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Aterros industriais – Por Hiram Sartori

O aterro sanitário é a solução mais adotada no Brasil para dar a destinação adequada aos resíduos gerados no país. É mais eficaz e viável para nosso caso, mesmo que na maioria dos municípios não funciona da maneira esperada – o uso de aterros inadequados e lixões a céu aberto ainda são os locais de destinação mais usados no Brasil.

Aterros sanitários também são a solução para os resíduos industriais, uma vez que protegem o meio ambiente e a saúde pública de contaminações. A importância do tratamento e destinação apropriada para esse tipo de resíduo deve ser mais do que reforçada, uma vez que os elementos gerados nas indústrias podem ser mais perigosos para a população do que o lixo comum.

Existem cuidados que todos os aterros devem ter, sanitários ou industrias. Os resíduos são dispostos em camadas compactadas e logo em cima é posto uma camada de terra, e ela se transformará em uma base para uma nova camada de resíduos. A área que ele ocupa também deve ser cuidadosamente pensada: o solo deve ser impermeável e deve estar afastado de corpos d’água. Afinal, o lixo produz elementos que podem ser perigosos: quanto o lixo entra em decomposição, são gerados o chorume e os gases tóxicos. Esses elementos devem ser tratados de acordo com as peculiaridades do aterro, e os gases aproveitados ou queimados.

Mas os aterros industriais recebem materiais que podem ser mais perigosos para o meio ambiente. Por isso o projeto do seu funcionamento deve ser mais bem elaborado e executado do que os aterros comuns. A impermeabilização do solo é bem mais rigorosa em sua base, reforçada com mantas plásticas e uma cobertura impermeável que evita a infiltração de águas de chuva e controla a emanações de gases.

Todos os critérios para aterros industriais foram decididos na Conferência de Basiléa em 1994. Existem condições mínimas que foram definidas, essenciais para que o aterro seja realmente seguro para o meio ambiente. A escolha do local é um dos pontos mais importantes, pois deve ser levado em consideração o ponto de vista geológico e o hidrológico, além de o lugar ter que ser afastado de locais muito povoadas, como grandes centros urbanos. O local escolhido deve ser de fácil acesso para que os resíduos não precisem passar pelos aglomerados populacionais. É preciso ter também um sistema de recolhimento e tratamento de lixiviados e percolados e ter uma cobertura dos resíduos.

Deve-se ter cuidados especiais também com os resíduos que chegam no aterro: eles devem ser secos tanto quanto possível, estáveis, pouco solúveis e não voláteis. O aterro industrial não deve receber ácidos, bases fortes, compostos orgânicos muito solúveis e coláteis, materiais inflamáveis e explosivos e resíduos radioativos. Muitos resíduos, porém, passam por um processo de tratamento com técnicas de estabilização, encapsulamento, solidificação e vitrificação, para se tornarem insolúveis e estáveis.

Para prolongar a vida útil de um aterro é importante separar os resíduos. Apesar da vida útil variar de acordo com o volume e densidade do material, o aterro é uma solução relativamente barata. Mas convém conjugar o uso de aterros com outras soluções que possam minimizar os resíduos. O aterro industrial é uma solução segura se seguir todos os requisitos de segurança, que foram se aperfeiçoando baseado em erros passados, mas que hoje faz dele uma solução confiável.

*Hiram Sartori é Engenheiro Sanitarista, possui doutorado em Engenharia Civil e atua como consultor e professor do Ensino Superior.

Site: hiramsartori.com.br
Twitter: @hiram_sartori
LinkedIn: https://br.linkedin.com/in/hiramsartori

A opinião apresentada é de responsabilidade do autor.

 

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