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A perversa falta de Saneamento Básico no Nordeste brasileiro

Por: Édison Carlos
A falta de saneamento básico é perversa e prejudica sobretudo os mais pobres. Essa constatação é comprovada nas regiões com maiores desafios, o Norte e o Nordeste, que sofrem ainda mais por possuírem centenas de municípios muito pequenos e sem nenhuma capacidade técnica ou financeira para lidar com as dificuldades de levar água tratada, coleta e tratamento dos esgotos para todos os seus cidadãos. Ainda sem falar da grande área rural e comunidades isoladas, cujos desafios são ainda maiores nestas duas regiões.

Em outubro de 2013, o Instituto Trata Brasil, divulgou o Ranking do Saneamento que avaliou a situação das 100 maiores cidades brasileiras. Especificamente no Nordeste, os números oficiais mostraram que apenas 71% das pessoas possuíam acesso à água tratada e 21% tinham coleta de esgotos.

Salvador (BA) foi a melhor, mesmo assim apenas na 36ª posição no Ranking. A capital baiana tinha uma população de quase três milhões de habitantes, com 92,49% das pessoas com água tratada e 79,20% com coleta e tratamento de esgoto. A segunda melhor cidade entre as capitais nordestinas foi Fortaleza (CE), na 43ª. posição com 98,77% da população com água tratada e 53,63% com coleta e tratamento de esgotos.

Detentora de duas cidades-sede, a Copa do Mundo nada acrescentará ao saneamento. Recife (PE) ocupava a 69ª no ranking, com 35,54% das pessoas com esgotos coletados e tratados e Natal (RN) na 75ª colocada com 91% das pessoas com água tratada, mas somente 33,08% com coleta.

Esta situação gerou em 2011, somente nas capitais do Nordeste, 764 casos de internações por diarreia por grupo de 100 mil habitantes, sendo um grande número de crianças entre 0 e 5 anos. Muitas delas nas periferias das grandes metrópoles nordestinas. O Turismo, outra vocação do Nordeste, perde visitantes, postos de trabalho e renda pela poluição de seus rios e praias.

Em resumo, há uma generalizada falta de saneamento básico e os avanços são tímidos. Governadores e prefeitos nordestinos deveriam ter foco total no saneamento básico, pois a solução ajudaria a melhorar a vida de seus eleitores; muitos daqueles só lembrados na hora das eleições.

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