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Lixos do Irã, Índia e Vietnã são achados em praia paradisíaca de SP: ‘Perigoso’

Garrafas plásticas de diferentes países foram encontradas em uma praia paradisíaca de Peruíbe, no litoral de São Paulo. As embalagens são da Índia, Irã, Vietnam, Malásia, Camarões e da China. A suspeita é que os materiais tenham sido descartados por navios que circulam pela costa brasileira.

O monitor ambiental Márcio Ribeiro estava trabalhando como guia turístico, na última sexta-feira (3), na Praia Brava, que faz parte do Parque Estadual do Itinguçú. A praia costuma atrair surfistas por conta das fortes ondas e é considerada um paraíso intocado e escondido, já que a visitação só é liberada com o acompanhamento de monitores credenciados.

Durante a visita, enquanto falava sobre as belezas naturais do local para turistas, ele conta que se deparou com garrafas plásticas em uma área de vegetação, próxima a areia da praia. Ele se aproximou das embalagens e viu que elas pertenciam a diversos países.

“Elas estavam separadas, mas na mesma praia. Eu não estava trabalhando para recolher lixo, o foco não era limpar a praia, mas resolvi recolher. Depois, fui procurar na internet pelas embalagens. Achei o nome das empresas e onde foram fabricadas”, conta.

Garrafas plásticas

Uma garrafinha de água da Nongfu Spring, produzida no distrito de Xihu, na China, também foi encontrada por ele. A Nongfu Spring adere a um conceito de produto “natural e saudável”. Outra garrafinha de água veio da cidade de Johor, na Malásia, e uma embalagem com um rótulo em francês é de Yaoundé, em Camarões.

Além disso, o monitor ainda recolheu uma embalagem de óleo de girassol enriquecido com vitaminas A & D que, de acordo com o rótulo, é produzido em Teerã, no Irã. Outra embalagem recolhida contém uma espuma utilizada em reparos em geral e a fábrica onde foi produzida se encontra em Ho Chi Minh, no Vietnã.

Para a bióloga e oceanógrafa Ana Carolina Fornicola, as garrafinhas plásticas devem ter sido descartadas por navios que vem de outros países e passam pela costa brasileira. Segundo ela, os rótulos das embalagens estão com desgaste mínimo, resultado apenas do transporte na água e, depois, o contato com a areia.

“Antes de chegar em uma área limitada, antes da costa, eles fazem o descarte no meio do oceano e não necessariamente quando estão entrando no Porto de Santos. É muito comum os navios jogarem o lixo em alto mar, até para não pesar o navio, e dependendo da altura onde eles descartam, as correntes (marítimas) trazem até a costa”, disse.

Meio Ambiente

Neste caso das garrafinhas plásticas encontradas em Praia Brava, a oceanógrafa ainda acredita que, como a maioria das embalagens são provenientes de países orientais, todos os resíduos devem ter sido descartados por uma mesma embarcação.

Recentemente, outras embalagens foram encontradas em Peruíbe pela ONG Ecomov, na qual Ribeiro também atua como monitor ambiental. Elas foram encaminhadas para o laboratório da Universidade Santa Cecília, onde são feitas análises. As garrafinhas encontradas na Praia Brava também serão encaminhadas à universidade.

Poluição ambiental

Segundo Ana, o mais preocupante é que as garrafas plásticas e embalagens se transformam em microlixo. “A tampinha já é um perigoso microlixo para a tartaruga. O golfinho também pode engolir. O lacre em volta do gargalo da garrafa pode ficar preso em bico de aves, golfinhos, fazendo com que eles não consigam abrir a boca”.

As ondas do mar, de acordo com a oceanógrafa, ‘trabalham’ o plástico e ele vai se degradando em pequenos pedacinhos que impactam no meio ambiente, mas são invisíveis ao ser humano. “Não é que ele sumiu, ele se transformou em vários pedaços de plásticos e fica mais fácil dos animais ingerirem. Os peixes, as aves e todos os seres da natureza podem se alimentar disso”, reclama.

Ana diz ainda que o aparecimento das embalagens plásticas em uma área de preservação ambiental é ainda pior. “É um lugar totalmente protegido, sem impacto humano ou impacto mínimo, e o resíduo sólido chegou. Com o lixo, também chegam outros tipos de tóxicos que podem influenciar em toda uma cadeia nesse lugar. É bem preocupante”, finaliza.

Fonte: G1.

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