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A água é e continuará sendo um ótimo investimento daqui há alguns anos

A água é um excelente negócio. Daqui a alguns anos, será ainda melhor. Alguém duvida? Não deveria. Insumo essencial às indústrias e à sobrevivência das espécies, é fator essencial ao desenvolvimento das atividades empresariais e até mesmo ao processo civilizatório das sociedades.

Não por acaso, vários investidores compram áreas de nascentes e outros aplicam em empresas concessionárias de água e esgoto. Ambos miram décadas à frente. Sabem que a remuneração virá em taxas de retorno em índices mais do que satisfatórios. Fazem contas corretas e só assinam contratos visando a lucros crescentes.

O segmento água vai ficar cada vez mais importante, dada a projeção de provável escassez futura. Então, deter áreas e concessões para a exploração da água tornará pessoas e empresas mais poderosas. Tanto sob o ponto de vista econômico quanto político. Afinal, quem tiver o domínio do processo de captação, produção, controle de perdas e distribuição até chegar ao cliente final vai enriquecer e terá mais influência junto à comunidade da qual participa.

Em Joinville, o negócio da água e do esgoto está nas mãos do município, que controla a Cia. Águas de Joinville. Uma decisão correta, tomada em meados da década passada, que determinou alforria da Casan, até então dona do negócio e que, ao longo de décadas, revelou-se desinteressada em investir na melhoria das redes e em padrões técnicos aceitáveis. O papel do agente regulador – no caso de Joinville, é a Amae – é decisivo. Cabe-lhe fiscalizar a qualidade do trabalho da Águas e definir parâmetros de tarifas.

A legislação autoriza que a Cia. Águas de Joinville possa vender até 30% de seu capital à iniciativa privada. Claro que a ideia não passa pela cabeça dos gestores do negócio. A possibilidade, lógico, abre brecha para o capital privado – mesmo minoritário – aportar recursos se, adiante, o poder público não tiver mais capacidade financeira para bancar os necessários serviços de expansão de esgotamento sanitário para toda a cidade.

Praticamente universalizado o serviço de água, o problema, aqui, continua sendo o do tratamento de esgoto. Estamos em 2015, e a cobertura ainda não chegou a um terço da área do município. O índice oficial aponta para 32%. A meta é ambiciosa: chegar a 50% em 2018. Cumprido este objetivo, já terá sido um avanço bem razoável. Ao menos para os padrões brasileiros. Mesmo assim, é ruim notarmos que continuamos com uma demanda socioambiental do século 20. Países desenvolvidos e mais civilizados já superaram este ponto há muitas e muitas décadas.

De todo modo, há boas novidades na Águas. A mais recente, do dia 29 de maio, revela: a zona Sul de Joinville começou a receber a rede de coleta para tratamento de esgoto. Os investimentos somam R$ 82 milhões, sendo R$ 72 milhões de recursos do Orçamento Geral da União, e R$ 10 milhões da Companhia de Águas. A previsão é de que as obras estejam concluídas em três anos. Os recursos garantem a expansão dos serviços para dez bairros periféricos e atenderão a mais 20 mil casas, nas quais, enfim, o saneamento básico estará incorporado ao cotidiano, ampliando em 14% a cobertura.

Falar do assunto e lembrar da necessidade de economizar água em casa e em outros lugares privados e públicos, é dever de consciência para conosco mesmos – e com as próximas gerações.

A falta de chuvas, com real possibilidade de racionamento em São Paulo e em outros municípios da região Sudeste, foi conversa recorrente desde dezembro do ano passado até abril de 2015. Isso nos mostra o que pode nos esperar daqui a uns 20 anos aqui. É provável que a captação da água terá de ser feita mais longe, a onerar custos e elevar tarifas. Por isso, enxergar o futuro distante com olhos atentos, e com base em adequados estudos técnicos, nos garantirá qualidade de vida compatível com aquilo que queremos ser: uma cidade e um povo plenamente civilizados e prósperos.

 

 

Fonte: Clic RBS

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