Vou de Kombi

Por Álvaro Menezes | Vice-presidente da ABES

Não é a toa que se diz que os defensores abnegado e os lutadores por mudanças e melhorias no setor de saneamento caberiam em uma Kombi. Talvez não seja assim e esta avaliação pode muito mais expressar um certo desânimo, desalento e falta de esperança diante da destruição de valores que corrói a gestão pública, notadamente aquela fidelizada pelo lulo-petismo. Mas talvez seja assim mesmo, não só porque serviços de saneamento são ainda confundidos com obras e o PAC surje como a maior expressão de solução para todos os problemas, mais também porque o setor de saneamento é carente da adequada utilização de três palavras fundamentais para que uma empresa de saneamento pública ou privada seja bem sucedida: identidade, imagem e reputação.

Os profissionais de marketing mostram com certa facilidade que se a identidade de uma empresa não está devidamente identificada com seus produtos e serviços nem ela se pauta por princípios de governança corporativa em sua gestão, é difícil fazer com que a mesma possa apresentar resultados empresariais, incluindo ai receitas capazes de cobrir as despesas e garantir sustentabilidade social, ambiental e econômica; a imagem, aquilo que os clientes, acionistas e empregados enxergam, deriva da boa administração da identidade empresarial, ou seja, o que se vê precisa estar compatível com o que se planeja fazer e mais ainda com o que se faz, com a manutenção dos planos aprovados e por sua transparência na relação com a sociedade; por fim a reputação é a certificação de que a empresa merece confiança, transmitindo credibilidade e fazendo da sua marca uma certeza de que é uma empresa que faz com competência aquilo que leva satisfação a seus clientes e acionistas, beneficiando a todos que usam seus produtos e serviços.

Imaginando que muitas Kombis circulem Brasil a fora repetindo mensagens, apresentando modelos e destacando bons exemplos de gestão no setor de saneamento e considerando também que apesar de todos avanços de fato, o setor sofre com o uso indevido de sua identidade empresarial por certos focos de corporativismo autofágico que impõem convenientes bloqueios a mudanças de modelos de gestão ou pela formação de imagens dirigidas para posturas político-eleitorais que desconhecem propositadamente a identidade dos prestadores de serviços de saneamento, aderindo muitas vezes a propostas aventureiras e enganosas que conduzem a um choque de avaliação da reputação entre o que os clientes, os empregados, os acionistas, a imprensa, os prefeitos e os políticos – bem ou mal informados – pensam e divulgam sobre os serviços prestados, com o trabalho real prestado pelas empresas públicas ou privadas no setor de saneamento. Pode ser que uma das maneiras de consolidar como positivas a identidade, a imagem e a reputação das operadoras, seja não andar mais de Kombi, uma verdadeira carroça da época pré-Collor, sem conforto e com um barulhento motor interno que dificulta o mais importante dos procedimentos entre os passageiros da Kombi: conversar e tomar decisões. Adeus Kombi!

Últimas Notícias:
Marco Legal do Saneamento transforma cidades paranaenses

Marco Legal do Saneamento transforma cidades paranaenses

Seis anos atrás, uma mudança na legislação brasileira redefiniu os rumos do saneamento básico no país. Em julho de 2020, a atualização do Marco Legal do Saneamento estabeleceu metas inéditas e desafiadoras: garantir que, até 2033, 99% da população tenha acesso à água potável e 90% à coleta e ao tratamento de esgoto.

Leia mais »