saneamento basico

Fábio Alho: ‘Agência reguladora ainda é pouco conhecida’

Responsável por vigiar o trabalho de empresas que atuam no Estado por concessão do poder público, a Agência Reguladora dos Serviços Públicos Concedidos do Amazonas (Arsam), vai usar a Internet, a partir de agora, como instrumento de pressão para apertar o cerco à Manaus Ambiental, responsável pelo abastecimento de água e esgoto na capital. Na página virtual da autarquia será possível acompanhar todas as notificações de advertência e sugestões de multa enviadas à Prefeitura de Manaus contra a empresa. Para o diretor-presidente da Arsam, Fábio Augusto Alho, essa é mais uma forma de incluir o cliente no processo de fiscalização do serviço de água e esgoto. Ele afirma que as gestões passadas da administração municipal não tinham interesse em punir a concessionária. Na entrevista à seguir, Fábio Alho diz que o monitoramento da rede de abastecimento de água e esgoto na capital, feito por GPS, permite a confirmação de denúncias de usuários sem a ida de técnicos aos bairros.

A Arsam, até pouco tempo, parecia tolerante demais com as empresas de serviço público fiscalizadas. O que mudou?
A Arsam hoje regula o transporte rodoviário intermunicipal, que é o transporte que sai da rodoviária de Manaus e vai para os municípios da Região Metropolitana; o gás canalizado, que é um serviço que está começando agora – tem dois anos; e o grande carro-chefe é a fiscalização do saneamento, no tocante à água e esgoto. Ainda temos diversas reclamações via Ouvidoria da Arsam, quanto à cobrança indevida, e abastecimento precário. Agora, de fato, nesse ano de 2014, a gente acompanhou uma redução das reclamações no que diz respeito ao saneamento. Não só na Arsam, mas no Procon também.

Por que? Não falta mais água?
Com o advento do Proama (Programa Águas para Manaus) e o acordo entre Prefeitura e o governo do Estado, nas Zonas Norte e Leste de Manaus, onde tinha um abastecimento precário feito por poços artesianos, hoje está sendo suprido (o serviço) por 24 horas. As reclamações reduziram em torno de 20%, principalmente no que diz respeito ao abastecimento de água.

Quais têm sido os resultados práticos das fiscalizações da agência?
Efetivamente, só nesse ano, nós já notificamos a empresa Manaus Ambiental 18 vezes. São notificações prévias que emitimos à concessionária, principalmente quando há algum vazamento ou problemas de rede onde o abastecimento é precário. Essas notificações já ajudam. Todas as advertências e sanções sugeridas para a Prefeitura aplicar na Manaus Ambiental, o prefeito Arthur Virgílio vem aplicando, vem dando essa confiabilidade nos processos da Arsam, e a própria Procuradoria Geral do Município vem aplicando essas sanções.

As multas aplicadas são cobradas?
São cobradas e estão sendo aplicadas pela Prefeitura, principalmente as (multas) passadas, onde não se havia um certo interesse…Hoje esses processos, com a nova Prefeitura Municipal de Manaus, foram resgatados e estão sendo aplicadas essas multas à Manaus Ambiental. Agora, há de se ressaltar que se prevê, no contrato de concessão, o direito à concessionária de recorrer dessas multas. Isso tem um processo formal e dá à concessionária o direito à ampla defesa e ao contraditório.

Como a população pode participar da fiscalização?
Efetivamente nós temos o site da Arsam. Temos também, geoprocessado, parte da rede de água e esgotamento sanitário da cidade de Manaus, e agora, com a Transparência, vamos passar a divulgar todas as notificações de advertência e sugestões de multa enviadas à Prefeitura de Manaus e à Manaus Ambiental. Nós vamos ter um link na página da Arsam. A população vai poder acompanhar se essa notificação foi atendida, se não foi, se a sugestão de advertência e sanções foram enviadas para a Prefeitura, e se isso se transformou em processo administrativo pela Procuradoria Geral do Município e foram aplicadas. Também temos um 0800, onde a população pode acompanhar não somente o processo dele, mas qualquer processo de advertência e multa que foi aplicada.

O que é o geoprocessamento?
Nós temos mapeado na cidade de Manaus toda a rede de água e esgoto. Então, muitas vezes o usuário vai na sede da Arsam, na Cachoeirinha (bairro), e diz: ‘olha, estou sendo cobrado aqui indevidamente pelo esgotamento sanitário, está vindo na minha conta a cobrança do esgoto’. Eu não preciso disponibilizar o engenheiro para ir lá na rua do usuário, no Mutirão, por exemplo. No geoprocessamento, vou via satélite, porque temos cadastrado isso via GPS, e sei se na rede do cidadão passa rede de água, rede de esgoto, para onde essa rede está levando esgoto, se tem licença do Ipaam para o funcionamento dessa estação de tratamento, se tem abastecimento de água regular, se vem do Proama, se vem da Ponta do Ismael. Pelo geoprocessamento, tenho essa informação, e o usuário também pode acompanhar isso simultaneamente.

A população tem espaço para reclamar?
Na medida do possível, tem. Alguns usuários não têm acesso às novas mídias, como facebook, twitter. Mas hoje, com a prática do celular, a pessoa pode não ter um telefone convencional, mas tem um celular e pode obter informações. Há uma abrangência maior na comunicação. Confesso que a agência reguladora ainda é pouco conhecida, até por ser uma autarquia muito jovem, tem apenas dez anos, mas o usuário hoje sabe que pode contar com a Arsam.

A Arsam, de fato, fiscaliza a Cigás?
Fiscaliza. Estamos fiscalizando a Cigás frequentemente. Só que, comparando com o saneamento, é um serviço pequeno, que pode ser fiscalizado de uma forma efetiva e tranquila – não que o outro não esteja sendo. Mas a Cigás atualmente tem apenas 43 quilômetros de rede de gás na cidade de Manaus e abastece seis termelétricas – hoje está ampliando essa rede de abastecimento para 50 fábricas no Distrito até o final do ano. Então, é um trabalho de fiscalização muito mais fácil. Além disso, toda a rede de gás é georreferenciada por cabo de fibra ótica. Todos os 43 quilômetros de rede que passam por Manaus são fiscalizados por um grande ‘Big Brother’, simultaneamente. A Cigás acompanha isso 24 horas e temos esse feedback. Já na água e esgoto temos, em média, 3.600 quilômetros de rede de água, mais 450 quilômetros de rede de esgoto. É uma extensão muito maior.

O senhor já recebeu o aval do novo governador para continuar fazendo o mesmo serviço?
Estamos trabalhando. Somos técnicos. Temos orientação de dar continuidade aos serviços, cada vez mais eficiente e mais prático, para atender toda a população do Amazonas.

Fonte: A Crítica
Veja mais: http://acritica.uol.com.br/noticias/Fabio-Alho-Agencia-reguladora-conhecida_0_1119488049.html

Últimas Notícias:
Como estruturas de drenagem evitam enchentes nos centros urbanos

Como estruturas de drenagem evitam enchentes nos centros urbanos?

Os projetos de Engenharia desempenham um papel essencial na preparação das grandes cidades para períodos de chuvas intensas. Na Grande São Paulo, obras de drenagem e intervenções em infraestrutura urbana contribuem para reduzir os impactos causados pelos temporais e ampliar a proteção de comércios, moradias e vias públicas.

Leia mais »