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Empresários veem saneamento público resistente a parcerias

A esperança dos empresários do ramo de saneamento é que a atual crise hídrica vivida em São Paulo desperte a atenção do poder público para possíveis parcerias com a iniciativa privada. O foco do debate é a eficiência do sistema de distribuição. No Estado de São Paulo, perde-se mais de um terço (34%) da água por vazamentos, enquanto na Sabesp, a média está próxima de 26%.

Mesmo que o nível paulista de desperdício seja mais baixo do que o de outras regiões brasileiras (no País a média é de 37%), o empresariado defende que seria possível baixá-lo mais, para pelo menos 20%.
Já o diretor de tecnologia e empreendimentos da Sabesp, Edson Pinzan, diz que a companhia tem investido para reduzir as perdas. Neste ano, foi R$ 1,45 bilhão. Nos cinco anos de 2013 a 2017, o volume de recursos chegará a R$ 3,1 bilhões. “O investimento em perdas é perene, não pode ser feito apenas no momento de crise.”
Outro argumento é que fazer os reparos em regiões metropolitanas densas, como na capital paulista, é mais difícil do que em cidades menores. “A redução de perdas é importante, mas São Paulo é complexa. Esta crise é um problema de produto [água].”
Conservadorismo
Na visão da iniciativa privada, as companhias públicas de saneamento têm uma cultura de conservadorismo, o que acaba dificultando a formação das parcerias público-privadas.
Para enfrentar a resistência, o empresariado estaria oferecendo contratos de redução de desperdício baseados no desempenho. Quer dizer, a empresa seria remunerada em função do aumento da eficiência operacional e da redução do desperdício de água na distribuição. Mesmo assim, o modelo não emplacou.
O executivo-chefe da Odebrecht Ambiental, Fernando Reis, diz que acredita em mudanças nesse cenário a partir do momento em que a água encarecer. “Na hora que ficar caro, que começar a pesar no bolso, aí é que se começa a fazer.” Para ele, a crise hídrica de São Paulo contribui para a criação de uma consciência sobre o valor da água. “Hoje ninguém enxerga.”
A respeito do nível de desperdício, ele comenta que há sim um mínimo aceitável. A partir de certo ponto, a relação de custo e benefício dos reparos nos encanamentos deixa de compensar. No caso de São Paulo, ele reconhece que a complexidade da massa urbana traz dificuldades, mas ressalta que existem regiões metropolitanas no mundo com desperdício menor. “E devemos perseguir esses padrões internacionais.”
O consultor e ex-presidente da Sabesp, Gesner Oliveira, também defende uma meta mais ambiciosa de eficiência para São Paulo. Para ele, o patamar brasileiro – de 37% de perdas – “é vexatório”. Quando ele presidiu a companhia, uma redução de seis pontos percentuais (32% para 26%) foi suficiente para abastecer 1 milhão de pessoas. “E com isso também se poupa produto químico, mão de obra e transporte.”
Os especialistas entrevistados fizeram parte de mesa-redonda, na Feira Nacional de Saneamento e Meio Ambiente (Fenasan).

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