saneamento basico

Banco português quer penhora de ações da OAS na Arena das Dunas

O Banco Caixa Geral, de Portugal, que emprestou R$ 50 milhões à Construtora OAS S.A. em dezembro passado, pediu ao Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo a penhora das ações da empreiteira junto às Arenas das Dunas, em Natal; Fonte Nova, em Salvador; e do Grêmio, em Porto Alegre. O débito, corrigido até o dia 10 de fevereiro, quando a ação foi protocolada na Corte de Justiça, chegava aos R$ 51,3 milhões.

Questionada sobre a possibilidade de venda da Arena das Dunas como forma de amortizar as dívidas, a OAS respondeu que “comunicou ao mercado que estuda a venda de determinados ativos para reforçar sua liquidez, que os ativos citados fazem parte do portfólio da companhia e, portanto, podem fazer parte da decisão”. A construtora informou ainda que está em discussões sobre o tema e que não comenta possíveis negociações nem o potencial valor de seus ativos.

A Construtora OAS S.A. e OAS S.A, detentoras de empreendimentos nas áreas de engenharia e investimentos, são citadas nos escândalos de pagamento de propina a agentes públicos para desvio de recursos da Petrobras. Os débitos acumulados pela empresa somente em janeiro superaram os R$ 100 milhões e os pedidos de antecipação de créditos podem chegar a R$ 1,5 bilhão, segundo levantamento da Agência Estado. Especialistas estimam que um pedido de recuperação judicial deverá ser requisitado em breve, como forma de evitar a decretação da falência da empresa, que chegou a ocupar a terceira posição dentre os maiores construtores do país.

A Arena das Dunas foi construída em Natal através de uma Parceira Público-Privada assinada entre a Construtora e o Governo do Estado. Em entrevista à TRIBUNA DO NORTE, o procurador-geral do Estado, Francisco Wilkie Rebouças, afastou, preliminarmente, a possibilidade da Arena ser colocada à venda pela OAS. “Ainda não tenho conhecimento aprofundado desse assunto pois o Estado não foi citado. Mas, o bem é impenhorável. O que se pode penhorar, nesse caso, é o fruto da exploração do empreendimento. Ou seja, toda a renda obtida pelo uso da Arena pode ser sequestrada judicialmente para pagamento da dívida da empresa com o banco”, avaliou.

O também procurador estadual Nivaldo Brum ressaltou que é preciso avaliar o processo com muita cautela pois, as mudanças nas leis brasileiras impostas pela Fifa para a realização da Copa no Brasil podem afetar questões relativas à venda dos estádios, mesmo estes tendo sido construídos com dinheiro público.

A assessoria de imprensa da Arena das Dunas informou que ainda não havia sido comunicada em relação à abertura do processo pelo Banco Caixa Geral. Além disso, reiterou que todos os compromissos estão sendo cumpridos e que a agenda da Arena inclui eventos até o ano de 2016.

A Arena
A Arena das Dunas foi o único empreendimento construído para a Copa do Mundo no Brasil em 2014 que não é 100% público. Ao longo do evento desportivo recebeu quatro jogos da primeira fase, com média de público superior a 30 mil torcedores. Construído através de uma Parceria Público-Privada (PPP), a primeira na história do Rio Grande do Norte, a obra consumiu R$ 423 milhões. Seu custo operacional jamais foi divulgado pela OAS Arenas S.A., administradora do complexo.

Ao longo dos próximos 19 anos, o Governo do Rio Grande do Norte deverá repassar valores mensais à administradora da praça esportiva. Nos primeiros onze anos, serão aproximadamente R$ 9 milhões mensais. A partir do 12º ano, o valor cai para R$ 2,7 milhões por mês até o 14º ano. Nos últimos três anos de concessão, a monta decresce para R$ 90 mil mensais. Ao fim dos 20 anos de exploração da Arena das Dunas, a OAS deverá ter embolsado, em valores não corrigidos, algo em torno de R$ 1,2 bilhão.

Fonte: JBelmont

Últimas Notícias:
Chamada pública da Gasmig amplia perspectivas para produção de biometano em Minas Gerais

Chamada pública da Gasmig amplia perspectivas para produção de biometano em Minas Gerais

02 de junho de 2026 – A Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig) lançou uma chamada pública para identificar projetos interessados no fornecimento de biometano ao estado, movimento que pode impulsionar novos investimentos e ampliar a participação de Minas Gerais em um dos segmentos mais promissores da transição energética brasileira e no aproveitamento econômico de resíduos para produção de combustível renovável.

Leia mais »

O saneamento e a hipocrisia ambiental

Enquanto redijo este texto, Minas Gerais conduz a etapa decisiva da desestatização da Copasa, operação que pode movimentar de R$ 8 a R$ 10 bilhões. O modelo segue o trilho aberto pelo Rio Grande do Sul com a Corsan e por São Paulo com a Sabesp: oferta a um investidor de referência, modernização de contratos com municípios titulares e ancoragem nas metas do Novo Marco do Saneamento.

Leia mais »