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Seca ou falta de chuva?

Por: Álvaro Menezes
O Brasil está assustado. Nossa metrópole monumental e rica, está prestes a viver um racionamento por falta de água. São Paulo, com sua pujança financeira, capacidade técnica e tecnológica, parece se perguntar: onde erramos? o que fazer para manter as barragens com água e garantir abastecimento regular? Diferente do sertão brasileiro no Nordeste, onde há de fato seca permanente ou sazonal e clima semi – árido em grande parte de seu território, São Paulo vive um característico fenômeno climático conhecido pelo nome de estiagem, que nada mais é que a falta de chuva por período acima do normal e que, até por isso, mostra um desequilíbrio no balanço hídrico. Ou seja, por alguma razão, o uso está superior a disponibilidade e sem a recarga periódica de curto prazo, ocorre a falta ou se atinge o limite crítico da falta de água iminente. Bem, mas São Paulo capital não tem clima semi – árido como muitas capitais brasileiras. Então, o que significa esta grave redução dos níveis de água nos mananciais, o que também já foi visto em Recife e Fortaleza por exemplo? A resposta mais simples é que a falta de chuva causou o problema atual. Será que não é chegada ou até mesmo passada a hora de se rever o modelo de gestão de nossas cidades, rompendo os limites estabelecidos por sistemas de baixa ou nenhuma governabilidade, pela aplicação efetiva de políticas e práticas integradas de gestão? Parece fácil dizer que a culpa é da SABESP por ser ela a maior usuária de recursos hídricos e simplesmente esquecer que o crescimento descontrolado e desorientado das cidades brasileiras se agrava a cada dia, graças a gestões municipais que se concentram no atendimento a suas metas político partidárias em confronto com as dos governos estaduais, cada um desses poderes a buscar sua hegemonia e poder eterno, não pela implementação de práticas de governança que privilegiem a vida dos cidadãos e sim pelo atendimento circunstancial a nichos de necessidades em infraestrutura espalhados pelas cidades. Como uma das maiores operadoras de serviços de abastecimento de água do mundo, a SABESP sem dúvidas, faz jus também ao reconhecimento como empresa que possui elevado padrão de governança, não sendo com certeza a única a se envolver com a busca da solução para os efeitos que são sentidos agora com a redução de nível de água em seus reservatórios. O Governo Federal faz ares de paisagem e sugere que a falta de investimentos em novos sistemas de produção e armazenamento são a solução, apresentando o PAC como seu remédio para todos os males e, até pode ser que haja necessidade de ampliações para muitas capitais e grandes cidades brasileiras, porém mudanças legais urgentes precisam ser pensadas para que não se imagine que a solução virá da existência de planos disso e daquilo. Ajustar com clareza os papéis do Estado e da União na gestão de recursos hídricos é uma necessidade como também, limitar o papel das prestadoras de serviços de abastecimento de água aos serviços de distribuição, sem esquecer de exercitar de fato a utilização bem regulada da iniciativa privada nesses serviços por meio de concessões, parcerias público privadas ou sociedades formais, de modo que Estados e Municípios concentrem suas energias na solução dos problemas associados a saúde, educação e segurança, atuando na área de saneamento como fomentadores da prestação dos serviços com qualidade e para todos, sem esgotamento ou poluição das reservas hídricas. Discursos políticos e caça a culpados não fazem chover.

Fonte: Assessoria de Imprensa

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