladora).

A Águas do Rio, concessionária responsável pelas obras, informou que investiu R$ 122 milhões até outubro de 2024 — apenas 5% dos R$ 2,7 bilhões prometidos. A empresa já iniciou intervenções na Ilha do Governador e Mesquita, com planos de ampliar para Nilópolis e Nova Iguaçu em 2025. Contudo, a previsão de conclusão dos coletores será ao menos dois anos mais longa que o prazo inicial.

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Em nota, o Governo do Estado do Rio declarou que o não cumprimento do cronograma poderá levar à aplicação de penalidades. Enquanto a Agenersa argumenta que a análise dos projetos é complexa e está em andamento.

Rios extremamente poluídos

Os dados do IQA (Índice de Qualidade da Água) entre 2021 e 2024 mostram que os rios da região oeste da bacia, como o Sarapuí, Acari e Botas, permanecem com classificação muito ruim (IQA entre 0 e 25). Na região leste, sob influência da APA Guapimirim, os índices são um pouco melhores, variando entre 52 e 67, considerados de qualidade média.

A presidente do CBHBG, geógrafa Rejany Ferreira, reforça que a despoluição da baía está diretamente ligada à limpeza dos rios:

“O esgoto continua chegando e deixa os rios extremamente poluídos. É essencial despoluí-los, mas sentimos que o processo ainda enfrenta muitos entraves burocráticos.”

A melhoria na praia do Flamengo é resultado de medidas como o desvio do poluído rio Carioca para o emissário submarino de Ipanema, a 4 km da costa, onde o esgoto é despejado no oceano. Essa intervenção, entretanto, é uma solução localizada e não reflete um avanço global na despoluição da baía.

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O engenheiro José Paulo de Azevedo, da Coppe/UFRJ, avalia que ações pontuais como essa criam a impressão de progresso, mas não atacam o problema estrutural:

“A Águas do Rio foi eficiente em mostrar serviço, mas essas soluções mágicas são o maior problema. Prometer despoluição em pouco tempo não é realista. As metas precisam ser cumpridas.”

Apesar de pequenos avanços, como o retorno de um ponto de monitoramento com qualidade boa em 2023 — algo que não ocorria desde 2016 —, a despoluição da Baía de Guanabara ainda enfrenta desafios técnicos, financeiros e burocráticos.

A realidade atual contrasta com as promessas de limpeza que já duram 40 anos. Deixando claro que, sem a recuperação dos rios, qualquer progresso será limitado e insuficiente.

Fonte: Diário do Rio

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