saneamento basico

Conflitos de amanhã

Por: Eng. Civil Álvaro Menezes
De dia falta água, de noite falta luz. Nem parece verdade, mas um ditado usado no século passado, lá pelos anos 60 e 70, aparece hoje com destaque em cidades onde nem naquela época acontecia ao mesmo tempo falta de energia elétrica e de água. Em 2003 quando o ex-presidente Lula entendeu que tinha descoberto, fundado e estruturado o Brasil, ele estabeleceu de acordo com o “jeito PT de governar”, que devia se dedicar a combater os efeitos de 503 anos de nada feito, segundo ele. Logo depois, substituindo o jeito PT pelo “lulopetismo”, criou de fato programas importantes como o PAC – Programa de Aceleração do Crescimento e o Minha Casa, Minha vida, por exemplo e nunca antes na história deste país houve – de verdade – tanto dinheiro para se investir em áreas fundamentais para o desenvolvimento como saneamento, habitação, rodovias, aeroportos, portos e geração de energia elétrica. O grande e lamentável problema decorre do fato de que o “lulopetismo” manteve-se fiel ao entendimento de que atacar efeitos, significa acabar com as causas dos problemas reais. O que se vê agora, mais de dez anos depois do ano da graça, é que os problemas aumentaram e correm o risco de levar cidades ao colapso urbano que se associa, paradoxalmente, às oportunidades de melhoria de qualidade de vida que o presente oferece. Apesar das mudanças importantes que aconteceram na forma como os Ministérios atendem as demandas dos Estados e Municípios, atua-se no operacional e há pouca relação entre o PAC, o Minha Casa, Minha vida, o Bolsa família ou o Minha casa melhor, com um plano de desenvolvimento. As cidades começam a ficar sufocadas por muitas obras e nenhuma infraestrutura para suportar demandas que exigem, com justiça, garantia no fornecimento de energia elétrica que não só serve para iluminar ruas e possibilitar assistir o BBB, mas principalmente para permitir que a água chegue às casas de todos ou que metrôs funcionem bem nos horários de pico ou que o esgoto seja bombeado para estações de tratamento ou que haja alternativas de tráfego e transporte para muitos ou indústrias e comércio que geram emprego possam funcionar. A impressão que se tem é que há também do lado do Governo Federal uma certa tendência ao deixa estar para ver como é que fica, o que pode fazer com que Estados e Municípios ricos procurem solução para as causas de seus problemas, independente de uma visão estratégica do Governo Federal, enquanto os Estados e Municípios pobres ficarão à mercê da sorte eleitoral de cada um. O Brasil precisa com urgência de um plano estratégico que possa estabelecer focos de atuação concentrados em áreas que devem ser priorizadas, numa sequência lógica e acelerada de projetos que tenham como objetivo resolver causas e não ficar “corrigindo” no presente, o que será problema amanhã de novo. Um exemplo que se pode tirar da forma equivocada de gestão do Governo Federal pode ser vista no Canal do São Francisco, na falta de energia elétrica, na ilusão de um trem de alta velocidade entre São Paulo e o Rio de Janeiro. Atuar para combater vários efeitos pode significar não solucionar causa nenhuma. Já está passando da hora de profissionalizar a gestão pública também nos Ministérios e pensar com clareza na implantação de princípios de governança corporativa para obter resultados sustentáveis nos projetos de infraestrutura do Brasil.

Fonte: Assessoria de Imprensa

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